Crise venezuelana ameaça as democracias da região

Crise venezuelana ameaça as democracias da região

Por Noelani Kirschner/ShareAmerica
novembro 23, 2020

A democracia precisa ser restaurada na Venezuela, porque uma democracia enfraquecida em qualquer lugar é uma ameaça a todas as demais, dizem os especialistas.

“Este é um país onde Maduro não apenas tirou o poder dos maiores partidos da oposição, [mas também] tentou substituir sua liderança com suas marionetes”, disse Michael G. Kozak, subsecretário interino para Assuntos do Hemisfério Ocidental, do Departamento de Estado dos EUA, no dia 1º de setembro. “Ele assumiu ilegalmente a comissão nacional eleitoral de modo a dominar totalmente as eleições. Ainda não há liberdade de imprensa. Não há liberdade de expressão. Não há liberdade de reunião.”

Os países vizinhos continuarão a pagar o preço pela cumplicidade do regime ilegítimo de Maduro com as drogas ilegais e o contrabando de ouro, disse Kozak, no dia 15 de setembro. Essas operações criminosas destroem as comunidades locais venezuelanas e as nações vizinhas, levando ao aumento da criminalidade.

Maduro também propicia um paraíso seguro para que organizações terroristas, tais como o Exército de Libertação Nacional e as dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, possam operar impunemente em toda a Venezuela. Essas atividades terroristas sangram países como a Colômbia, aumentando a instabilidade e o caos.

O êxodo em massa de venezuelanos que fogem das condições de miséria continuará e aumentará. Isso enfraquece as economias de outros países da região e sobrecarrega os recursos dos países que abrigam esses refugiados.

Torna-se ainda mais difícil conter doenças como a COVID-19.

Enquanto o regime ilegítimo de Maduro for detentor do poder, a democracia continuará se deteriorando na Venezuela e ameaçando os países vizinhos.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) convocou uma sessão especial do conselho permanente no dia 29 de setembro para discutir a desintegração da democracia na Venezuela e os resultados da Missão Independente de Investigação das Nações Unidas (ONU) do dia 16 de setembro, que encontrou indícios razoáveis para acreditar que as forças controladas pelo regime tenham praticado violações generalizadas contra os direitos humanos.

Muitos representantes dos estados membros da União Europeia e especialistas da Missão de Investigação da ONU na Venezuela concordam que, como estão, as atuais condições não garantem eleições parlamentares livres e justas em dezembro.

Enquanto as vozes discordantes forem silenciadas e o povo venezuelano sofrer, eles concordaram, não será possível realizar eleições parlamentares ou presidenciais livres e justas.

Eleições livres e justas são necessárias, disseram os participantes da reunião, para restaurar a humanidade e a paz na Venezuela e em toda a região.

“Finalmente, o sofrimento não tem cores políticas, não existem bons ditadores nem maus ditadores”, disse o líder oposicionista venezuelano Julio Borges, na sessão da OEA. “Existem ditadores, e é por isso que a tortura e a perseguição são o mesmo.”

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