Colômbia e Equador comprometidos na luta contra o crime transnacional

Colômbia e Equador comprometidos na luta contra o crime transnacional

Por Juan Delgado/Diálogo
julho 27, 2021

Colômbia e Equador concordaram em fortalecer a cooperação entre as forças armadas dos dois países para obter um maior impacto, principalmente na fronteira, na luta contra o crime transnacional. Foi o que declararam no início de junho os ministros da Defesa da Colômbia, Diego Molano Aponte, e do Equador, Almirante de Esquadra Fernando Donoso Morán, durante um encontro binacional em Ipiales, no estado colombiano de Nariño.

A reunião, realizada no âmbito do Plano Operacional Anual Binacional 2021 entre ambos os países, teve como objetivo fortalecer a cooperação em defesa e segurança diante das ameaças regionais, como o crime organizado, narcotráfico, contrabando, tráfico de pessoas, atividades extrativas ilegais e outros crimes correlatos, informou o Ministério da Defesa Nacional do Equador em um comunicado.

Entre os temas abordados na reunião, os ministros destacaram a importância de avançar no controle das passagens fronteiriças ilegais com maior cooperação entre as autoridades dos dois países, informou o jornal equatoriano El Universo. Quanto às passagens ilegais na fronteira, o Alte Esq Donoso disse que será feito o maior esforço para que deixem de funcionar. Por sua vez, Molano declarou que a passagem sobre o Rio Mataje, um dos rios limítrofes e uma das rotas principais para o transporte de drogas, requer a presença conjunta das autoridades de ambos os países e o aumento dos esforços de intercâmbio de inteligência, informou o jornal.

Segundo uma reportagem de dezembro de 2020 da revista colombiana Semana, a fronteira entre o Equador e a Colômbia, que se estende ao longo de 586 quilômetros, se tornou um dos maiores pontos de comércio narcotraficante da região, onde até 20 grupos criminosos, entre dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e cartéis mexicanos, disputam o controle da região.

“[A droga] é cultivada na Colômbia, nos estados de Nariño e Putumayo, onde estão os laboratórios, mas, por outro lado, toda essa droga é transportada para o Equador, para os centros de armazenagem e as plataformas internacionais de distribuição. De 95 a 97 por centro da droga que está destinada aos Estados Unidos passa pelo Pacífico e sai da Colômbia e do Equador”, disse o Coronel (R) Mario Pazmiño, ex-diretor de Inteligência do Exército do Equador, em entrevista à Semana.

A organização internacional InSight Crime, especializada em ameaças à segurança na América Latina, considera o Equador a rodovia da cocaína em direção aos Estados Unidos e à Europa. De acordo com a organização, a droga transita pelo Equador pela rota do Pacífico, abastecida em sua maioria por cocaína produzida em Nariño que entra no Equador por afluentes do rio Mataje, e pela rota amazônica, que se abastece da cocaína produzida em Putumayo e que chega à província equatoriana de Sucumbíos.

“O narcotráfico é a maior ameaça à estabilidade dos dois países, e por isso decidimos desenvolver operações tipo espelhos entre as forças militares de ambos os países, buscando maior impacto operacional, intercâmbio de informação e controles aéreos e marítimos”, disse o ministro colombiano Molano.

A reunião foi encerrada com a assinatura de uma Declaração Conjunta onde “reiteraram a importância de manter um diálogo constante para monitorar e coordenar ações contra a presença de agentes externos, que aumentaram na região e que constituem uma ameaça para o hemisfério”, disse o Ministério da Defesa Nacional da Colômbia em um comunicado.

“Face às ameaças comuns que vemos agora, estamos mais unidos do que nunca e prontos para colaborar na luta contra o crime organizado e contra qualquer ameaça que afete a segurança dos nossos países”, ressaltou o ministro equatoriano Alte Esq Donoso.

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