Guarda Nacional venezuelana entra na Colômbia sem autorização

A violação internacional foi considerada pela Colômbia como mais uma tentativa do regime de Nicolás Maduro para dar início a um confronto.
Yolima Dussán/Diálogo | 10 junho 2019

Ameaças Transnacionais

Oficiais da polícia venezuelana cruzam a ponte internacional Simón Bolívar em Cúcuta, Colômbia, para buscar asilo depois que o presidente ilegítimo Nicolás Maduro ordenou o fechamento da fronteira com a Colômbia, no dia 23 de fevereiro de 2019. (Foto: Elyxandro Cegarra, AFP)

Militares da Venezuela entraram sem autorização em território colombiano, no dia 6 de maio de 2019, na localidade de Chinita, ao sul de Cúcuta. Alertado pela comunidade, o Exército da Colômbia enviou helicópteros que voaram sobre a área e dispersaram os militares venezuelanos, que abandonaram o lugar imediatamente. A 30ª Brigada da 2ª Divisão do Exército foi destacada na região para assumir o controle e manter contato com a população.

Os militares venezuelanos permaneceram durante 20 minutos em atividades de busca e patrulhamento, de acordo com deposições entregues às autoridades. Desde as primeiras reações, tanto o governo como os comandantes das Forças Militares da Colômbia agiram de maneira cautelosa para não ceder à provocação.

“Os membros da Guarda Nacional venezuelana entraram nessa região de Cúcuta perseguindo, ao que parece, uns contrabandistas de combustível”, disse à imprensa o General de Exército Luis Navarro, comandante das Forças Militares da Colômbia. “As coordenações de segurança são muito complexas, pois não há qualquer tipo de diálogo com as autoridades venezuelanas. Essa situação torna impossível corroborar essa versão dos fatos.”

“Nossas tropas estão destacadas [na fronteira] em atitude defensiva, dissuasiva, evitando qualquer tipo de incidente, sem provocar ninguém”, declarou à imprensa o General de Exército Nicacio de Jesús Martínez, comandante do Exército da Colômbia. “Os militares agiram de acordo com os protocolos definidos para essa situação de fronteira.”

O Ministério de Relações Exteriores da Colômbia disse que a intenção desse tipo de ação é muito clara. “Queremos mostrar à comunidade internacional nossa preocupação com a ocorrência desse tipo de provocações geradas pelo regime ilegítimo de Nicolás Maduro, as quais afetam a comunidade da região de fronteira”, disse o ministério em um comunicado à imprensa.

Provocação recorrente

A estratégia venezuelana de ordenar operações nas comunidades fronteiriças com o objetivo de provocar uma resposta armada não é uma novidade. Durante a ditadura de Hugo Chávez (1999-2013), ocorreram várias emboscadas que não tiveram repercussão.

Em 2018, as tropas venezuelanas realizaram diversas incursões na Colômbia. Em agosto, 30 militares uniformizados e dois helicópteros sobrevoaram sem autorização o espaço aéreo de Tibú, no estado de Norte de Santander. Em setembro, outros 20 militares entraram em Vichada, estado que faz fronteira com o estado venezuelano de Apure. Em novembro, eles voltaram a Tibú.

Até a presente data, o resultado dessas ações provocadoras tem sido o mesmo. “Mantemos sempre a devida cautela diante dessas claras e reiteradas intimidações, que pretendem apenas gerar uma resposta para fazer com que a Colômbia pareça um país agressor”, concluiu o Ministério de Relações Exteriores da Colômbia.

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