Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Nações Parceiras da Região Compartilham um Interesse Comum por Cooperação na Área de Segurança

O General de Divisão Joseph P. DiSalvo, subcomandante militar do Comando Sul dos EUA, conversou com Diálogo sobre sua recente visita à Nicarágua e os interesses comuns que os países da América Central e os Estados Unidos compartilham, e também sobre a crescente colaboração militar-militar entre ambas as nações.
Claudia Sánchez-Bustamante/Diálogo | 30 junho 2016

Capacitação e Desenvolvimento

O General de Divisão do Exército dos EUA Joseph P. DiSalvo, subcomandante militar do Comando Sul dos EUA. (Foto: Geraldine Cook/Diálogo)

O General de Divisão Joseph P. DiSalvo, subcomandante militar do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM, por sua sigla em inglês), encontrou-se recentemente com representantes do governo e autoridades militares da Nicarágua, na capital do país, Manágua, para discutir questões de cooperação na área de segurança e o interesse comum em aumentar a relação entre militares nos dois países.

Para saber mais sobre a perspectiva do SOUTHCOM para melhorar as relações com a Nicarágua e outros países, e seu ponto de vista sobre esse assunto, Diálogo conversou com o Gen Div DiSalvo.

Diálogo: Qual a visão do Comando Sul com relação ao restabelecimento das relações com países como Nicarágua, Equador e Bolívia,que até agora podem ter sido mais reticentes em trabalhar/se engajar com os EUA?

Gen Div DiSalvo: No momento, o Comando Sul dos EUA mostra-se muito aberto ao estabelecimento de relações com qualquer um dos países na Área de Operações. Qualquer que seja nossa posição política, acredito que temos um eixo comum com todos os nossos parceiros quanto à necessidade de cooperação regional na área de segurança. Obviamente, estamos vendo isso. Por exemplo, três semanas atrás estive na Nicarágua, e foi muito interessante. Tivemos a oportunidade de nos reunir com o chefe do Estado-Maior, seus subchefes, o presidente e a primeira-dama, sendo que as primeiras palavras pronunciadas pelo presidente Ortega foram de que ele está ansioso por melhorar as relações entre militares da Nicarágua e dos Estados Unidos. O Equador, tendo sofrido um devastador terremoto, nos deu a oportunidade de oferecer qualquer assistência de que precisassem, e respondemos com uma torre de controle de tráfego aéreo e a criação de capacitação, o que repercutiu muito bem. Em resumo, levaremos essas relações para aonde quer que esses países queiram ir. A última coisa que queremos é apressá-los a fazer algo para o qual não estejam preparados. Normalmente, temos que ser muito comedidos. Na realidade, nós os incentivamos a dar passos curtos e lentos para que saibam para aonde estão indo e quais são as expectativas, e para que, dessa forma, não fiquem sobrecarregados ao tentar fazer muito de uma só vez. Mas existem muitas oportunidades. Com a Bolívia, francamente, ainda há muito pouco contato, mas no contato que já temos a mensagem é a mesma: quando for o momento oportuno, eles estão ansiosos por melhorar e aumentar o relacionamento conosco. Portanto, de maneira geral, acredito que as perspectivas são muito promissoras.

Diálogo: Qual a sua posição a esse respeito como subcomandante militar do SOUTHCOM?

Gen Div DiSalvo: Com relação ao meu papel acredito que, para começar, seja atuar para reatar ou iniciar relações. Eu, na verdade, apenas sigo as sugestões do Almirante Tidd, qual é a sua intenção, até onde ele vê o Comando construindo essas relações... Mas sempre que podemos enviamos nosso pessoal para esses países para conversar e para, de fato, escutar. Escutar significa prestar atenção. O que eles querem? Principalmente se estamos buscando reiniciar algo, para aonde eles gostariam que essa relação fosse? Acredito que isso é o que de melhor eu posso oferecer ao Almirante Tidd. Escutar e reportar ao almirante para aonde eles acreditam que vamos.

Diálogo: Que mensagem o gostaria de enviar a esses países? E por quê?

Gen Div DiSalvo: Novamente, buscamos fazer uma parceria em qualquer instância que eles desejarem, o mais importante é: o que nós podemos fazer com eles? Não o que podemos fazer por eles, mas com eles, com base em quaisquer pontos fortes que eles tenham e naquilo que podemos oferecer. Repito, queremos trabalhar com eles e ser mais ativos, e impactar de maneira positiva a segurança da região.

Diálogo: Qual é o enfoque dos seus esforços militares como subcomandante militar do SOUTHCOM para as regiões da América Central, América do Sul e Caribe?

