Trinidad e Tobago iniciou o novo ano em estado de emergência, após um aumento alarmante da violência e dos assassinatos por retaliação das gangues.
“As gangues em Trinidad e Tobago estão aumentando e competindo entre si pelo controle de negócios ilícitos, território, acessos, rotas e controle de mercadorias ilícitas”, disse à Diálogo Guillermo Holzmann, analista de defesa e acadêmico da Universidade de Valparaíso, no Chile. “Com o aumento do número de gangues, há um aumento da corrupção. Com o aumento da corrupção, aumenta a fragilidade institucional. Tudo isso gera mais espaço para o crescimento do crime organizado.”
Diminuição dos homicídios
“A decisão de declarar estado de emergência foi tomada devido a uma série de incidentes, que resultaram em uma morte diante de uma delegacia de polícia e, 24 horas depois, em um tiroteio que deixou cinco mortos e um ferido”, informou um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Keith Rowley. “Relatórios de inteligência indicaram uma grande possibilidade de mais ataques com armas automáticas.”
A medida, anunciada em 30 de dezembro, permite buscas policiais sem mandado e detenções de 48 horas, e já está produzindo bons resultados, afirmam as autoridades de Trinidad e Tobago.
Desde que a medida entrou em vigor, a Polícia de Trinidad e Tobago (TTP) registrou uma redução de 73 por cento nos crimes violentos, informou à imprensa Junior Benjamin, vice-comissário de Polícia. “Além disso, houve uma diminuição na taxa de homicídios do país, com 18 assassinatos em comparação com 34 no mesmo período de 2023.”
“À medida que intensificamos as operações em todo o país, tanto em colaboração com a TTP quanto em destacamentos independentes, nosso foco principal é fortalecido para manter a paz, proteger as comunidades e garantir o Estado de Direito”, publicou o Regimento de Trinidad e Tobago no Facebook. “Estamos respondendo de forma rápida e decisiva a qualquer ameaça.”
Em 13 de janeiro, o Parlamento de Trinidad e Tobago fez um acordo para uma extensão de três meses do estado de emergência, depois que a Polícia informou sobre uma iminente guerra entre gangues. Rowley disse ao Parlamento que a medida de emergência estava salvando vidas e evitando assassinatos em massa com fuzis de alta potência, possivelmente em áreas públicas lotadas.
Em 2024, as autoridades registraram 623 homicídios nas ilhas, um número recorde. Desses, 263 estavam relacionados à violência de gangues, disse à AP o ministro da Segurança Nacional, Fitzgerald Hinds. “Essa situação vai além dos limites da ilha principal de Trinidad e também permeia Tobago, a ilha menor ao norte.”
De acordo com um relatório citado pelo secretário-chefe da Câmara da Assembleia Legislativa de Tobago, Farley Chavez Augustine, seu país está experimentando um aumento preocupante na atividade das gangues. Augustine destacou que o número de gangues na ilha disparou de apenas três em 2009 a 28 em 2022. A taxa de crescimento supera a de Porto de Espanha, em Trinidad, que diminuiu seu número de gangues no mesmo período.
“Quando tínhamos 24 gangues registradas, Porto de Espanha tinha 41”, ressaltou Augustine. “Mas, em 2022, quando tínhamos 28 gangues, foi relatado que Porto de Espanha tinha apenas 21, o que significa que sua trajetória vem diminuindo nos últimos anos.”
Nesse sentido, houve um claro progresso. Vinte e quatro pessoas foram presas em 22 de janeiro, como parte das operações de estado de emergência nas divisões Central, Norte-Central e Porto de Espanha. Em 31 de janeiro, após uma operação de 72 horas, as autoridades prenderam 18 criminosos, informou Loop T&T.
Estados Unidos, amigo incondicional
Enquanto isso, o apoio dos EUA a Trinidad e Tobago e as iniciativas para combater o crime organizado e incrementar a segurança dessa nação estão em andamento.
Entre 6 e 10 de janeiro, foi realizada em Trinidad a conferência de planejamento intermediário do exercício Tradewinds 2025, em Porto de Espanha. O próximo exercício, patrocinado pelo Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), é coliderado pelo Exército Sul dos EUA (ARSOUTH) e pela Força de Defesa de Trinidad e Tobago.
A conferência de planejamento intermediário reuniu cerca de 150 participantes do SOUTHCOM e das nações parceiras, informou o ARSOUTH.
Em dezembro, a então embaixadora dos EUA, Candace Bond, e o Almirante de Esquadra Alvin Holsey, da Marinha dos EUA, comandante do SOUTHCOM, reuniram-se com o primeiro-ministro Rowley e outros ministros do seu governo, para analisar segurança, energia, segurança cibernética e cooperação em direitos humanos. Durante a reunião, os líderes assinaram o Acordo sobre o Estatuto das Forças (SOFA), para facilitar a interoperabilidade entre as forças armadas dos dois países e iniciativas como a Equipe de Campo de Assistência Técnica da Iniciativa de Segurança da Bacia do Caribe (CBSI-TAFT) e o Acordo de Aquisição e Serviços Cruzados (ACSA).
No mesmo mês, Trinidad e Tobago foi coanfitrião da Conferência de Segurança das Nações do Caribe (CANSEC) em Porto de Espanha, reunindo 21 nações para discutir a possibilidade de uma abordagem regional para responder a desastres naturais, crises e ameaças comuns. O fórum anual de segurança regional patrocinado pelo SOUTHCOM tem como objetivo promover laços de cooperação, fortalecer parcerias e compartilhar lições aprendidas.
Em agosto, Trinidad e Tobago tornou-se o segundo país caribenho a implementar o conjunto de soluções de avanço em segurança de fronteira da INTERPOL Washington. No âmbito do Projeto denominado Terminus, foram instaladas duas soluções de software personalizadas: a plataforma de Documentos de Viagem Roubados e Perdidos (SLTD) e a plataforma de Veículos Roubados (SMV), fortalecendo a capacidade de Trinidad e Tobago de compartilhar e gerenciar documentos vitais e informações sobre veículos com os 195 países membros da INTERPOL, na luta contra o crime e o terrorismo.
A iniciativa é apoiada pela CARICOM IMPACS e financiada pelo Escritório de Combate ao Terrorismo do Departamento de Estado dos EUA.
“Esse tremendo marco ressalta a importância vital das parcerias internacionais no aprimoramento da segurança das fronteiras”, afirmou por internet Keith Hood, líder do Projeto Terminus. “Ao trabalhar em conjunto com Trinidad e Tobago, estamos fortalecendo não apenas suas fronteiras, mas também a segurança de toda a região do Caribe e além”, concluiu.


