Viekaren XVI, tradição de cooperação entre Argentina e Chile

As marinhas dos dois países aumentam suas capacidades de resgate e salvamento marítimo na zona do Canal de Beagle.
Carolina Contreras/Diálogo | 3 outubro 2016

Com 300 militares, 8 barcos e duas aeronaves, as marinhas do Chile e Argentina desenvolveram o Exercício Naval Combinado Viekaren XVI, na zona do Canal de Beagle. (Foto: Marinha do Chile).

Com uma tripulação de 300 militares, oito barcos e duas aeronaves, as marinhas do Chile e da Argentina desenvolveram o exercício naval combinado Viekaren XVI na zona do Canal de Beagle, situado em Puerto Williams, extremo austral do Chile, entre 22 e 26 de agosto passado.

A finalidade deste exercício foi treinar as capacidades de Resgate e Salvamento Marítimo (SAR, por sua sigla em inglês) de ambas as marinhas através da interoperabilidade das unidades navais, de aeronaves tanto chilenas como argentinas e do estabelecimento de procedimentos comuns que lhes permitam responder a eventuais emergências marítimas nessa região.

O aumento do tráfego marítimo na zona do Antártico e seus arredores devido ao turismo, ao apoio logístico e às embarcações de investigação, fez com que as marinhas da Argentina e do Chile estejam prontas para enfrentar possíveis emergências nessa área. “Portanto, esse exercício tem uma importância fundamental que nos permite estar preparados para qualquer contingência que surgir", disse o Capitão de Mar e Guerra, Patricio Espinoza, comandante do Distrito Naval de Beagle e governador marítimo de Puerto Williams.

Sendo o único exercício naval bilateral que se realiza no extremo austral do continente americano, o desafio do Viekaren é o de melhorar a capacidade de resposta e coordenação de ambas as marinhas mediante a recriação de cenários fictícios em situações de emergência, que envolvem, por exemplo, apoio humanitário, controle naval de tráfego marítimo, busca, resgate e salvamento marítimos. Os participantes também são treinados em mergulho combinado diurno e noturno e em exercícios demonstrativos de combate à contaminação marinha, caso ocorra.

Mesmo que, até agora,"não tenha ocorrido qualquer tipo de contaminação ou encalhe de navios de grande porte no Canal de Beagle, devemos estar preparados para a ocasião em que tivermos que agir como uma força combinada," disse o CMG Espinoza.

Viekaren, que significa “confiança” na língua Yagán do povo Selknam, originário dessa zona austral, é realizado todos os anos desde 1999 e se enquadra dentro do Tratado de Paz e Amizade firmado por Chile e Argentina em 1984, que entre outras coisas estabelece soberania e responsabilidade compartilhadas no Canal de Beagle. Ao mesmo tempo, promove também as boas relações bilaterais.

Edição de 2016

Pela primeira vez o exercício incluiu uma equipe de aeroevacuação combinada entre o helicóptero naval chileno UH-05

Esta décima sexta versão do exercício Viekaren esteve a cargo da Marinha do Chile, sob o comando do CMG Espinoza. O exercício consistiu na simulação do sinistro de um navio de passageiros que navegava da Antártida com destino a Ushuaia, Argentina, e que necessitava de auxílio. "Cada ano temos que idealizar novos casos de possíveis emergências, da forma mais real possível, e ir aumentando o grau de dificuldade", destacou o CMG Espinoza.

Durante os cinco dias de treinamento, foram implantados diversos cenários de emergência fictícios em uma extensão de pouco mais de mil milhas quadradas no Canal de Beagle, no qual a tripulação de 300 marinheiros participantes de ambos os países realizou operações de resgate e tomada de decisões, desde o nível de planejamento até o nível tático.

Este ano, pela primeira vez, incluiu-se nesse exercício uma equipe de aeroevacuação combinada entre o helicóptero naval chileno UH-05, um rebocador argentino e um avião também argentino B-200, conseguindo evacuar um suposto ferido de Puerto Williams, no Chile, para Ushuaia. "Isso exigiu bastante coordenação e procedimentos conjuntos, com o que pudemos aumentar ainda mais a capacidade de interoperação de ambas as tripulações", disse o Capitão de Mar e Guerra Gabriel Galeazzi, chefe do Estado Maior da Área Naval Austral da Argentina,.

Outra novidade do Exercício Viekaren por parte da Marinha argentina foi a inclusão da aeronave de exploração marítima Beechcraft B-200. O Chile, por sua vez, utilizou o navio de patrulha de serviços gerais PSG-73 Isaza e as lanchas de serviços gerais Alacalufe LSG-1603 e Hallef LSG-1604, entre outros.

As capacidades SAR também foram treinadas em exercícios de implantação e de barreiras contra a contaminação, incêndio e inundação de uma embarcação, além de mergulho noturno combinado por parte da Brigada de Salvamento do Distrito Naval de Beagle e da Área Naval Austral.

"Demonstramos que somos capazes de operar sem qualquer problema, que nos conhecemos e que, com todos esses anos de experiência, conseguimos melhorar nossos procedimentos e padronizar nossa operacionalidade", afirmou o CMG Espinoza.

"Cumprimos tudo o que havíamos planejado e terminamos com zero feridos e zero danos às unidades", acrescentou o CMG Galeazzi.

No ano que vem, a Argentina ficará encarregada da organização do eExercício Viekaren e, conforme adiantou o CMG Galeazzi, para aumentar a complexidade, planejam simular o acidente de um navio de cruzeiro, que envolva maior quantidade de pessoas e uma embarcação de grande porte. "Temos que estar preparados diante de qualquer cenário de emergência", finalizou.

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