Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Nações do Hemisfério Ocidental permanecem fortes

Promover um diálogo positivo e a colaboração entre os países do hemisfério ocidental são fundamentais para as nações parceiras na região.
Geraldine Cook/Diálogo | 30 outubro 2017

O Coronel (R) do Exército dos EUA Sergio de la Peña, subsecretário adjunto de Defesa para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Defesa dos EUA, falou no Seminário Regional Sul-americano de Combate às Redes de Ameaças Transregionais e Transnacionais. (Foto: Geraldine Cook/Diálogo)

A gestão de segurança, defesa e assuntos políticos no hemisfério ocidental é um elemento chave nas relações dos Estados Unidos com seus parceiros regionais. Para o Coronel (R) do Exército dos EUA Sergio de la Peña, natural do México, o compromisso é pessoal. Na sua função de subsecretário adjunto do Departamento de Defesa dos EUA para Assuntos do Hemisfério Ocidental, ele é responsável pela segurança, defesa e por assuntos políticos na região e inspeciona o patrocínio de programas de operação de defesa para o Comando Norte dos EUA (NORTHCOM) e o Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), entre outras responsabilidades.

De la Peña conversou com Diálogo na cerimônia de encerramento do Seminário Regional Sul-americano de Combate às Redes de Ameaças Transregionais e Transnacionais (T3N), organizada pelo Centro William J. Perry de Estudos Hemisféricos de Defesa, de 26 a 28 de setembro, em Lima, Peru. Como parte dos tópicos discutidos, De la Peña explicou a missão da sua função, os desafios enfrentados e as ameaças regionais comuns que o tornam mais dedicado ao seu trabalho.

Diálogo: Qual é a missão do subsecretário adjunto de Defesa para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA?

Subsecretário adjunto de Defesa para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Defesa dos EUA Sergio de la Peña: Nossa missão é fornecer política de defesa para o hemisfério ocidental, a área compreendida do Polo Norte ao Polo Sul e a metade ocidental do globo.

Diálogo: Qual é a importância da sua presença aqui no seminário sul-americano no combate às T3N?

Subsecretário adjunto De la Peña: A maneira pela qual fazemos nosso trabalho neste hemisfério é envolver as nações parceiras, nossos aliados e nossos amigos. Sem o suporte uns dos outros, somos muito mais fracos. Precisamos contar com a colaboração de cada um dos membros do hemisfério. Nesse ponto, essa questão é mais uma aspiração, pois nem todos são amistosos, porém a grande maioria dos países nesse hemisfério pensa de maneira similar com relação ao que pretendemos alcançar; por isso, queremos garantir que as parcerias, amizades e alianças sejam fortalecidas.

Diálogo: Como o senhor alcança esse comprometimento?

Subsecretário adjunto De la Peña: Tudo começa com um contato em nível pessoal. Trata-se de garantir que, como líderes, nosso envolvimento seja pessoal e que sejamos capazes de estabelecer um diálogo nos mais altos níveis, pois são os líderes que estabelecem o tom para o relacionamento. Se conseguirmos fazer os líderes concordarem, se conseguirmos fazer os líderes dialogarem e se envolverem de maneira positiva, então os subordinados seguirão. Estamos prestes a criar um ambiente em que tenhamos um hemisfério muito mais seguro.

Diálogo: O que o senhor considera seu maior desafio?

Subsecretário adjunto De la Peña: Acredito que o maior desafio é fazer com que todos estejam na mesma página, com perfeito entendimento uns dos outros. Muitas vezes, contamos com a boa-vontade. Queremos fazer a coisa certa, mas temos diferentes idiomas, usamos uma terminologia diferente, contamos com diferentes sistemas e, depois, temos diferentes agências que muitas vezes não estão em perfeita sintonia. Em alguns países, temos leis que permitem que a polícia atue de uma determinada forma; em outros países, essas funções são militares. Então, trata-se de entendermos uns aos outros e lançar mão da boa-vontade para sermos capazes de superar algumas dessas diferenças nas estruturas e nos sistemas.

Diálogo: O que o senhor espera alcançar com todos esses países envolvidos neste evento?

Subsecretário adjunto De la Peña: Discutimos sobre um hemisfério ocidental que seja colaborativo, próspero e seguro. O fundamental sobre esses tipos de eventos é a colaboração. Se houver colaboração, se houver boa vontade, então teremos um parceiro na questão da segurança. Se houver um hemisfério seguro, haverá um hemisfério próspero.

Diálogo: Qual é sua avaliação dos participantes nesta conferência, os países da América do Sul, falando sobre ameaças transnacionais?

