Uma brigada de operações humanitárias para atuar em calamidades públicas

A Humanitarian Operations Brigade to Act During Public Emergencies

Por Marcos Ommati/Diálogo
outubro 16, 2017

Very interesting! It is important to the brazilian army this event. We are really looking forward to what is coming afete SILOGEM. It is the first time that we will do an operation like Amazonlog. We will learn a lot with it. As a military, I think this event is absolutely important to develop our military force. We can know different ways to support operations in the Amazon, which is very hard for the logistics. I expect that it is going to be a sucess! O General-de-Exército Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, o comandante logístico do Exército Brasileiro (EB), foi direto ao ponto em seu discurso de abertura do Simpósio de Logística Humanitária (SILOGEM): “Todos sabemos da precariedade em infraestrutura na Amazônia e da quase ausência do Estado nessa região. Atividades como esta buscam soluções para vencer esses desafios e evitar que sejam feitos atendimentos improvisados às populações afetadas por calamidades”. O oficial se referia ao AMAZONLOG, exercício interagências de logística humanitária, que será realizado pela primeira vez na América do Sul, entre os dias 6 e 13 de novembro, na região amazônica, mais especificamente na área da tríplice fronteira entre Brasil (Tabatinga), Colômbia (Leticia), e Peru (Santa Rosa), e para o qual o SILOGEM serviu como espécie de pontapé inicial. Além das Forças Armadas destes três países e do apoio logístico dos Estados Unidos, o exercício, conduzido pelo Comando Logístico do EB, atualmente comandado pelo Gen Ex Theophilo, contará com observadores de 17 nações parceiras com experiência em operações humanitárias, tais como a Alemanha, o Canadá e o Reino Unido. Participação dos EUA “Os Estados Unidos, com a grande experiência que têm nas grandes calamidades e na consequente ajuda humanitária, foram o ‘pai’ do exercício em termos de conhecimento” esclareceu o Gen Ex Theophilo. “Os americanos estão vindo com a experiência que eles têm com os grandes furacões que ocorrem rotineiramente nos EUA, na proteção, na mitigação dos danos, mas não com tropas, ao contrário da Colômbia e do Peru, já que ambos são os dois países que fazem fronteira naquela área com o Brasil” acrecentou. “O que desejamos é criar um pequeno embrião, para que isso se propague e seja realmente o fruto de uma grande brigada de operações humanitárias para atuar nas calamidades públicas e, para tanto, a colaboração de todos os países interessados é extremamente importante”. A ideia, aclarou o general, é que o AMAZONLOG se repita a cada ano, preferencialmente, em países diferentes a cada edição do exercício. SILOGEM O SILOGEM, realizado de 26 a 28 de setembro no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus, capital do estado do Amazonas, contou com a participação de cerca de 2.000 pessoas. O evento foi dividido entre apresentações de palestrantes brasileiros e do exterior, tanto militares como de agências governamentais e da indústria de defesa, e mesas redondas que foram realizadas após três ou quatro apresentações. A primeira palestra do SILOGEM foi proferida pelo General-de-Exército do EB César Augusto Nardi de Souza. O chefe de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa do Brasil falou sobre ações subsidiárias em apoio à população civil, tema de fundamental importância, já que o AMAZONLOG tem como objetivo principal preparar os militares e agências civis para colaborar numa resposta conjunta a uma eventual catástrofe em área isolada. “Estamos explorando a experiência de operações conjuntas de cunho humanitário entre as nossas três forças armadas, para esse perfil de operação, realizada no ambiente de fronteira”, disse ele durante sua apresentação. Por sua vez, Michael J. Eddy, diretor-representante no Brasil da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, por sua sigla em inglês), comentou sobre a importância da prevenção aos efeitos das catástrofes. “Há uma estimativa de que