Forças Armadas do Peru atacam o ‘narcotráfico formiga’

Forças Armadas do Peru atacam o ‘narcotráfico formiga’

Por Geraldine Cook/Diálogo
novembro 02, 2020

Entrevista com o General de Exército César Augusto Astudillo Salcedo, chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas do Peru.

Diálogo: Como a pandemia do coronavírus afetou as atividades do tráfico ilícito? Existem novas rotas ilícitas em seu país?

General de Exército César Augusto Astudillo Salcedo, chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas do Peru: As atividades do narcotráfico foram atingidas no início da pandemia [entre os meses de março e abril], o que fez com que o preço da folha de coca baixasse consideravelmente; isso ocorreu no âmbito mundial e a região do Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro (VRAEM) não foi uma exceção. As pessoas que trabalhavam nas chácaras de coca voltaram aos seus povoados de origem e os que traficam deixaram de fazê-lo. No entanto, isso mudou com o tempo e os narcotraficantes retornaram às atividades e dobraram os esforços de produção, plantando mais hectares de folhas de coca e incrementando a produção de cocaína.

Existem muitas rotas ilícitas no VRAEM; não se trata apenas da estrada, pois os narcotraficantes utilizam rotas aéreas, marítimas e terrestres, especialmente durante a noite, para se movimentarem. Na região é utilizada a ‘modalidade formiga’, que lança mão de pessoas que transportam individualmente 10, 15 ou 20 quilos de cocaína e se reúnem em um ponto determinado para recolher o produto transportado, que pode alcançar de 300 a 400 kg de cocaína.

Diálogo: Que novidades apresentam as Forças Armadas do Peru para agir contra as ações terroristas no VRAEM?

O General de Exército César Augusto Astudillo Salcedo, chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas do Peru, visitou o Vale dos Rios Apurímac, Ene e Mantaro (VRAEM), para supervisar as operações integradas que realizam as Forças Armadas e a Polícia Nacional na luta contra o terrorismo e o narcotráfico, em 27 de junho. (Foto: Forças Armadas do Peru)

Gen Ex Astudillo: Nossa principal ameaça é o narcotráfico. As ações do grupo terrorista Sendero Luminoso estão vinculadas ao narcotráfico; seus principais líderes e os irmãos Quispe Palomino conhecem o terreno. Temos uma estratégia que está dando excelentes resultados na luta contra o narcotráfico, o terrorismo e outras ameaças, o que se confirma nas capturas e nos confiscos. Antigamente, a apreensão de 50 kg de cocaína era uma grande conquista, mas hoje em dia isso ocorre com mais frequência.

Diálogo: A que se atribui o sucesso desses resultados?

Gen Ex Astudillo: Trabalhamos com a Polícia Nacional, que tem estratégias de inteligência muito acertadas. Atuamos juntos em relação a todas as ameaças na região do VRAEM, como o narcotráfico, o terrorismo, a mineração ilegal e o desmatamento ilegal. Crime é crime e, em função do que encontramos, vamos com tudo.

Diálogo: Quais são as operações que as Forças Armadas do Peru realizam nas áreas de fronteira para deter as organizações criminosas transnacionais?

Gen Ex Astudillo: Nossas fronteiras são muito dinâmicas no que se refere às atividades ilegais, especialmente a mineração ilegal, o contrabando e o narcotráfico. Mantemos uma presença considerável de membros das Forças Armadas e da Polícia Nacional nas fronteiras e contamos com a ajuda da Procuradoria. Por exemplo, nossa principal fronteira com a Colômbia, que é o Rio Putumayo, é vigiada constantemente pela nossa Marinha de Guerra; é um trabalho muito difícil controlar essa extensão fluvial de quase 2.000 quilômetros, para o qual realizamos as operações Armagedon, que já existem há dois anos na região e vêm dando muito bons resultados.

Diálogo: Como o Peru coopera com os Estados Unidos na luta contra as ameaças à segurança regional?

Gen Ex Astudillo: Temos uma aliança muito forte, especialmente com o Comando Sul. Há uma fluidez de apoio considerável com os Estados Unidos através da embaixada, particularmente no que diz respeito a inteligência, estratégias e táticas.

Diálogo: Como as Forças Militares do Peru trabalham para apoiar a população na crise da pandemia da COVID-19?

Gen Ex Astudillo: Desde que foi feito o anúncio do presidente da República para enfrentar a pandemia, as Forças Armadas junto com a Polícia Nacional entraram em uma fase de cuidado e proteção à população com diferentes medidas. As fronteiras, os portos e aeroportos foram fechados, e para isso utilizamos uma logística imensa. Entre convencer a população ou precisar lamentar seu falecimento, é mil vezes preferível convencer. Cuidamos não apenas da saúde da população, mas também de suas vidas, e o fazemos com nossas próprias vidas. Ainda temos toques de recolher a partir das 23 horas e continuam algumas restrições. As Forças Armadas e a Polícia Nacional não baixam a guarda para nada diante da pandemia. ‘Firmes e dignos’, como diz o nosso lema, à frente e com o compromisso do dever cumprido.

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