Costa Rica enfrenta os problemas de segurança

Costa Rica enfrenta os problemas de segurança

Por Geraldine Cook/Diálogo
agosto 02, 2021

Michael Soto Rojas, ministro da Segurança Pública da Costa Rica, participou da Conferência de Segurança Centro-Americana 2021 na Cidade do Panamá, nos dias 22 e 23 de junho. Diálogo conversou com o ministro Soto sobre o papel da Costa Rica na luta contra o narcotráfico.

Diálogo: Qual é o maior problema de segurança da Costa Rica?

Michael Soto Rojas, ministro da Segurança Pública da Costa Rica: Sem dúvida alguma, é o narcotráfico. A Costa Rica está situada nas rotas dos países produtores com destino aos países consumidores, principalmente na região do Pacífico, uma área extensa e complexa com muitas zonas de selva que as estruturas criminosas utilizam para se posicionar no território nacional, com o objetivo de armazenar as drogas e posteriormente buscar saídas para outras latitudes do planeta, como os Estados Unidos e a Europa. O problema do narcotráfico está associado a alguns problemas de violência interna; no entanto, devo dizer que, mesmo nessas circunstâncias, os indicadores de insegurança da Costa Rica são os mais baixos da região.

Atualmente, temos uma preocupação com relação à área humanitária, devido à questão dos fluxos migratórios que estão impactando nosso país. Por exemplo, estamos observando fluxos muito fortes de haitianos e de pessoas do sudeste asiático. Quanto a isso, nós prestamos assistência humanitária, ajudamos com alimentação, hospedagem, e damos assistência médica caso apresentem algum problema de saúde. Entretanto, acho que esse tema requer uma abordagem mais integral, já que todo indivíduo tem direito de desfrutar de sua própria pátria.

Diálogo: O que fazem as autoridades da Costa Rica para combater os problemas de criminalidade?

Ministro Soto: Eu trabalho com um plano de setorização baseado na análise criminal, o que nos permite analisar as áreas com índices mais altos de criminalidade, para pôr em prática planos que permitam a contenção do crime. Mas, o que pode realmente resolver o problema de segurança de um país a médio ou longo prazo tem a ver com outros tipos de estratégias, como a gestão da prevenção que permite trabalhar em zonas vulneráveis com jovens e crianças, em um ambiente onde haja emprego, educação, cultura e atividades esportivas. Por exemplo, temos um programa que desenvolvemos com o governo dos EUA denominado “Semeando segurança”, que faz diagnósticos em âmbito nacional das vulnerabilidades nas zonas sensíveis, abordando temas de caráter social e proporcionando melhores oportunidades sociais e culturais para crianças e jovens.

Diálogo: Que tipo de cooperação a Costa Rica mantém com os países vizinhos para combater as atividades das organizações criminosas transnacionais?

Ministro Soto: A Costa Rica vem empreendendo esforços importantes para conter as organizações criminosas transnacionais e se une à região para fazer um trabalho conjunto muito importante, não apenas com os países vizinhos, mas também com a região em geral. Nossa relação estreita e próxima, sem dúvida alguma, é com o Panamá, por ser nosso vizinho imediato e por estarmos, ambos os países, localizados na zona da rota do tráfico de drogas. Também temos uma relação estreita com os Estados Unidos no apoio operacional para a capacitação e nos aspectos relativos ao equipamento logístico e combustíveis, entre outros. Essa relação com o Panamá e os Estados Unidos é denominada Triângulo Sul, devido ao trabalho permanente que realizamos entre os três países.

Diálogo: Quais foram os resultados da relação Triângulo Sul?

Ministro Soto: Do ponto de vista operacional, o resultado tem sido muito positivo, porque estamos realizando um bom trabalho, sobretudo na apreensão de drogas; por exemplo, entre maconha e cocaína, confiscamos 71 toneladas em 2020. Até junho deste ano já tínhamos praticamente 35 toneladas confiscadas, entre maconha e cocaína. No entanto, pode ser negativo de alguma forma, do ponto de vista estratégico interno, devido ao fato de que as organizações criminosas transnacionais utilizam nosso território e nossas águas para se movimentar internamente e poder traficar.

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