Venezuelanos têm a pior internet da região e sofrem censura

Venezuelanos têm a pior internet da região e sofrem censura

Por Adriana Núñez Rabascall / Voz da América
janeiro 09, 2020

A Venezuela é o país com a pior velocidade de internet das Américas, segundo dados de uma empresa norte-americana de diagnóstico tecnológico. Especialistas na questão advertem que as comunidades mais afastadas da capital têm mais dificuldades para acessar a rede.

O jornalista venezuelano especializado em informática Fran Monroy explicou que, de acordo com dados da empresa OOKLA, a média mundial de velocidade de internet é de 22 megabits por segundo.

“Nossa média de velocidade de internet é de 3 megabits por segundo, o que significa que estamos abaixo dos padrões de banda larga, de acordo com a União Internacional de Telecomunicações. Em seguida vem o Haiti (3,5) e depois o Paraguai (4)”, disse Monroy.

Na América Latina, o país com o melhor desempenho é o Uruguai, com 12 megabits por segundo.

O especialista também explicou que nos últimos cinco anos a Venezuela perdeu 32 por cento dos usuários que se conectam através de telefones celulares, devido ao aumento dos preços dos aparelhos.

Ele afirmou que a maior parte das comunicações é feita através da rede 3G e que ainda não existem regulamentações para alcançar a quinta geração, ou 5G.

“O venezuelano, quanto mais longe estiver de Caracas, pior será a conectividade e estabilidade. Há lugares em que todas as conexões são em 2G, ou seja, a possibilidade de conexão móvel de dados é inexistente.”

O regime de Maduro anunciou que em novembro de 2019 daria andamento ao plano “Fibra Ótica no Lar”, destinado a levar internet em alta velocidade a todos os estados, o que até agora não foi implementado.

“Vamos avançar no deslocamento massivo das tecnologias 4G e 5G, que serão instaladas na Venezuela”, afirmou.

Ativistas de direitos digitais advertem que os venezuelanos não apenas lidam com uma internet de baixa qualidade, mas também sofrem censura por parte do Estado nos meios de comunicação e nas redes sociais.

“Não são apenas bloqueadas as páginas informativas de caráter importante, mas também, sempre que a oposição faz um streaming através do YouTube, Instagram ou Twitter, o governo os bloqueia durante horas. Existem escritórios que sistematicamente exercem pressão todos os dias sobre os operadores para que bloqueiem os conteúdos online”, afirmou Luis Carlos Díaz, defensor de direitos digitais.

Um estudo do Instituto Imprensa e Sociedade mostrou que, até setembro de 2019, as páginas da web de 49 veículos de comunicação nacionais e estrangeiros foram bloqueadas, em diversas oportunidades.

Ao todo, o relatório registrou cerca de 975 bloqueios em plataformas digitais durante o período avaliado.

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