A Força Aérea Argentina (FAA) obtém a capacidade de caça supersônico com a aquisição de 24 aeronaves F-16 Fighting Falcon, da Real Força Aérea da Dinamarca, após um acordo assinado em 16 de abril pelos ministérios da Defesa de ambos os países em Copenhague.
“Foi um passo lógico e necessário”, disse à Diálogo, em 26 de abril, Juan Belikow, especialista em Defesa e professor de Relações Internacionais da Universidade de Buenos Aires. “As Forças Armadas da Argentina historicamente possuem em sua maioria materiais e tecnologia mais próximos aos dos Estados Unidos e de outras nações europeias.”
A disposição de adquirir F-16, em vez de considerar uma oferta chinesa para obter o JF-17 Thunder, que é muito deficiente, é vista como uma decisão inevitável, dada a superioridade de combate, técnica e manutenção das aeronaves dos EUA, afirmou o portal de notícias argentino Escenario Mundial. “Isso é considerado um revés para a China, que tem procurado vender suas aeronaves para a Argentina por mais de uma década.”
“A compra dos aviões caça supersônicos F-16, com equipamento militar fornecido pelos EUA, foi a opção mais favorável que teve a Argentina, em relação à oferta da China para os JF-17 Thunder”, disse ao jornal argentino La Nación o General de Brigada Xavier Isaac, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Argentina. “Os F-16 foram a melhor oferta financeira, operacional e logística.”

O Ministério da Defesa da Argentina ressaltou à imprensa que, com essas novas aeronaves, a capacidade supersônica é recuperada, obtendo a entrada definitiva da FAA nos desafios tecnológicos do século XXI.
Em 18 de abril, a Embaixada dos EUA na Argentina informou que os Estados Unidos estão proporcionando à Argentina US$ 40 milhões em um Financiamento Militar Estrangeiro, para apoiar a modernização de sua defesa.
O financiamento é um subsídio de assistência à segurança reservado aos principais parceiros. Ele permite que a Argentina compre artigos de defesa, treinamento e serviços dos EUA por meio de fundos de assistência gratuita, para melhorar sua interoperabilidade. Esse subsídio apoiará o esforço de modernização militar da Argentina, contribuindo para a compra de jatos F-16, explicou a Embaixada.
“Com essa colaboração dos EUA, o atual governo argentino está retornando a uma abordagem mais tradicional”, afirmou Belikow. “Era essencial dar um salto para que as Forças Armadas da Argentina adquirissem tecnologia militar moderna.”
Os Estados Unidos têm um relacionamento “longo e confiável” com a Argentina em termos de compras militares, treinamento e educação profissional, afirmou a Embaixada dos EUA, chefiada por Marc Stanley. No final de março, o ministro da Defesa da Argentina, Luis Petri, assinou um memorando com o embaixador Stanley, para avançar em um acordo de cooperação entre os dois países na área de segurança cibernética, de acordo com o portal de notícias Infobae.
Essa medida permitirá que as Forças Armadas “compreendam melhor o ambiente de ameaças digitais” que devem enfrentar, disse Infobae. Como parte desse acordo de apoio mútuo, os militares argentinos que trabalham nessa área específica poderão viajar para os Estados Unidos nos próximos meses, para treinar com seus homólogos locais.
“A defesa cibernética também é algo que deve ser levado em conta nos acordos de cooperação”, disse Belikow. “É uma área crítica. É necessário dar um salto com novos conhecimentos, porque envolve desde a guerra eletrônica até o uso de drones, como visto na guerra entre Ucrânia e Rússia, ou o conflito entre Israel e Irã.”

Como parte dessa amizade entre a Argentina e os Estados Unidos, a General de Exército Laura J. Richardson, do Exército dos EUA, comandante do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), visitou o país de 2 a 6 de abril, onde se reuniu com o presidente Javier Milei e participou da doação de uma aeronave Hércules C-130 para fortalecer as capacidades da FAA em sua ajuda humanitária e de defesa, informou o jornal Los Andes 140. A Gen Ex Richardson fez uma escala para percorrer as instalações da Área Naval Austral em Ushuaia, na Terra do Fogo.
Em uma entrevista à revista argentina DEF, a Gen Ex Richardson “expressou confiança na possibilidade de avançar com a transferência de novos equipamentos militares para as Forças Armadas da Argentina, além da compra dos bombardeiros combatentes F-16 da Dinamarca. Em particular, ela se mostrou entusiasmada com a possibilidade de adquirir 250 veículos blindados Stryker 8×8 e a instalação de uma montadora no país para a manutenção dessas unidades”.
“Esta viagem foi fantástica”, disse a Gen Ex Richardson. “Estou muito emocionada, porque sinto que podemos fazer muito mais parcerias e efetuar um trabalho melhor em equipe do que estávamos fazendo.”
Diante da comandante do SOUTHCOM, o presidente Milei anunciou, em 5 de abril, em Ushuaia, a iniciativa de construir uma base naval integrada com os Estados Unidos para servir como um “grande centro logístico que constituirá o porto de desenvolvimento mais próximo à Antártica e que se tornará para nossos países a porta de entrada ao continente branco”, informou o jornal El Cronista.
“Com o apoio dos EUA, a Argentina poderá combater os avanços chineses e russos na América Latina”, concluiu Belikow. “Isso dará continuidade à linha de apoio dos EUA à Argentina e permitirá que o país participe novamente de exercícios multinacionais tão importantes como o UNITAS.”