cada dólar investido na mitigação de desastres equivale a um valor entre e cinco e dez vezes maior gasto na assistência às vítimas. Daí a importância de os governos, mesmo com as barreiras burocráticas, estarem preparados para enfrentarem essas situações”. O General-de-Divisão Jorge Céliz Kuong, comandante geral da 5ͣ Divisão do Exército peruano, abriu a série de palestras do segundo dia do SILOGEM falando sobre o apoio a civis afetados pelo narcotráfico e o terrorismo. Falando à Diálogo, o Gen Div Céliz afirmou que o Peru participará do AMAZONLOG com pelo menos 50 militares, entre oficiais e suboficiais, que “irão desenvolver atividades próprias de um exército no que diz respeito a patrulhas na selva e, mais especificamente com relação a este exercício, a ações humanitárias. O mais importante será compartilhar experiências com os demais países participantes”. Situações de instabilidade Os terremotos no Haiti e no Chile, as frequentes situações de enchentes e secas na Amazônia (norte do Peru, estados do Acre e do Amazonas), a migração de haitianos em direção aos países da América do Sul (em especial, Brasil, Colômbia e Peru), a desmobilização de ex-membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e a onda migratória mais recente de venezuelanos para o Brasil, foram outros temas tratados durante o SILOGEM. “Todos são exemplos de situações de instabilidade que podem ter consequências negativas caso não haja planejamento e medidas de controle adequados”, afirmou o Gen Ex Theophilo em entrevista à Diálogo. Paralelamente ao simpósio, foi realizada a Exposição de Material de Emprego Militar, com estandes das forças armadas do Brasil e dos EUA, e de empresas do setor de segurança e defesa. Na mostra, foram expostos materiais de uso dual, com ênfase naqueles empregados em operações de apoio humanitário. “Estas empresas apresentaram soluções e produtos que serão empregados durante o AMAZONLOG 2017”, disse o General-de-Brigada André de Soza Rolim, assessor do planejamento orçamentário do Comando Logístico do EB. “Por isso a importância da realização desta mostra paralela. É também importantíssimo que outras companhias interessadas procurem o Ministério da Defesa do Brasil para se cadastrarem como empresas estratégicas, de maneira que ampliem e fomentem a indústria de defesa no Brasil. O AMAZONLOG vai ressaltar a questão da defesa humanitária, e as empresas com produtos correlatos podem oferecê-los para aquisição pelas forças armadas”, completou. Água purificada Um bom exemplo de um dos produtos na exposição é o sistema de purificação de água projetado pelo Centro de Engenharia, Desenvolvimento e Pesquisa Automotiva de Tanques do Exército dos EUA (TARDEC, por sua sigla em inglês), que será fornecido pelos Estados Unidos no exercício. “Vamos proporcionar purificadores de água compactos, que produzem até 120 galões de água por hora quando utilizam fontes de água doce, que é o caso do AMAZONLOG”, explicou Doug Hedberg, diretor-associado do TARDEC. “No entanto, podemos produzir água limpa de várias fontes, inclusive de águas salinas ou extremamente poluídas. Para outros exercícios, se for o caso, podemos modificar e atualizar o equipamento”. O Gen Ex Theophilo disse que o SILOGEM superou suas expectativas. “Agora é esperar o AMAZONLOG em si. Espero que este exercício vire um modelo para ser utilizado em situação de catástrofes naturais, em que seja necessário fornecer ajuda humanitária à população residente ou deslocada, bem como aos civis e militares que estejam trabalhando na região afetada,” disse. “Para o Brasil, será uma oportunidade de testar a nova logística militar terrestre dentro dos objetivos estratégicos do EB, demonstrando, na esfera regional, a capacidade do Estado brasileiro de realizar atividades humanitárias, agregando conhecimentos, integrando táticas e ações, trocando informações, conhecendo tecnologias, estreitando laços com a sociedade acadêmica e levando serviços àquela região de fronteira tão importante para o Brasil, a Colômbia e o Peru.”
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