Gen Div DiSalvo: Do ponto de vista do Comando do Sul, acredito que seria ótimo se tivéssemos mais oportunidade de realizar exercícios com as nossas nações parceiras. O escopo dos exercícios atualmente é muito limitado: o PANAMAX é um ótimo exercício do qual, infelizmente, realizamos uma versão completa apenas a cada dois anos. É uma ótima oportunidade onde reunimos toda a região sob o comando e o controle das nossas nações parceiras, seja no componente terrestre ou naval etc. Trata-se de uma grande oportunidade de praticarmos de que maneira desempenharíamos a nossa missão de proteger o canal do Panamá, por exemplo, com outras 17 nações, combinando esforços sob o comando dos líderes das nossas nações parceiras. Trata-se de uma ótima oportunidade e eu gostaria que tivéssemos mais oportunidades para executar esse tipo de exercício.

Diálogo: Que tipo de resultados espera ver concretizados como consequência dessas tentativas de trabalhar mais próximo a certos países, e quais resultados já pode observar durante o período em que está à frente dessa instituição?

Gen Div DiSalvo: Acredito que a melhor oportunidade que vejo, e acho isso ótimo, é que em vez de realizar conferências regionais para definir muitos dos problemas que temos, agora estamos começando a identificar quais são as soluções. Acredito ser mais importante definir qual direção seguir e tomar medidas positivas em direção aos problemas que já identificamos. No passado, focamos excessivamente no problema e agora, finalmente, estamos começando a agir. E nós já observamos isso acontecer: vimos muitos dos nossos parceiros se apresentando para assumir mais responsabilidade, seja com o compartilhamento de inteligência ou financiando um centro de comando e controle, de modo que todas as informações sejam concentradas em um local e todos saibam onde buscar aquela informação e realmente agir para combater redes ilícitas, por exemplo. Estamos vendo isso acontecer. É um processo lento e temos um longo caminho a percorrer, porque a rede é difícil de ser combatida, mas estamos vendo resultados.

Diálogo: Até o momento, o que observou nas suas visitas a diferentes países?

Gen Div DiSalvo: Que não é de se espantar saber que todos no hemisfério ocidental compartilham as mesmas ameaças reais, especificamente, as redes criminosas. Antigamente, isso não era um problema do meu país, embora fosse um problema para outros; porém, novamente, nos últimos dois ou três anos, percebemos que as redes ilícitas afetam todos negativamente e, quanto mais cedo pudermos trabalhar juntos do ponto de vista regional para abalar a rede deles, tanto melhor será para o nosso pessoal. Portanto, acredito que esta seja a abordagem correta. Atualmente estamos controlando todos os recursos para combater essas redes de maneira eficaz.

Diálogo: De que maneira essa experiência mudou a sua visão sobre o que esperar alcançar no futuro?

Gen Div DiSalvo: Acredito que a chave é manter a continuidade. Trata-se de um esforço de 20 anos para realmente obter o controle sobre a rede e talvez derrotá-la. Quando falo em rede, não me refiro apenas a narcóticos. É o tráfico de seres humanos, todo o resto, mineração ilegal, e o que mais for. O pessoal do crime organizado encontra uma maneira de agir em todas as atividades que geram dinheiro, e eles são muito bons nisso. Mas é importante criar uma base sólida para ganhar impulso. E manter a continuidade será importante porque este será um problema que continuará existindo até bem depois que eu me aposentar, bem depois que o Almirante Tidd se aposentar, bem depois que qualquer um daqui se aposentar, portanto precisamos fazer com que esse impulso persista de forma permanente. Acho que esse é o aspecto mais importante.

Diálogo: De que maneira a sua experiência como comandante do Exército Sul dos EUA o ajudou a se preparar para a sua posição atual?

Gen Div DiSalvo: Fez com que eu adquirisse grande apreço por tudo o que os componentes fazem. Eles executam diversas atividades na área; embora eu imaginasse ter uma ideia quando era Chefe do Estado-Maior, quando fui para oExército Sul, vi muito mais atividades acontecendo ali, o que é ótimo, muitíssimo valor agregado. Acho que outro aspecto foi como alocar recursos no Comando Sul, o que é feito pelo Departamento do Exército, e perceber o bom trabalho que é feito ali. Não digo isso porque estou no Exército, mas porque o Departamento do Exército faz um bom trabalho alocando recursos para o SOUTHCOM, na medida das suas possibilidades. É muito complicado obter recursos; portanto, eu vejo isso com bons olhos e agora também vejo com bons olhos o que o General Chinn está fazendo como comandante do Exército Sul dos EUA, tentando fazer com que os recursos cheguem até nós. É difícil, mas os componentes se esforçam muito para isso.

Diálogo: E que lições trouxe de lá para a sua posição atual de subcomandante militar do SOUTHCOM?

Gen Div DiSalvo: A importância de articular com precisão aquilo que necessitamos como Comando do Sul. É preciso realmente articular bem as suas necessidades para o Departamento de Defesa dos EUA, para o Departamento do Exército. Se você apenas informar o que precisa, sem dar uma boa justificativa e dizer exatamente o que irá fazer com esses pedidos, não irá a lugar nenhum. E eu posso entender isso: o dinheiro é precioso; portanto, eles precisam entender que o investimento vale a pena.





Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 267
Carregando conversa