Enquanto a miséria aumenta na Venezuela, Cuba continua no comando

Yuri Hernandez/Diálogo | 15 maio 2019

Ameaças Transnacionais

O presidente Nicolás Maduro (com uma faixa), está acompanhado do presidente cubano Miguel Díaz-Canel (primeiro, à esquerda). (Foto: Federico Parra, AFP)

 Cuba e Venezuela estabeleceram relações em 1902. Em 1999, o comércio bilateral e as relações militares aumentaram significativamente durante a presidência de Hugo Chávez, pois este se aliou ao presidente cubano Fidel Castro.

Cuba e Rússia são aliados de longa data da Venezuela e do seu regime socialista. A Rússia apoiou o governo de Maduro economicamente e com equipamentos militares, enquanto a Venezuela enviava subsídios de petróleo no valor de bilhões de dólares a Cuba, em troca de assistência médica e assessoria de inteligência.

Enquanto o presidente interino Juan Guaidó tenta convencer os militares a apoiarem a constituição da Venezuela, a presença de tropas cubanas no país torna isso mais difícil.

Em uma entrevista ao Washington Post, o ex-Tenente-Coronel do Exército da Venezuela Carlos José Montiel López, que fugiu para os Estados Unidos em 2018, disse que cubanos usando roupas civis agiam como “nossos supervisores e tomadores de decisões.”

O conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos John Bolton disse na Casa Branca: “Acho que é o medo dos 20.000 a 25.000 membros das forças de segurança de Cuba no país que impediu que os militares venezuelanos atendessem ao chamado de Guaidó”. Mais tarde Bolton declarou que “se nessa tarde os 20 a 25.000 cubanos deixassem a Venezuela, Maduro cairia até a meia-noite. É essa presença estrangeira que está no comando das forças armadas, no comando do governo, que faz com que seja impossível que a voz do povo seja ouvida.”

Carlos Fernández de Cossío, chefe para Assuntos dos EUA em Cuba, disse à Associated Press que “os 20.000 cubanos que estão na Venezuela trabalham primordialmente na área de saúde. Cuba não participa de operações militares nem de segurança na Venezuela”, embora tenha lembrado que, como parceiros do hemisfério, Cuba e Venezuela têm o direito soberano de cooperação militar e de inteligência.

Contrariando essas considerações de Fernández, segundo um artigo do New York Times do dia 17 de março de 2019, diversos médicos cubanos enviados à Venezuela pelo governo de Cuba contam que receberam ordens dos seus superiores cubanos e venezuelanos para que usassem a assistência médica como arma política. Carlos Ramírez, um doutor que desertou para o Equador após seis anos, disse ao New York Times: “No início, trazemos vitaminas e pílulas para controlar a hipertensão arterial. E depois de ganhar a sua confiança, começam as perguntas: ‘Você sabe onde fica a sua sessão eleitoral? Você vai votar?’”

Em um artigo do Washington Post, Fernando Cutz, conselheiro sênior do então conselheiro de Segurança Nacional H.R. McMaster, que atuou como diretor para a América do Sul do Conselho de Segurança Nacional, disse: “Não há dúvidas de que os cubanos prestam muita assistência ao regime venezuelano – o regime de Maduro – para que permaneça no poder.”

O General de Exército da Venezuela Antonio Rivero, exilado nos Estados Unidos, disse em uma entrevista feita em 2010 ao diário espanhol La Vanguardia, que “a penetração de autoridades cubanas nas Forças Armadas da Venezuela tem a finalidade de monitorar e supervisionar os elementos doutrinários militares nos níveis de comando e equipes”. Em uma entrevista a El Nuevo Herald, em janeiro de 2015, ele estimou que “cerca de 20.000 combatentes cubanos sairiam em defesa da Revolução Bolivariana no caso de um levante militar contra o chavismo.”

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