USCAP, estratégia regional contra ameaças transnacionais

As forças armadas da América Central e do Caribe aumentam sua capacidade operacional contra o crime.
Lorena Baires/Diálogo | 2 março 2017

Relações Internacionais

São Salvador foi o cenário do seminário de planejamento do Plano de ação conjunta de segurança regional 2018, encabeçado pelos Estados Unidos e pela Colômbia. (Foto: Gloria Cañas).

Graças ao Plano de Ação EUA-Colômbia (USCAP, por sua sigla em inglês), um programa de cooperação conjunta de segurança regional entre o Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM, por sua sigla em inglês), a Seção Internacional para Narcóticos e Aplicação da Lei (INL, por sua sigla em inglês) e o Ministério da Defesa da Colômbia para a América Central e o Caribe, várias nações parceiras trocam experiências para combater as ameaças transnacionais que perturbam a estabilidade e segurança da região.

O plano teve início em 2012 e, desde então, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, República Dominicana, Colômbia e Estados Unidos realizam reuniões anualmente. Em 18 de fevereiro, se realizou o primeiro seminário de planejamento para o ciclo USCAP 2018 na capital salvadorenha. O seminário contou com duas reuniões simultâneas, uma para os agentes de segurança pública e outra para os integrantes das forças armadas.

“A Colômbia traz sua ampla experiência, seus conhecimentos e suas lições aprendidas aos Estados que os solicitarem, para aumentar seu nível de segurança e defesa. Por isso atendemos a todas as necessidades da América Central e do Caribe em termos de treinamento, para aumentar sua capacidade de operações”, disse o General de Brigada Jorge Hoyos, diretor de Relações Internacionais do Exército da Colômbia, no início do seminário.

Um por um, os representantes das forças armadas expuseram suas necessidades. O denominador comum das necessidades, tanto na América Central como no Caribe, se concentra em adestramentos para combater o narcotráfico, o tráfico ilícito e o crime transnacional.

“Quando os países expõem suas necessidades, nós propomos quais delas podemos apoiar. Embora não haja um limite de solicitações, há uma sequência. Os beneficiados começam com adestramentos básicos e depois iniciam cursos especializados para avançar à fase de instrução”, acrescentou o Gen Brig Hoyos.

Esse esforço regional é uma iniciativa conjunta entre o SOUTHCOM e a Colômbia, cujas forças militares levam seu profissionalismo, capacidade tática e treinamento sobre narcotráfico às nações parceiras da América Central e do Caribe. A região recebe apoio especial para renovar suas capacitações de combate e enfrentar outros fenômenos de caráter transnacional.

De acordo com o Brig Gen Hoyos, o USCAP beneficiou aproximadamente 200 militares por cada país integrante. O sucesso se mede no campo, com os resultados obtidos. Para isso existem planos de acompanhamento para cada treinamento, no qual se analisa se as capacitações aprendidas permitiram reduzir as ameaças. Por exemplo, se as apreensões de drogas aumentam, ou se diminuem os níveis de criminalidade nas cidades.

Resultados no campo

Um dos países com resultados muito bons no USCAP é a República Dominicana.

O General Orison Olivense, reitor de Educação da Polícia Nacional da República Dominicana, reconheceu que o fato de haver participado de mais de 66 atividades permitiu aumentar o profissionalismo de suas forças.

“Atingimos outro nível no que se refere à investigação criminal, preventiva e antinarcóticos. Por exemplo, participamos de um adestramento em poligrafia e isso nos levou a criar um departamento próprio que agora utiliza essa ferramenta para as investigações. Sem dúvida, avançamos e fortalecemos nossas habilidades”, disse à Diálogo o Gen Olivense.

Essa nação do Caribe enviou 1.200 homens aos seminários do USCAP. Este ano a meta é participar de pelo menos 35 atividades, para obter mais habilidades em sistemas de investigação contra o crime cibernético e organizado, para trocar mais informações com outras polícias a nível mundial.

“Já não se pode encarar a segurança da República Dominicana como um assunto interno, mas sim, global”, disse o Brig Gen Olivense. “Queremos que nossa polícia seja mais globalizada, com os mesmos sistemas utilizados em todo o mundo”.

El Salvador também colhe os frutos dos adestramentos que a Colômbia oferece junto aos Estados Unidos. O Coronel Jorge Alberto Miranda, chefe de Operações do Estado-Maior Conjunto da Força Armada de El Salvador, sublinhou o impacto dos conhecimentos adquiridos por mais de 500 homens e mulheres na execução de operações contra o narcotráfico em manguezais.

“Nossa Força Naval desferiu grandes golpes nas redes de narcotráfico que buscam utilizar nossa costa ou nossos manguezais para mobilizar carregamentos de cocaína. A prova disso é que no ano passado obtivemos um número recorde de apreensões: mais de nove toneladas avaliadas em mais de US$ 250 milhões no mercado negro”, detalhou o Cel Miranda ao finalizar sua exposição de demandas.

El Salvador busca agora a capacitação para a manutenção das aeronaves e o manejo de instrumentos especializados de sua Força Aérea. Uma vantagem é que El Salvador e Colômbia possuem os mesmos modelos de aeronaves.

Unidos contra as ameaças

“Todos temos as mesmas problemáticas, uns mais e outros menos. O USCAP fornece apoio de forma unida porque buscamos superar juntos nossas habilidades. Um exemplo disso é que a região avançou substancialmente no esforço para combater o narcotráfico, porém, como tudo, isso não para. Por isso o treinamento deve ser constante”, resumiu o Gen Brig Hoyos.

Uma das ações conjuntas diretas entre Colômbia, Estados Unidos e outros países da região é a Operação Martelo, na qual a Força-Tarefa Conjunta Interagências–Sul, as forças aéreas e as marinhas de todos as nações parceiras coordenam esforços de detecção aérea e marítima, monitoramento e interceptação para detectar e interromper elementos do crime transnacional organizado que aproveitam as extensas costas e as zonas de população escassa no interior da América Central.

Entre outros esforços, o USCAP apoia o desenvolvimento de esforços de construção de capacitações complementares através do Projeto de Reforma da Polícia Regional da América Central. Por exemplo, a Polícia Nacional da Colômbia fornece treinamento e assistência em temas como polícia comunitária, treinamento de instrutores das academias de polícia e desenvolvimento de planos de estudos na Guatemala, em Honduras, El Salvador, na Costa Rica e no Panamá.

Para complementar o treinamento policial da Colômbia, os Estados Unidos treinam fiscais das nações parceiras em todo o espectro da aplicação da lei. Ambos os países trabalham para identificar novas áreas de cooperação e estão comprometidos com a coordenação de esforços com naçoes parceiras em todo o hemisfério.

O USCAP continuará se concentrando em quatro áreas-chave: narcotráfico, luta contra o crime organizado internacional, fortalecimento institucional e fomento de comunidades mais seguras. Os Estados Unidos e a Colômbia também desenvolvem programas complementares de assistência em segurança e esforços operacionais para apoiar naçoes parceiras em nível hemisférico e internacional, que são afetados pelos efeitos do crime transnacional organizado.

Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 1243
Carregando conversa