Deputado do Brasil quer rotular rebeldes colombianos como ‘terroristas’

Por Dialogo
novembro 29, 2011

Um deputado social-democrata disse, no dia 28 de novembro, que pretendia solicitar ao Congresso brasileiro que rotulasse os rebeldes da guerrilha esquerdista das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) como “terroristas” antes da Copa do Mundo 2014 e dos Jogos Olímpicos 2016.

Otávio Leite, do Partido Social Democrata (PSDB) brasileiro, disse que seu projeto permitiria mostrar o “tipo de perigo que este grupo representa para o povo de seu país”.

Manuel Martinez, porta-voz do PSDB, disse que Leite levaria seu projeto a Brasília, pedindo “que fosse examinado imediatamente”.

O governo brasileiro não considera as FARC oficialmente um grupo terrorista.

“Antecipando-se aos iminentes grandes eventos esportivos tais como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos (que o país sediará), o Brasil é ameaçado pelo crime organizado, que obtém fundos através de diversos grupos localizados identificados na região das fronteiras”, disse Leite.

O deputado mostrou-se especialmente preocupado com “as constantes investidas das FARC no país, o envio de drogas para os narcotraficantes do Rio e a escravização de indígenas brasileiros”.

No documento enviado, ele disse que seu projeto era crucial para permitir que o Brasil finalizasse os investimentos em andamento em projetos de defesa terrestre, marítima e aérea.

Leite disse que isto também reduziria as oportunidades de as FARC realizarem atos hostis durante a Copa do Mundo 2014 e os Jogos Olímpicos 2016.

As FARC, que supostamente têm 8 mil combatentes, estão em guerra contra o governo colombiano desde 1964.

A guerrilha iniciou uma campanha de sequestros em meados dos anos 80, capturando reféns militares que serviriam como moeda de troca por prisioneiros das FARC. No final dos anos 90, líderes civis e políticos eram também sequestrados, o que deu ao grupo grande notoriedade.

No dia 4 de novembro, o governo colombiano matou o líder das FARC Alfonso Cano, que comandava a guerrilha desde 2008. Cano foi morto em uma troca de tiros durante uma operação que durou um dia inteiro.

A operação que matou Cano foi a última da recente série de vitórias militares do governo colombiano em sua busca para erradicar a mais duradoura insurgência esquerdista da América Latina, após anos de tentativas frustradas de negociar uma solução.

As FARC perderam Raúl Reyes, o número dois da organização, durante um ataque do Exército colombiano em território equatoriano, em 2008.



Share