O Tenente Brigadeiro do Ar Rodolfo Daniel Pereyra Martínez dirige o Estado-Maior de Defesa do Uruguai (ESMADE), desde abril de 2022. Entre seus objetivos está o de fortalecer as capacidades das forças armadas com a aquisição de materiais para poder resolver os desafios compartilhados e enfrentar as ameaças. A revista Diálogo teve a oportunidade de conversar com o Ten Brig Ar Pereyra sobre o progresso feito na modernização das forças e no controle das fronteiras terrestres e marítimas, entre outros temas.
Diálogo: O senhor é o chefe do Estado-Maior de Defesa há mais de dois anos. Em retrospecto, quais foram seus maiores desafios e sucessos?
Tenente Brigadeiro do Ar Rodolfo Daniel Pereyra Martínez, chefe do Estado-Maior de Defesa do Uruguai: Meu maior desafio tem sido incutir nas Forças Armadas a necessidade de evoluir para uma doutrina de emprego conjunto, e que o material necessário para enfrentar com sucesso as ameaças presentes e futuras surja de planejamentos conjuntos, racionais e priorizados, baseados em capacidades.
O que foi alcançado até agora? A criação de massa crítica a partir dos módulos acadêmicos conjuntos para oficiais superiores e chefes, organizados pelo Estado-Maior de Defesa, cuja receptividade e interesse são extraordinários.
Diálogo: A Força Aérea Uruguaia incorporou à sua frota seis aeronaves Super Tucano, da empresa brasileira Embraer, para patrulhar e proteger as fronteiras do país. Que outros avanços as Forças Armadas do Uruguai fizeram para proteger as fronteiras do país?
Ten Brig Ar Pereyra: Em sincronia com a pergunta anterior, o Estado-Maior de Defesa trabalhou nos últimos dois anos na aquisição de materiais para fortalecer as capacidades das três forças para o exercício de vigilância e patrulhamento das fronteiras. Melhoramos as capacidades de mobilidade, incrementamos o número de veículos utilitários, aprimoramos as capacidades de inteligência, vigilância e reconhecimento com a compra de UAVs [veículos aéreos não tripulados] e concluímos os processos de aquisição dos materiais necessários para fortalecer a intercomunicação entre as forças, como base da interoperabilidade. Ao mesmo tempo, exercemos o comando e o controle das operações conjuntas, por meio da consciência situacional em tempo real do teatro de operações.
Diálogo: O que mais o senhor pode nos dizer sobre o progresso da modernização das Forças Armadas do Uruguai?
Ten Brig Ar Pereyra: Hoje, além das aeronaves Super Tucano mencionadas acima, devemos considerar em breve a chegada ao Uruguai de um barco de patrulha doado pela República da Coreia e um navio de investigação científica, ambos destinados à Marinha Nacional, para a qual também, assim que o contrato for fechado e os tempos de fabricação sejam concluídos, serão designadas duas embarcações OPV [navios patrulheiros de altura].
Diálogo: Em julho, o Exército do Uruguai recebeu dos Estados Unidos 13 veículos blindados Mamba Mk7, para uso em missões de paz em zonas de conflito. Como esses veículos apoiarão o trabalho das Forças Armadas nas missões de paz da Organização das Nações Unidas?
Ten Brig Ar Pereyra: Os veículos Mamba MK7 doados pelos Estados Unidos fazem parte da Companhia de Rápido Destacamento que o Exército Nacional formou para atuar, a pedido das Nações Unidas, em situações de crise humanitária originadas em qualquer parte do mundo. O excelente desempenho que caracteriza o Mamba MK7, juntamente com sua blindagem contra minas, o posicionam como o veículo mais confiável e seguro para cumprir essas missões.
Diálogo: Os envios de drogas à Europa, especialmente cocaína, através do Uruguai, aumentaram. Como a luta contra o narcotráfico tem progredido para as Forças Armadas do Uruguai?
