Estados Unidos treinam Força Armada de El Salvador

O Exército de El Salvador amplia suas capacidades de resposta no controle de fronteiras, terrorismo, tráfico de pessoas e direitos humanos.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 28 novembro 2018

Relações Internacionais

Tropas salvadorenhas compartilham conhecimentos e experiências com militares americanos sobre controle de fronteiras, terrorismo, tráfico de pessoas e direitos humanos, para manterem um alto nível de prontidão operacional. (Foto: Força Armada de El Salvador)

O Instituto de Defesa de Estudos Jurídicos Internacionais (DIILS, em inglês) do Departamento de Defesa dos EUA instruiu as tropas do Comando Sumpul do Exército de El Salvador através do curso Legislação de Fronteiras, para aumentar a capacidade de operação e resposta dos componentes militares salvadorenhos. O curso foi ministrado entre os dias 24 e 28 de setembro em São Salvador.

“A assessoria e os conhecimentos proporcionados pelo DIILS permitiu aos membros do comando conjugar os diferentes instrumentos legais utilizados no âmbito internacional para o controle das fronteiras e aprender como esses instrumentos devem estar sempre visando o respeito aos direitos humanos”, disse à Diálogo o Coronel de Infantaria D.E.M. do Exército de El Salvador Walter Jacobo Lobato Villatoro, comandante do Comando Sumpul. Os aspectos mais importantes da capacitação foram reunidos em um documento apresentado ao Estado-Maior da Força Armada de El Salvador. 

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Os militares americanos compartilharam com oito membros do Exército e um da Força Naval de El Salvador os seus conhecimentos e a sua experiência em segurança e controle de fronteiras, direito internacional, importância dos direitos humanos, problema mundial das drogas e função das forças militares nos conflitos internos armados. Eles também dissertaram sobre o uso da força, a segurança portuária, o direito do mar e o terrorismo. “Os terroristas modernos aprenderam a explorar a conectividade global. O terrorismo já não é mais problema de apenas um país, é um problema mundial”, garantiu o Cel Lobato.

Os participantes observaram basicamente situações simuladas nas quais El Salvador pode ser influenciado através do dinheiro que as organizações terroristas são capazes de oferecer para permear e corromper algumas instituições. Esses subornos podem tornar a segurança e a defesa nacional vulneráveis e impedir a continuidade do desenvolvimento das tarefas normais da nação.

Como parte do esforço para manter a segurança na fronteira salvadorenha, os militares participantes ampliaram seus conhecimentos sobre os ângulos estratégicos da cooperação entre as forças armadas, as agências de segurança interna e externa e os países, contribuindo para o combate ao terrorismo e ao narcotráfico. A capacitação incluiu o emprego de militares na aplicação da lei para manter a segurança, com pleno respeito aos direitos humanos.

Uma questão que chamou a atenção dos participantes foi o tráfico de pessoas, “um problema mundial e um dos delitos que afetam a dignidade de milhões de pessoas, onde as organizações criminosas recebem uma grande quantidade de dinheiro para enganar mulheres, crianças e homens, submetendo-os a situações de exploração sexual, trabalho forçado, servindo como “mulas” do narcotráfico, mendicância infantil, escravidão e tráfico de órgãos”, disse o Cel Lobato. “Todas as lições aprendidas que lhes impregnaram a pele [dos EUA] e que com amabilidade nos são transmitidas, permitem modificar nossa maneira de agir e proteger as nossas fronteiras.”

Militares dos EUA treinam os membros da Força Armada de El Salvador em legislação de fronteiras, para aumentar a capacidade de operação e resposta dos componentes militares. (Foto: Força Armada de El Salvador)

Os instrutores do DIILS não apenas transmitiram conhecimentos e experiências, mas também forneceram ferramentas estratégicas para serem aplicadas no dia a dia. “Eles nos proporcionaram uma das ferramentas mais importantes no momento de pôr em prática os procedimentos ou de buscar informações de inteligência: saber conquistar o coração e a mente das pessoas como os servidores públicos”, disse à Diálogo o 2º Tenente do Exército de El Salvador Kevin Avilar Cordero, integrante do Comando Sumpul, que participou da capacitação.​​​​​​​ 

Capacitação e horizontes da legislação internacional

O Comando Sumpul é a força militar encarregada de vigiar 30 passagens fronteiriças não habilitadas ao longo da fronteira terrestre salvadorenha, para reduzir e evitar o narcotráfico, o tráfico de pessoas, de armas e mercadorias ilegais. Entre 2015 e outubro de 2018, as tropas militares apreenderam mais de US$ 2,6 milhões em mercadorias ilegais e dezenas de armas. “Os resultados positivos são consequência da capacitação, do planejamento das rotas de patrulhamento e da vigilância”, disse o 2º Ten Avilar.

El Salvador e os Estados Unidos trabalham de forma combinada. No decorrer de 2018, 80 integrantes do Comando Sumpul foram treinados por forças militares dos EUA em diferentes áreas como direitos humanos, segurança de fronteira, narcotráfico e segurança cibernética. As autoridades salvadorenhas confiam na continuidade desse tipo de cooperação.

“Realizamos reuniões com o Comando Sul dos EUA para dar continuidade ao desenvolvimento desse tipo de capacitações durante o próximo ano e manter um alto nível de prontidão operacional das nossas unidades nos cenários onde forem solicitadas. Da mesma forma, esperamos que os horizontes da legislação internacional sejam ampliados, como também que essa legislação internacional seja aplicada nos diversos cenários que nos sejam apresentados”, disse o Cel Lobato.

“Finalizamos o documento da capacitação em legislação de fronteiras. Nele traduzimos os aspectos de maior importância que poderão ser implementados pela nossa unidade. Esperamos que ele seja aprovado pelo Estado-Maior Conjunto da Força Armada [de El Salvador] no final de novembro [de 2018]”, informou o Cel Lobato.

Uma vez aprovado, o documento será transmitido em forma de ordens diversas às diferentes unidades das fronteiras do Comando Sumpul. “Os resultados desses conhecimentos e experiências ajudarão a mostrar formas diferentes de como se pode obter informações, como chegar às pessoas, como ser mais estratégicos e mais operacionais”, disse o 2º Ten Avilar.

“A Força Armada de El Salvador está sempre disposta a cooperar com a segurança internacional. Cremos que essa seja uma maneira de fazê-lo: proteger nossas fronteiras e evitar que todos esses tipos de ameaças [terrorismo, narcotráfico e tráfico de pessoas] cheguem ao nosso país e que se disseminem para outros lugares”, finalizou o Cel Lobato.

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