A Argentina e os Estados Unidos fortaleceram suas relações nos últimos meses em várias frentes, incluindo a cooperação militar, a diplomacia e os laços científicos e comerciais. Especialistas observam que a relação bilateral se aprofundou como poucas vezes na história.
“Os laços de segurança e defesa entre a Argentina e os Estados Unidos foram claramente fortalecidos”, disse à Diálogo Juan Belikow, especialista em defesa e professor da Universidade de Buenos Aires.
No campo da segurança, Belikow menciona a cooperação na luta contra o crime organizado e o terrorismo, a coordenação na defesa cibernética e o intercâmbio de informações financeiras. Em matéria de defesa, o especialista destaca a compra de equipamentos militares, os exercícios e manobras militares combinados,
Um exemplo é a compra de caças F-16 da Dinamarca com o apoio dos EUA. A aquisição foi seguida por um pacote de sustentação de mais US$ 560 milhões com os EUA.
Em dezembro de 2024, o ministro da Defesa da Argentina, Luis Petri, e o então embaixador dos EUA na Argentina, Marc Stanley, assinaram a primeira Carta de Oferta e Aceitação para o programa de manutenção dos F-16. A assinatura representa um “acordo histórico” e “um marco no sistema de armas”, disse o governo argentino em um comunicado.
“Esse acordo com os Estados Unidos permitirá que a Força Aérea Argentina conte não apenas com os caças F-16 adquiridos da Dinamarca, mas também incorpore tecnologia avançada em comunicações, transmissão de dados e guerra eletrônica, bem como acesso a equipamentos e armamentos de última geração”, disse o comunicado. O acordo também garante apoio logístico integrado e treinamento para pilotos e pessoal técnico, ressaltou o governo argentino.
Crime transnacional
Em novembro de 2024, a Argentina e os Estados Unidos assinaram um acordo de cooperação para fortalecer a luta contra o crime transnacional. As forças de segurança de ambos os países poderão agora compartilhar experiências e melhorar a cooperação em segurança.
“Assinamos um acordo histórico com o Departamento de Segurança Nacional dos EUA. A Argentina, na vanguarda, terá acesso a todas as bases de dados dos EUA, seguindo a trilha do dinheiro de terroristas, narcotraficantes, indivíduos corruptos e traficantes de seres humanos”, disse a ministra da Segurança da Argentina, Patricia Bullrich, em X. “Pela primeira vez, a Argentina terá acesso a todos os bancos de dados dos Estados Unidos, seguindo a trilha do dinheiro de terroristas, narcotraficantes, indivíduos corruptos e traficantes de seres humanos. “Pela primeira vez, além disso, um oficial de nossa Gendarmaria participará do Centro de El Dorado, do Departamento de Segurança Interna em Nova York”, acrescentou Bullrich.
A Argentina e os Estados Unidos também consolidaram seus esforços conjuntos na luta contra o tráfico ilícito de drogas e seus precursores químicos. Em outubro de 2024, altos funcionários de ambos os países se reuniram no Palácio San Martin, sede do Ministério das Relações Exteriores da Argentina, para abordar conjuntamente os desafios do tráfico de drogas sintéticas e o desvio de precursores químicos.
“As autoridades concordaram com o enorme desafio e a grave ameaça representada pelo tráfico ilícito de drogas sintéticas, bem como com os esforços conjuntos que são necessários para combater a distribuição ilícita desse tipo de drogas”, disse em um comunicado o Gabinete das Nações Unidas para Drogas e Crimes (UNODC), que apoiou o evento.
A reunião foi realizada no âmbito da Coalizão Global para Enfrentar as Ameaças de Drogas Sintéticas, um esforço que a Argentina apoia, juntamente com outros 160 países e 15 organizações internacionais. “A importância dessa iniciativa está em destacar que a única maneira de combater esse flagelo é unindo esforços em nível multilateral, regional e bilateral”, afirmou o UNODC.
Mais cooperação em 2025
Até 2025, Belikow prevê que as relações bilaterais de defesa continuarão sendo sólidas. “Haverá mais exercícios militares. Também é de se esperar que a presença da Argentina na JIATF-S [Força-Tarefa Conjunta Interagências Sul contra o tráfico ilícito] aumente e que haja mais exercícios conjuntos com o Paraguai e outros países estreitamente relacionados com os Estados Unidos”, disse Belikow.
O especialista também estima que haverá mais interação bilateral em questões relacionadas à Antártica, à fronteira com a Bolívia (narcotráfico) e à Tríplice Fronteira (crime organizado). “Da mesma forma, é de se esperar que a Argentina volte a ter uma presença maior com os estudantes das Faculdades de Guerra dos EUA”, concluiu Belikow.