Brasil deve ajudar Haiti sem perpetuar presença no país

Por Dialogo
maio 21, 2013


O ministro da Defesa, Celso Amorim, disse que o Brasil deve continuar a contribuir com a estabilização do Haiti, mas não pode perpetuar sua presença no país sob pena de criar uma “zona de conforto que não interessa a ninguém”.

A manifestação do titular da Defesa ocorreu durante uma reunião no dia 14 de maio, na sede do Ministério, com o representante especial interino da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Haiti, Nigel Fisher.

No encontro, Amorim falou sobre a redução gradual das tropas brasileiras que integram a missão de estabilização do país caribenho. Segundo o ministro, o Brasil já iniciou o processo de retirada de parte do contingente brasileiro, que deverá voltar a ter, em breve, cerca de 1.200 militares, número semelhante ao do período pré-terremoto (janeiro de 2010).

Ressalvando o compromisso do Brasil com a reconstrução da nação caribenha, Amorim afirmou, em resposta ao representante da ONU, que não convém ao Haiti a ideia de perpetuação da permanência de tropas militares na ilha. “Queremos que a situação melhore para que possamos sair”, disse, “e também que nossa permanência lá contribua para melhorar o país”.

Nigel Fisher apresentou ao ministro as linhas gerais do plano da ONU para consolidar a estabilização no Haiti. Segundo ele, o plano é dividido em quatro grandes eixos, entre os quais o fortalecimento da Polícia Nacional e do sistema judicial haitianos, além de ações de estímulo ao diálogo entre as diferentes forças políticas da nação.

Fisher referiu-se à importância das eleições legislativas que ocorrerão este ano no Haiti, para a escolha de parte do Senado, e afirmou que a intenção do governo é ampliar para 15 mil homens o contingente da Polícia Nacional até 2016, melhorando a distribuição das forças de segurança no território do país. Ele disse ainda que a ideia é manter o atual contingente policial da ONU e reduzir, em cerca de 50% nos próximos três anos, o contingente de tropas militares na ilha, hoje fixado em 6.300 homens.

O representante da ONU ressaltou, durante o encontro, a contribuição decisiva do Brasil para a estabilização do Haiti. Ele também afirmou que a missão da Organização no país começa a mudar de foco, centrando-se com mais prioridade em aspectos ligados ao desenvolvimento da nação.

Amorim felicitou Fisher pela iniciativa e mostrou concordância com as preocupações de mudança de rumos da missão. Na avaliação do ministro brasileiro, o esforço da ONU deve mesmo concentrar-se em iniciativas que criem condições para o real desenvolvimento socioeconômico dos haitianos.

O ministro da Defesa criticou o que chamou de falta de empenho da comunidade internacional para tornar viáveis projetos estruturantes no país. Ele citou como exemplo o caso da hidrelétrica de Artibonite, projeto desenvolvido pelo Exército que recebeu cerca de US$ 40 milhões do governo brasileiro, e que pode desatar um dos mais complicados nós para o desenvolvimento do país: a falta de energia elétrica.

De acordo com Amorim, apesar do significativo aporte feito pelo Brasil, a hidrelétrica até agora não saiu do papel por falta de apoio de outros países e de organismos internacionais de fomento e redução da pobreza, a exemplo do Banco Interamericano de Desenvolvimento ou do Banco Mundial.

Amorim e Fisher também conversaram, durante a reunião, sobre a situação política no Haiti, cujas eleições presidenciais estão marcadas para 2015. O ministro fez menção à possibilidade de auxílio do Brasil em áreas como justiça eleitoral, segurança e defesa. Ele lembrou a disposição do governo brasileiro de formar engenheiros militares haitianos com especialização em defesa civil. Mas esse apoio, disse Amorim, requer a demonstração de interesse dos haitianos em obter o conhecimento.



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