Duque ao Grupo de Lima: “A pressão diplomática tirou a ditadura da zona de conforto”

Duque ao Grupo de Lima: “A pressão diplomática tirou a ditadura da zona de conforto”

Por Karen Sánchez/Voz da América (VOA) /Editado pela equipe da Diálogo
setembro 23, 2020

O presidente da Colômbia, Iván Duque, disse, no dia 14 de agosto, que “a pressão diplomática tirou a ditadura da sua zona de conforto”, referindo-se à ditadura ilegítima de Nicolás Maduro, durante a XIX reunião de Ministros de Relações Exteriores do Grupo de Lima.

O governante, que falou desde Bogotá, afirmou que essa pressão deve continuar.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse em um comunicado que os Estados Unidos se unem às democracias de todo o mundo para reiterar seu apoio “às forças democráticas da Venezuela” que defendem os direitos do povo venezuelano.

A esse respeito, o Grupo de Lima reforçou a “Declaração Conjunta de Apoio à Transição Democrática na Venezuela”, onde, de acordo com o comunicado final da reunião, “31 países, incluindo a maioria dos membros do Grupo de Lima, fazem um apelo aos venezuelanos, suas instituições e partidos políticos, para que ponham os interesses da Venezuela acima da política e se comprometam urgentemente a apoiar um processo formado e conduzido por eles mesmos, com o objetivo de estabelecer um governo de transição inclusivo”.

O grupo de ministros também reiterou seu apoio ao presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, e repudiaram “o regime ilegítimo de Nicolás Maduro, que atenta contra o exercício dos direitos civis e políticos”.

Além disso, condenaram as violações aos direitos humanos praticadas pelo “regime ilegítimo de Nicolás Maduro, documentadas na mais recente atualização do relatório apresentado pela Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos em julho passado”. Os ministros pediram ao Conselho de Direitos Humanos da ONU para renovar a Missão Internacional Independente de determinação dos fatos relativos à Venezuela.

Terrorismo e narcotráfico

Durante a apresentação, Duque também mencionou o processo de extradição de Alex Saab, acusado de ser o testa-de-ferro de Maduro: “Vemos agora como a justiça internacional entendeu que o pedido de extradição feito pelos EUA para o criminoso Alex Saab constitui também a derrubada de um castelo de cartas onde se abrigava toda a trama de lavagem de dinheiro a serviço da ditadura”, acrescentou o presidente colombiano, reiterando que seu país continuará cooperando para que seja feita uma “extradição efetiva” e que “se conheça toda a verdade das transações obscuras da ditadura”.

Ele reiterou que “perante os olhos do mundo é evidente que a ditadura de Nicolás Maduro é conivente com o narcotráfico e o terrorismo”.

Quanto a isso, disse que as ordens internacionais de prisão contra ele e seu círculo próximo e as denúncias perante diferentes organismos “o demonstram”.

Repúdio às eleições

Em sua declaração final, o Grupo de Lima repudiou o anúncio do governo ilegítimo para convocar eleições parlamentares no próximo dia 6 de dezembro, pois, de acordo com a declaração final dos chanceleres, elas não cumprem “as garantias mínimas” nem “a participação de todas as forças políticas”.

O presidente colombiano tinha declarado, anteriormente, que “a ditadura pretende […] dar um golpe na Assembleia Nacional” com essa convocação.

“Não podemos apoiar, validar, aplaudir ou reconhecer esse processo. Já sabemos que se trata de um processo fraudulento que tenta continuar silenciando as vozes independentes”, explicou Duque. “Se não reconhecemos o governo do ditador, muito menos podemos reconhecer um processo eleitoral a partir do qual o ditador quer transformar a Assembleia em um lacaio de seus interesses.”

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