Cartéis mexicanos estendem tentáculos na América do Sul

Os cartéis mexicanos estão expandindo suas operações na América do Sul, comprando e traficando cocaína através de conexões estabelecidas em vários países para sua distribuição nos Estados Unidos e na Europa.

Na Colômbia, os cartéis mexicanos de Sinaloa, Jalisco Nueva Generación (CJNG), Los Zetas e Beltrán Leyva seriam, segundo informações, os principais compradores e traficantes da cocaína produzida por alguns grupos armados ilegais de tráficantes de drogas.

“Em geral, quase todos os grupos armados ilegais estão envolvidos com o narcotráfico. Alguns desses grupos têm contatos no exterior, ou seja, eles sim traficam. Outros são mais precários e tudo o que fazem é vender a cocaína”, disse à Diálogo o Dr. Gustavo Duncan, especialista em temas de narcotráfico e professor no departamento de Governo e Ciências Políticas da Universidade EAFIT de Medellín, Colômbia. “Vê-se o Clã do Golfo como mais organizado, não tanto os guerrilheiros ou os dissidentes [das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – FARC] do Pacífico (…), [eles] são vistos mais como fornecedores para outros traficantes de drogas.”

Tropas da 27ª Brigada do Exército da Colômbia localizaram um viveiro com 8.000 plantas de coca na província de Putumayo, na fronteira com o Peru e o Equador, em 17 de julho de 2022. (Foto: Exército Nacional da Colômbia/Twitter)

Um dos lugares afetados pelas atividades ilícitas dos grupos criminosos é o Norte de Santander. Organizações de direitos humanos confirmam a penetração dos cartéis mexicanos e sua relação com o incremento dos cultivos de folhas de coca, atualmente estimados em 40.083 hectares plantados, informou o Canal 1 estatal da Colômbia, em 15 de julho de 2022.

“O crescimento descontrolado dos cultivos da folha de coca e a presença dos cartéis mexicanos como grandes compradores de pasta de coca dinamizou o mercado, e eles são os grandes financiadores dos grupos ilegais”, disse a Noticentro 1 da Colômbia Wilfredo Cañizares, diretor da ONG colombiana defensora de direitos humanos, Fundación Progresar.

As autoridades colombianas estão cortando os fluxos financeiros desses grupos e seus principais vínculos com os cartéis mexicanos. Um dos golpes mais recentes ocorreu em 14 de julho, segundo a revista colombiana Semana; as autoridades colombianas apreenderam 175 propriedades e veículos de Néstor Alonso Tarazona, considerado o principal sócio na Colômbia de Joaquín El Chapo Guzmán, chefe encarcerado do Cartel de Sinaloa.

“As propriedades foram aparentemente adquiridas com os lucros da lavagem de bens de [Tarazona]”, informou a Promotoria Geral da Nação. “Esse homem está sendo investigado por dar aparência de legalidade aos rendimentos ilícitos obtidos do tráfico transnacional de cocaína pelos então cartéis de Cali, Sinaloa e Jalisco Nova Geração, do México, e pela estrutura criminosa Los Puntilleros.”

A polícia também desmantelou outra das conexões entre o Exército de Libertação Nacional e o Cartel de Sinaloa, ao capturar Juan Carlos López, conhecido como El Sobrino, responsável pela exportação de 3 toneladas de cocaína por mês por barcos para o Caribe e os Estados Unidos, explicou no Twitter o General Jorge Luis Vargas, diretor da Polícia Nacional da Colômbia.

Duncan salienta que, embora nem todos os grupos criminosos estejam relacionados com o narcotráfico, eles estão gerando violência nas comunidades. “Alguns até têm laboratórios, outros simplesmente controlam as colheitas e se envolvem mais com o pequeno crime organizado: extorsão, praças de vício e outras coisas muito locais”, acrescentou.

Expansão do narcotráfico

O Relatório Mundial sobre Drogas 2022 do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime adverte que o Equador é um dos países exportadores de cocaína para a Europa. O ministro do Interior Patricio Carrillo reconheceu que o Equador “deixou de ser um país de trânsito e se tornou um país exportador de drogas”.

Estima-se que mais da metade da produção de drogas da Colômbia sai do Equador para três grandes cartéis: o Cartel de Sinaloa e o CJNG no México, e a máfia de Albânia na Europa, informou a rede de televisão Ecuavisa.

De fato, em 15 de junho, a Polícia do Equador apreendeu 2 toneladas de cocaína e prendeu nove membros de uma rede criminosa colombiana ligada a cartéis mexicanos, que traficava 5 toneladas de cocaína por mês, noticiou o jornal mexicano Milenio.

No Chile, as autoridades relataram a presença do Cartel de Sinaloa e do CJNG. “O crime que antes era cometido por uma pessoa é agora realizado por organizações sofisticadas que planejam em larga escala o tráfico de narcóticos, de imigrantes, de pessoas, além do contrabando ou crimes de cibersegurança”, disse ao canal nicaraguense TN8 o subsecretário do Interior do Chile, Manuel Monsalve. “Nosso país era primeiramente passagem da droga para a Europa e Ásia, depois [nos tornamos] consumidores de drogas, e agora somos um lugar onde grandes organizações criminosas se estabeleceram.”

A Promotoria chilena alertou sobre a presença de grupos criminosos mexicanos em setembro de 2021. “Três das cinco organizações mais perigosas do mundo se encontram neste continente: o Trem de Aragua, [o Cartel] Jalisco Nova Geração e o Cartel de Sinaloa. Todas essas organizações já têm influência ou presença no Chile”, confirmou Monsalve ao diário chileno Las Últimas Noticias.

A Promotoria do Chile afirma que a América Latina exige a máxima observação, considerando que existe um mercado crescente para esse tipo de substância, além da liderança e especialização que grupos mexicanos adquiriram na produção e síntese de metanfetaminas e outras substâncias.

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