Governo venezuelano ataca militares e políticos da oposição

Maduro expulsou 56 militares e prendeu o vice-presidente da Assembleia Nacional.
Gustavo Arias Retana/repórter da Diálogo na Costa Rica | 21 junho 2019

Ameaças Transnacionais

O presidente interino da Venezuela Juan Guaidó fala em uma manifestação no dia 11 de maio de 2019, em Caracas, depois que o governo ilegítimo de Maduro suspendeu a imunidade de 15 deputados e expulsou do Exército 56 militares. (Foto: Rafael Briceño Sierralta, AFP)

Após os esforços liderados pelo presidente interino da Venezuela Juan Guaidó para restaurar a ordem constitucional, no dia 30 de abril de 2019, Nicolás Maduro anunciou a expulsão de 56 militares do Exército Bolivariano. O regime ilegal também violou a imunidade parlamentar, ao deter o vice-presidente da Assembleia Nacional Edgar Zambrano, e acusou judicialmente vários deputados oposicionistas por “traição à pátria”.

“O regime avalia a resposta da comunidade internacional com essas detenções para determinar se prenderá Guaidó”, disse Carlos Murillo, especialista em relações internacionais da Universidade Nacional da Costa Rica. “São medidas de intimidação, porque o regime entrou na fase de desespero e terá que encontrar uma saída antes do final do ano.”

No entanto, a estratégia de Maduro poderá fazer com que mais militares virem as costas ao governo ilegítimo. “Não se pode esquecer o papel desempenhado pelos militares venezuelanos no narcotráfico, de onde vêm os recursos para a cúpula. Aqueles que estão dentro desse círculo não estão dispostos a abandonar seus postos e a se expor às reações dos grupos criminosos e, assim, perder essa fonte de renda. Os militares fora dessa cúpula provavelmente [renunciarão] na medida em que a situação do país vá se deteriorando”, afirmou Murillo.

Expulsos

Entre os militares expulsos encontra-se o ex-chefe do Serviço Bolivariano de Inteligência, o General de Brigada Cristopher Figuera e o Tenente-Coronel da Guarda Nacional Ilich Sánchez, que ocupou a chefia do comando de proteção da Assembleia Nacional. O Gen Bda Figuera apareceu em um vídeo no dia 9 de maio, onde condena os abusos do regime. Dois dias antes, os Estados Unidos suspenderam as sanções econômicas que lhe haviam imposto no passado.

O Ten Cel Sánchez, por sua vez, foi a figura militar de maior visibilidade que acompanhou o presidente interino Guaidó no movimento do dia 30 de abril. Alguns dos militares expulsos encontraram refúgio em embaixadas como a do Brasil, que acolheu 25 militares. Quanto aos políticos oposicionistas, no dia 10 de maio o regime deteve Zambrano e até o momento seu paradeiro é desconhecido. A Embaixada dos Estados Unidos em Caracas pediu sua imediata libertação.

Além de Zambrano, o regime suspendeu a imunidade de outros 14 deputados, alguns dos quais pediram refúgio em embaixadas como as da Argentina, da Itália e do México; outros permanecem ocultos na clandestinidade.

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