Êxodo venezuelano sem precedentes na América Latina

A demanda em massa extra de alimentos, remédios, alojamento e serviços públicos é um desafio diário para os países que acolhem os migrantes.
Raúl Sánchez-Azuara/Diálogo | 16 maio 2019

Uma família de migrantes venezuelanos descansa depois de caminhar 18 horas de Cúcuta a Pamplona, no estado de Norte de Santander, na Colômbia, no dia 11 de fevereiro de 2019. (Foto: Elyxandro Cegarra, AFP)

A Venezuela, considerada no passado o país mais rico da América Latina, atravessa a pior crise econômica, política e de saúde na história do hemisfério, e está numa queda acelerada para se tornar o país mais pobre da região. De acordo com o relatório “Além das fronteiras, um olhar no êxodo venezuelano” do Banco Mundial, de abril de 2019, a inflação neste ano pode chegar a 10 milhões por cento. Oitenta e nove por cento dos venezuelanos vivem em condições de pobreza; o índice de violência é de 89 homicídios para cada 100.000 habitantes, o mais alto da região e quase três vezes superior aos dos países em guerra, garante o relatório.

O site da Organização das Nações Unidas (ONU) informa que 4 milhões de cidadãos – 25 por cento da população da Venezuela –, sofrem de severa desnutrição. Apenas em 2017, os registros mostram 400.000 casos de malária e epidemias de sarampo, difteria e outras doenças aumentam rapidamente devido à falta de alimentos e de serviços públicos.

“Em 2018, 3,7 milhões de pessoas abandonaram [a Venezuela], 5.000 venezuelanos deixaram o país por dia”, disse Eduardo Stein, representante especial conjunto das Nações Unidas para as agências de refugiados e migração. “Se esse ritmo se mantiver, os [exilados] venezuelanos fora da Venezuela ultrapassarão 5 milhões até o final de 2019.”

O êxodo venezuelano, o segundo maior do planeta depois da Síria, vem atingindo os países vizinhos nos últimos anos, cujos serviços públicos têm os limites ultrapassados a cada dia, pois não contam com a infraestrutura ou o orçamento para atender ao aumento massivo de pessoas que necessitam com urgência de alimentos, remédios e alojamento. Nos últimos anos, a Colômbia recebeu 1,2 milhão de venezuelanos; o Peru mais de 700.000; o Equador 200.000 e o Brasil 96.000. Até o momento, os Estados Unidos acolheram 80.000 exilados venezuelanos, de acordo com o Banco Mundial.

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, “centenas de milhares de venezuelanos continuam sem qualquer documentação ou permissão para permanecer nos países vizinhos e carecem de acesso garantido aos direitos básicos. Isso os torna vulneráveis à exploração de trabalho e sexual, ao tráfico, à violência, à discriminação e à xenofobia”.

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