Subsecretário adjunto De la Peña: Eu acredito que existe muita boa-vontade e estabelecemos uma boa base para colaborações futuras, que é o que pretendemos atingir.

Diálogo: Qual é a sua maior preocupação?

Subsecretário adjunto De la Peña: A maior preocupação é manter o diálogo, garantir que haja entendimento mútuo e que estejamos constantemente trabalhando para resolver qualquer conflito que possa produzir uma diferença de opinião que resulte em uma falta de colaboração. Acredito que, se pudermos superar esses desafios, teremos um hemisfério mais forte e colaborativo.

Diálogo: Há muita preocupação com questões de segurança regional, como narcotráfico, tráfico de armas e outras atividades criminosas. Qual é sua avaliação sobre as ameaças à segurança na região?

Subsecretário adjunto De la Peña: Temos vários desafios diferentes. Precisamos encará-los um de cada vez. Precisamos descobrir qual é a prioridade para nós e qual é a prioridade para as nações parceiras. Acredito que temos um nível de entendimento razoável sobre quais ameaças são comuns a ambos os lados. O que precisamos fazer é descobrir uma maneira de coordenar para determinar quais são as principais preocupações de ambos os lados. Depois de identificarmos as mesmas, acredito que podemos chegar a um ponto onde podemos priorizar de forma mais eficiente, de forma que todos estejam analisando o mesmo problema ou, pelo menos, dando a ele o mesmo valor ou a mesma prioridade à sua solução.

Diálogo: Como o senhor trabalha junto com países em nossa região para combater as T3N?

Subsecretário adjunto De la Peña: O essencial sobre [o combate] as redes dessa natureza é garantir que estejamos compartilhando informações e conhecimento, e isso nem sempre é fácil de se fazer. É algo no qual temos que trabalhar, estabelecendo quais são os mecanismos que nos permitem compartilhar informações, bem como os métodos para protegê-las. E como podemos usar essas informações para combater uma ameaça comum? Trata-se de deixar todos a par do ambiente em que cada um de nós vive e garantir que somos capazes de descobrir uma maneira de compartilhar informações, para que possamos combater uma ameaça comum.

Diálogo: Qual é a importância do trabalho conjunto do SOUTHCOM e do NORTHCOM para a segurança do Hemisfério Ocidental?

Subsecretário adjunto De la Peña: O NORTHCOM e o SOUTHCOM trabalham juntos, mas sempre que tivermos uma interseção, sempre que tivermos uma fronteira, vamos ter desafios. Vamos ter limitações sobre o que fazer em um lado dessa área de operações em relação ao outro lado. O que precisamos fazer é garantir que manteremos um diálogo e seremos capazes de resolver essa interseção o máximo possível, pois os vilões não têm fronteiras; eles não se importam com as interseções e não dão atenção às fronteiras. Precisamos garantir que nessas fronteiras nós tenhamos os mecanismos implantados, para que possamos rastrear pessoas que estejam de um lado ou de outro.

Diálogo: Como o Escritório do Secretário da Defesa ajuda os países necessitados, como o México e as ilhas do Caribe, no tratamento de desastres naturais? Esse problema também pode afetar a segurança?

Subsecretário adjunto De la Peña: Sem dúvida. Sempre que tivermos um desastre natural, especialmente um grave, ele desafia a capacidade de resposta do Estado. Se o Estado não responder de uma maneira eficiente, então as pessoas ficam com raiva. Quando há essa raiva, a segurança sofre um impacto. O que fazemos, no máximo da nossa capacidade, é ajudar. No caso do terremoto recente, já enviamos várias aeronaves de grande porte, C-17s, para o México. Neste momento, estamos enfrentando os resultados dos furacões que passaram pelos Estados Unidos, por Porto Rico e pelas Ilhas Virgens. Temos que desviar a nossa atenção agora de alguns dos problemas do terremoto para preocupações relacionadas aos furacões que afetam os cidadãos dos Estados Unidos. Isso não significa que nos esqueceremos das nossas nações parceiras. Nós as ajudamos tanto quanto podemos, em questões nas quais temos experiência e podemos compartilhar com elas, mas precisamos analisar o que está acontecendo em territórios americanos e assegurar-nos de que somos capazes de responder também a essas pessoas, pois, no caso de Porto Rico, tudo foi bastante devastador.

Diálogo: O senhor gostaria de adicionar algo mais para os leitores da Diálogo?

Subsecretário adjunto De la Peña: Somos parceiros e queremos colaborar e estreitar nossos vínculos. Queremos nos envolver novamente com aqueles que podem ter tido um ponto de vista diferente por algum tempo e estão agora voltando a ter um ponto de vista similar à maneira como pensamos.

Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 18
Carregando conversa