Marinha do Brasil participa de operação internacional na costa africana

Brazilian Navy Participates in International Operation on African Coast

Por Taciana Moury/Diálogo
maio 23, 2018

A Marinha do Brasil (MB) esteve presente na região do Golfo da Guiné para participar do exercício multinacional Obangame Express 2018. O exercício tem o objetivo de capacitar as marinhas africanas no patrulhamento do Golfo da Guiné e aumentar a segurança marítima na região, ampliando o combate a crimes frequentes como a pirataria, o tráfico ilícito de drogas e de pessoas, o roubo armado e a pesca ilegal.

O Obangame Express é realizado anualmente, desde 2010, sob a égide das Forças Navais África dos EUA, o componente naval do Comando África dos Estados Unidos. A edição de 2018 aconteceu de 21 a 29 de março na costa africana e contou com a participação de 31 países, dentre eles, Alemanha, Bélgica, Estados Unidos, França, Portugal e Reino Unido. O exercício, cujo nome significa união no dialeto da tribo africana Fang, originária da área continental da Guiné Equatorial, tem o propósito também de treinar a interoperabilidade entre as marinhas e agências participantes.

Segundo o Capitão-de-Fragata da MB Carlos Eduardo Fiorino Carneiro, encarregado da Seção de Meios de Superfície do Comando de Operações Navais (ComOpNav), a MB levou um total de 109 militares para o exercício e ficou responsável pela área de operações A, que abrangia Angola, República Democrática do Congo e República do Congo. “Tínhamos três oficiais que atuaram no Centro de Operações Marítimas (COM), em Angola, e de onde iniciavam, coordenavam e avaliavam todos os eventos da área A; um oficial localizado no Grupo de Controle do Exercício, no Gabão, que atuou como oficial de ligação com a Marinha dos EUA; e uma equipe do Centro de Adestramento Almirante Marques de Leão, embarcada no Navio-Patrulha Oceânico (NaPaOc) Amazonas, para avaliar, em tempo real, os procedimentos das marinhas africanas”, revelou à Diálogo o CF Fiorino.

Para o Capitão-de-Mar-e-Guerra da MB Charles Alan da Silva, encarregado da Divisão de Operações Especiais do ComOpNav, a participação da MB foi fundamental para garantir sua interoperabilidade com forças armadas de nações parceiras. “As forças armadas de todo o mundo estão sendo cada vez mais empregadas de maneira combinada, para a defesa de interesses comuns dos países aliados, sobretudo em combate aos crimes transacionais. Assim, o emprego combinado de meios multinacionais, realizando intercâmbio de procedimentos, troca de experiências e compartilhamento de táticas, como ocorrido no Obangame Express 2018, resultam em maior eficiência no emprego das forças envolvidas”, ressaltou o CMG Alan.

Aplicação da legislação marítima

De acordo com o CF Fiorino, o Obangame Express possibilitou aos militares africanos observar o material utilizado pelas equipes de abordagens e as técnicas empregadas, quando embarcadas, além de contribuir para a melhoria da capacidade de aplicação da legislação marítima internacional. “É uma maneira de ampliar o envolvimento dos países signatários do Código de Conduta Yaoundé, por meio da implementação de uma estratégia regional para a segurança marítima na África Central e Ocidental, e fortalecer a parceria entre os 20 países que assinaram o código”, destacou.

Esta foi a quinta vez que a MB participou do Obangame Express e esteve representada pelo NaPaOc Amazonas. “Por ser um navio patrulha oceânico, teve a capacidade de realizar o translado até o Golfo da Guiné de forma rápida e mais econômica que um navio de grande porte. Suas dimensões o tornaram ideal para o tipo de evento, uma vez que foram realizados diversos exercícios de abordagem, nos quais o navio brasileiro participou como ‘alvo’, simulando uma embarcação pirata”, explicou o CF Fiorino.

O oficial explicou que, para a coordenação das atividades dentro de um cenário tático tão complexo, foram utilizados alguns sistemas específicos como o SeaVision, um sistema de acompanhamento em tempo real das unidades no mar, que recebe informações do equipamento do Sistema de Identificação Automática constante nos navios, e o HipChat, uma sala de “bate-papo” virtual por onde todas as informações fluíram na fase de execução do exercício. “[Isto] tornou possível a comunicação com todos os centros de operação marítima e foi fundamental para a evolução das ações”, revelou o CF Fiorino. “Cada cenário do exercício era iniciado através de injeções pré-planejadas no HipChat. Os militares angolanos do COM recebiam mensagens confeccionadas durante reuniões de planejamento pelos representantes de cada marinha e tomavam as ações julgadas adequadas referentes ao conteúdo recebido, de forma que a situação tivesse uma evolução gradual.”

Durante o exercício, diversas informações eram transmitidas para que o ‘contato’ (navio-alvo) saísse da condição de ‘desconhecido’ para a de ‘suspeito’, ocasionando uma abordagem real. “Dentro desse contexto, a equipe brasileira presente no COM era responsável por coordenar, avaliar e criticar as ações dos seus militares, com debriefing diários, após a conclusão dos cenários”, explicou o CF Fiorino.

Essa foi a segunda participação do oficial no exercício Obangame Express. Para ele a atividade é uma excelente oportunidade de adestramento para os militares envolvidos e um ensejo para conviver com militares de outras nacionalidades. “O principal ponto de dificuldade foi realizar o comando e controle de forma satisfatória, ou seja, coordenar o evento, dentro da nossa área de responsabilidade, de maneira que todas as ações fossem realizadas de maneira eficaz, alcançando o objetivo da missão”, disse.

O diferencial na edição de 2018, segundo o CF Fiorino, foi a realização do Simpósio Líder Sênior, realizado entre os dias 26 e 28 de março. O evento, coordenado pela Escola Naval de Guerra da Marinha dos EUA, teve palestras, painéis de discussão e debates sobre os desafios marítimos comuns e oportunidades para melhorar a segurança marítima internacional.
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