Centro de Estudos de Defesa Hemisférica é rebatizado para William J. Perry

Center for Hemispheric Defense Studies is Renamed for William J. Perry

Por Dialogo
abril 15, 2013



WASHINGTON – Como secretário de Defesa do governo Bill Clinton, William J. Perry constantemente idealizou um local onde acadêmicos e autoridades do hemisfério ocidental pudessem estudar como as forças armadas funcionam em uma sociedade democrática.
A ideia de Perry concretizou-se com o Centro de Estudos de Defesa Hemisférica (CHDS) da Universidade de Defesa Nacional. Desde que deixou o cargo em 1997, Perry se perguntava se o centro continuaria a existir mesmo sem sua liderança.
Essa dúvida foi uma das poucas avaliações equivocadas na longa carreira militar de Perry, que teve um papel fundamental no desenvolvimento dos aviões Stealth do Pentágono e da tecnologia do Sistema de Posicionamento Global (GPS).
Em 2 de abril, o CHDS foi rebatizado em sua homenagem em uma cerimônia em Fort McNair, onde localiza-se o projeto.
Ao falar à plateia, na qual estavam presentes seus familiares, generais estrangeiros, dignitários de embaixadas e o ex-senador Sam Nunn, Perry, 85 anos, lembrou que forças armadas administradas por civis não devem ser desconsideradas.
“Isso pode parecer óbvio e simples para todos vocês”, disse Perry em seu discurso no auditório do Abraham Lincoln Hall. “Mas, creiam em mim, a questão não é tão simples em outros países.”

Perry ajudou a promover a cooperação militar regional

Durante o exercício de seu cargo no governo Clinton, houve muita resistência ideológica a cooperações abrangentes entre os departamentos de defesa de diversos países do continente americano.
Perry, o 19o secretário de Defesa americano, lembrou como quis visitar a Cidade do México para envolver seu colega, o general Enrique Cervantes Aguirre, mas foi dito que essa não era uma boa ideia devido ao ressentimento do país em relação aos EE.UU. que existia desde meados do século XIX.
“Eu queria limpar a memória das relações com o México”, disse Perry, que, a despeito da primeira recusa, buscou diálogo com Aguirre e, em outubro de 1995, tornou-se o primeiro secretário de Estado americano da era moderna a visitar o México. A amizade emergente ajudou a amenizar as relações entre os militares dos dois países vizinhos e levou à primeira conferência de Ministros da Defesa das Américas em Williamsburg, Virginia, em agosto de 1995.
Dessas conferências, o Centro de Estudos de Defesa Hemisférica – hoje chamado Centro William J. Perry de Estudos de Defesa Hemisférica nasceu em 1997.

“Isso é muito importante para a troca de ideias e para um entender o outro”, ressaltou o tenente-coronel Ricardo Melendez, um adido militar da Embaixada do México que compareceu à cerimônia. “É bom saber como os Estados Unidos conseguiram alcançar” um equilíbrio entre as autoridades militares e as agências civis que os administram.
A mais notória exceção à cooperação hemisférica é Cuba. No outono de 1962, Perry – então diretor de um laboratório de defesa privado na Califórnia – foi chamado a Washington pelo governo Kennedy para ajudar a avaliar a ameaça das bases de mísseis soviéticos em Cuba.

Elogios a Paul Kern e Ashton Carter

Na cerimônia também estava presente um homem que acompanhou Perry em alguns dos mais importantes eventos históricos dos anos 90, incluindo o Acordo de Paz de Dayton de 1995, que, efetivamente, pôs fim à guerra civil na Bósnia. Este homem é o general da reserva Paul J. Kern, seu assessor militar sênior durante seu mandato como secretário de Defesa.
“Sem a influência do secretário Perry, nós jamais teríamos ido aos Bálcãs”, asseverou Kern, 67 anos, ex-comandante geral do Comando de Material do Exército dos EE.UU. “Ele reorganizou a OTAN para atuar em questões que estavam ficando piores [na antiga Iugoslávia] ao invés de melhores.”
Foi também um momento em que a brigada russa uniu-se à divisão americana na Bósnia, estabelecendo uma cooperação militar bilateral pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.
“Bill ajudou a negociar a paz nos Bálcãs e deu as boas-vindas à Rússia ao KFOR”, uma força de paz internacional no Kosovo, declarou o Dr. Ashton B. Carter, 58 anos, de quem Perry é mentor, que o apresentou na cerimônia de rebatismo.
“Visão e integridade equivalem-se a Bill Perry”, afirmou Carter, atualmente vice-secretário de Defesa do país, subordinado a Chuck Hagel. “Suas conquistas destacaram-se na Ucrânia no verão de 1996, quando a últimas armas nucleares foram retiradas daquele país.”

Mas foi sobre o progresso nesse lado do mundo que a pompa do evento – acompanhada pelo Quinteto de Metais dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos – girou em torno. Foram gravadas no selo do Centro os dizeres em latim “mens et fides mutual” que significam “compreensão e confiança mútuas”.

Cerimônia de rebatismo ajuda a manter legado de Perry

O Centro foi inaugurado em 17 de setembro de 1997, cerca de oito meses após Perry deixar o Pentágono. Seu objetivo é estimular parcerias com outros países, assim como fomentar e promover relações civis e militares em sociedades democráticas. E executa isso através de diversos projetos acadêmicos, pesquisas e programas comunitários.
Outras atividades incluem seminários de pós-graduação em workshops de planejamento de segurança nacional. O Centro começou a receber seus primeiros alunos no início de 1998.
Kenneth A. LaPlante, diretor interino do Centro Perry, disse que foi necessária uma Lei do Congresso e mais de cinco anos para que o Centro tivesse o nome mudado para Perry.
LaPlante assinalou que, durante o mandato de Perry como secretário de Defesa, três outros centros com objetivos similares foram estabelecidos pelo mundo: o Centro Marshall para Estudos de Segurança Europeia na Alemanha; o Asia Pacific Center no Havaí e o Centro para Estudos sobre Segurança da África, também no campus da NDU em Fort McNair.
Todas essas coisas, disse Perry, mostram “o quanto o mundo mudou, o quanto nossa segurança mudou... o quanto o Departamento de Defesa mudou e o quanto [o trabalho de secretário de Defesa] mudou.”
Essas mudanças, assim como as histórias sobre o homem que ajudou a promovê-las, estão sendo documentadas pela filha de Perry, Robin, que atualmente está ajudando o pai a redigir suas memórias.
“Durante nossa infância em Palo Alto, nós o víamos apenas como um pai que amava sua família”, disse ela. “Mas quando meu pai veio ao Pentágono pela primeira vez em 1977, todos nós soubemos o quanto ele se tornara talentoso.”
Sigamos o exemplo da visão de William Perry. Sua capacidade de equilibrio para o entendimento entre os militares e os civis, que nos leva ao desenvolvimento com paz, justiça e segurança. É uma boa homenagem para aqueles entre nós que o seguem.
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