Ten Brig Ar Pereyra: No Uruguai, essa responsabilidade cabe às Forças de Segurança, em particular à Marinha Nacional, atuando através da Prefeitura Nacional Naval, já que esta é responsável por realizar as tarefas de Polícia Marítima, prevenindo, reprimindo e investigando, em sua capacidade de auxiliar da justiça, os delitos, as faltas e contravenções que sejam cometidos ou afetem sua jurisdição. Para concluir, essa não é uma tarefa especificamente atribuída às Forças Armadas.
Diálogo: Quais foram os avanços na luta contra a pesca ilegal da frota pesqueira chinesa, que devasta os oceanos da América Latina? Que coordenação estão realizando as Forças Armadas do Uruguai com suas nações parceiras, para combater esse problema?
Ten Brig Ar Pereyra: A resposta coincide com a anterior: esta é uma tarefa da Polícia Marítima, ao qual eu acrescento que a frota pesqueira chinesa não é a única que viola nossa Zona Econômica Exclusiva.
Diálogo: Em junho, especialistas do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) e da Guarda Nacional de Connecticut viajaram ao Uruguai para fazer apresentações sobre segurança cibernética. Como as Forças Armadas do Uruguai estão colaborando com o SOUTHCOM para coordenar esforços e fortalecer a segurança e a defesa cibernéticas?
Ten Brig Ar Pereyra: Anualmente, técnicos de defesa cibernética do Comando Sul dos Estados Unidos e da Guarda Nacional de Connecticut se reúnem no Uruguai com técnicos das Forças Armadas do Uruguai, para intercambiar conhecimentos sobre o assunto e propor desafios, projetos e experiências relacionados ao gerenciamento de incidentes. Este ano, tivemos a particularidade de integrar técnicos civis das Infraestruturas Críticas do Estado às atividades, cujo objetivo foi conscientizar que a segurança cibernética é um assunto de todos e que todos devemos proteger-nos e ajudar-nos uns aos outros.
Diálogo: Até à data, este ano, qtem outros tipos de intercâmbios as Forças Armadas do Uruguai realizaram com a Guarda Nacional de Connecticut, sua homóloga sob o programa de Parceria Estatal? O que está por vir?
Ten Brig Ar Pereyra: Em abril, fomos convidados pela Guarda Nacional de Connecticut para participar ativamente de um dos maiores exercícios de defesa cibernética dos Estados Unidos: o Cyber Yankee 2024. Foi a primeira vez que forças armadas estrangeiras foram integradas ao mesmo. O Uruguai foi uma das quatro forças; a experiência foi maravilhosa. Por outro lado, continuaremos a participar dos cursos de liderança e do programa de tratamento de feridos, entre outros.
Diálogo: Em fevereiro, o senhor se reuniu com a General de Exército Laura J. Richardson, do Exército dos EUA, então comandante do SOUTHCOM, para discutir a cooperação contínua e explorar maneiras de fortalecer a parceria de defesa de longa data entre o Uruguai e os Estados Unidos. Quais foram alguns dos resultados dessa reunião? Que tipo de treinamentos, intercâmbios e exercícios o senhor prevê com o SOUTHCOM?
Ten Brig Ar Pereyra: A Defesa Cibernética é um tema de interesse comum para ambas as partes. Aí encontramos uma oportunidade de fortalecer nossos laços de amizade e cooperação. No mesmo sentido, vemos isso na contribuição das Operações de Paz, promovendo a participação de nossas Forças nas mesmas. Um sinal desse apoio foi a doação dos Mamba MK7. Com relação aos exercícios, continuamos a realizar o treinamento conjunto/combinado de Operações Especiais, um exercício que, aos olhos da população civil, gera certo ceticismo, mas que as autoridades entenderam as virtudes dessas capacidades, quando são usadas para apoiar os cidadãos em situações de emergência ou desastres.


