Membros das Forças Armadas da Argentina e dos Estados Unidos reforçaram a interoperabilidade e as táticas conjuntas na Operação Tridente, realizada durante três semanas no Atlântico Sul. Entre 25 de outubro e 14 de novembro de 2025, o Agrupamento de Mergulhadores Táticos da Argentina (APBT) e os Navy SEALs dos EUA compartilharam experiências e treinaram manobras operacionais, com o objetivo de reforçar a proteção dos espaços marítimos, informou a Marinha da Argentina em um comunicado.
“O Exercício Tridente compartilha a experiência acumulada pelas Forças Navais Especiais dos EUA em operações combinadas, tanto em contextos de combate, como de assistência humanitária, constituindo um recurso inestimável para potencializar nossas capacidades nacionais”, destacou o governo argentino no decreto 607/2025, que autorizou a entrada das forças dos EUA no país sul-americano.
Especialistas em segurança enfatizaram a importância estratégica da atividade conjunta. “Esse exercício não só traz muitos benefícios para a Argentina, mas também para os parceiros/aliados participantes”, disse à Diálogo Juan Belikow, professor de Relações Internacionais da Universidade de Buenos Aires. “O Atlântico Sul é um cenário natural muito desafiador e particular, um ambiente no qual a Argentina tem grande experiência”, completou.

Comandos especiais
O treinamento combinado foi realizado em vários lugares da Base Naval Mar del Plata, incluindo seu polígono de tiro, as instalações do APBT, da Escola de Submarinos e em navios da Divisão de Patrulha Marítima. Lá, os militares argentinos puderam treinar com os emblemáticos Navy SEALs, que integram o Comando de Guerra Especial Naval (NSW) da Marinha dos EUA.
As atividades conjuntas “permitem incrementar a cooperação para uma interoperabilidade eficaz entre as forças, bem como aumentar a capacidade de defesa em espaços de jurisdição nacional e de interesse estratégico para o país”, afirmou o governo argentino. Essa parceria faz parte de um esforço de cooperação mais amplo; o site de notícias Defensa informou que 60 fuzileiros navais argentinos participaram dos recentes exercícios UNITAS LXVI realizados nos EUA.
Aprendizado mútuo
Os membros das forças especiais praticaram manobras de abordagem, deslocamento dentro dos navios e procedimentos de recuperação, entre outras técnicas. “A fase final do exercício foi realizada a bordo de uma unidade naval que desempenhava o papel de navio mercante, onde foram integrados todos os conceitos incorporados e desenvolvidos na fase de planejamento”, ressaltou a Marinha Argentina.
Segundo Belikow, exercícios militares combinados como o Tridente “são fundamentais” por várias razões. Entre elas, analisar e aperfeiçoar a interoperabilidade das forças participantes; gerar um aprendizado mútuo; e avaliar os limites das capacidades próprias e das oportunidades de tarefas conjuntas e combinadas.
“A Operação Tridente também contribui com o conhecimento e a submissão a testes de estresse das novas doutrinas, tecnologias, estratégias e táticas em exercícios operacionais; a validação dos programas de treinamento e alistamento das forças envolvidas; e a otimização da diplomacia militar”, acrescentou Belikow.
Essa crescente parceria é resultado de duas visitas realizadas em 2025 pelo Almirante de Esquadra Alvin Holsey, da Marinha dos EUA, então chefe do Comando Sul (SOUTHCOM). Em abril, o Alte Esq Holsey visitou a Base Naval de Ushuaia e, em agosto, participou da Conferência Sul-Americana de Defesa (SOUTHDEC 25), em Buenos Aires, onde expôs sua preocupação com o avanço de organizações criminosas transnacionais na região.
Exercício Solidariedade
Militares argentinos também participaram do exercício conjunto combinado Solidariedade 2025 com tropas chilenas, de 4 a 10 de outubro, nas cidades de Puerto Montt e Puerto Varas, no Chile. Membros das forças armadas de ambos os países trabalharam em conjunto para “fortalecer e aprimorar sua capacidade de resposta na assistência humanitária em situações de emergência”, disse o Ministério da Defesa da Argentina em um comunicado. “Mais de 600 pessoas, entre militares, policiais, bombeiros e civis, participaram desse treinamento”, acrescentou o Ministério da Defesa.
“A participação da Argentina no Exercício ‘Solidariedade’ ressalta seu compromisso com a estabilidade regional e a segurança internacional, aprimorando sua reputação como parceiro confiável, com o objetivo de posicionar-se como líder nos esforços de segurança regional, influenciando decisões políticas e estratégicas no continente americano”, afirmou o governo argentino.


