Marinha do Brasil realiza exercício de simulação para conter distúrbios durante os Jogos Olímpicos

Brazilian Navy Conducts Simulation Exercise to Contain Civil Unrest During the Olympic Games

Por Eduardo Szklarz/Diálogo
agosto 17, 2016

A Marinha do Brasil simulou uma operação anti-distúrbios na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, dia 19 de julho, como parte dos preparativos de defesa e segurança para os Jogos Olímpicos de 2016. O objetivo do exercício foi preparar os militares para lidar com ações de agentes perturbadores da ordem pública durante o evento esportivo, que reuniu mais de 10.000 atletas de 206 países. Na simulação, os militares empregaram três embarcações para conter uma suposta manifestação violenta nos arredores do Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, localizado no Aterro do Flamengo - um espaço de recreação construído sobre um aterro na Baía da Guanabara, zona sul do Rio. O adestramento incluiu também o resgate de um suposto ferido nos tumultos a bordo de uma aeronave de evacuação médica (EVAM, da sigla em espanhol), que decolou do aeroporto Santos Dumont, localizado perto do local da ação. "Mil militares participaram do exercício como um todo", informou o Contra-Almirante Ricardo Henrique Santos do Pilar, comandante da Força-Tarefa Terrestre do Comando de Defesa Setorial Copacabana (CDS), órgão da Marinha que dá apoio às forças de segurança durante os Jogos. "Havia militares envolvidos no isolamento do aeroporto Santos Dumont, outros que estavam posicionados no Monumento aos Mortos e outros envolvidos no desembarque, além dos navios posicionados na Baía da Guanabara", completou o C Alte Santos do Pilar. Soldados da Marinha neutralizam distúrbio Uma parte essencial do exercício foi o desembarque de 80 soldados da Marinha na Praia do Flamengo. "Eles tinham a missão de controlar o distúrbio, restabelecendo a segurança da região", informou a Marinha do Brasil em um comunicado. Na primeira etapa da simulação, a Embarcação de Desembarque de Carga Geral (EDCG) "Guarapari" descarregou veículos militares no aterro. Depois, as tropas chegaram por mar utilizando a Embarcação de Desembarque de Veículos e Materiais (EDVM) "Cataguases". Os militares também utilizaram o Navio de Patrulha Oceânica "APA" como apoio à operação. Equipado com radares, três metralhadoras e capacidade para transportar 120 soldados, o "APA" é um dos 19 navios e 40 lanchas empregados para garantir a segurança dos Jogos Olímpicos, informou o Ministério da Defesa do Brasil em um comunicado. Finalmente, um helicóptero Esquilo da Marinha do Brasil simulou a evacuação aeromédica da suposta vítima. "Hoje tivemos uma demonstração da flexibilidade da Força Naval", disse o Almirante-de-Esquadra Ademir Sobrinho, chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA) do Ministério da Defesa do Brasil, que acompanhou as tarefas. "Estamos treinando há quase dois anos [para os Jogos]. E hoje vemos aqui, com satisfação, o coroamento de toda essa preparação e de todo esse treinamento. Estamos prontos." O General Fernando Azevedo e Silva, chefe da Coordenação Geral de Defesa de Área (CGDA) e do Comando Militar do Leste (CML), disse que o exercício demonstrou a capacidade dos militares de superar qualquer obstrução de vias e protestos. "[Demonstramos] a capacidade total da Marinha para utilizar seus meios marítimos para o posicionamento de tropas e veículos na segurança dos Jogos." O exercício permitiu, também, testar as vias marítimas como opção para a mobilização de tropas e a utilização de meios aéreos para possíveis resgates, informou a Marinha. Exercício simula sequestro de embarcação No dia 21 de julho, em outro treinamento às vésperas das Olimpíadas, o CDS Copacabana simulou o sequestro de um barco de passageiros da empresa CCR Barcas. Na simulação, supostos terroristas sequestraram uma embarcação que fazia o trajeto entre o Rio de Janeiro e a cidade vizinha de Niterói. Cerca de 250 militares da Marinha se fizeram passar por passageiros, enquanto outros fingiam ser os negociadores. Como a negociação foi infrutífera, os soldados da Marinha tomaram a barca utilizando uma lancha rápida na Baía da Guanabara, perto da praia de Boa Viagem, em Niterói. A operação contou com o apoio de helicópteros, mergulhadores e veículos anfíbios. "O objetivo do exercício foi treinar a pronta resposta e os protocolos estabelecidos pela Marinha do Brasil e pela CCR Barcas, para garantir a segurança da população durante os Jogos", comunicou a Marinha do Brasil. O Capitão-de-Mar-e-Guerra José Augusto Ferreira, chefe da força-tarefa marítima, responsável pela segurança da costa, disse à imprensa que o resultado foi "extremamente positivo". "Foi um exercício complexo que envolveu a coordenação de muitas equipes: aérea, de negociação, de resgate e de interceptação, além do apoio dos órgãos de segurança pública e Corpo de Bombeiros", disse o Capitão-de-Mar-e-Guerra Ferreira. "Se a Marinha for chamada a responder a esse tipo de acontecimento, estamos prontos." Cerca de 38.000 militares das Forças Armadas do Brasil foram mobilizados para garantir a segurança dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, segundo o Ministério da Defesa. Os militares trabalham em coordenação com o Ministério da Justiça, a Agência Brasileira de Inteligência e órgãos de segurança dos estados e municípios. Do total, 20.000 atuam nas quatro regiões olímpicas do Rio de Janeiro: Copacabana, Maracanã, Barra da Tijuca e Deodoro. Os outros estão alocados nas cidades de Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Manaus, onde também são disputadas partidas de futebol.
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