Militares dos Estados Unidos se capacitam na Colômbia

As missões de ação integral fortalecem a governança da Colômbia.
Myriam Ortega/Diálogo | 10 agosto 2018

Capacitação e Desenvolvimento

Da esquerda para a direita: o Terceiro-Sargento do Exército dos EUA Russell Robson e o Capitão do Exército dos EUA Jake Bruder, alunos do Curso Básico em Missões de Sensibilização, acompanham o Coronel do Exército César Alberto Karán Benítez, diretor da ESMAI. (Foto: Myriam Ortega, Diálogo)

O Curso Básico em Missões de Sensibilização oferecido pela Escola de Missões Internacionais e Ação Integral (ESMAI) do Exército Nacional da Colômbia terminou em Bogotá no dia 1º de julho de 2018. Durante mais de 11 semanas, militares colombianos e americanos reforçaram seus conhecimentos sobre as técnicas e recursos para levar mensagens a diferentes tipos de audiências, sejam elas hostis, neutras ou amigas, para apoiar os objetivos institucionais do Exército Nacional da Colômbia.

Entre diferentes tópicos, o curso abordou no aprendizado das Forças Armadas da Colômbia em tarefas de ação integral, que fortalecem a governança da Colômbia ao mesmo tempo em que levam ajuda humanitária às populações necessitadas. “Não é nossa função, mas as Forças Militares [fazem] parte do Estado, assim sendo começamos a buscar formas para que o Estado possa chegar a essas regiões”, disse à Diálogo o Coronel do Exército da Colômbia César Alberto Karán Benítez, diretor da ESMAI.

“Precisamos buscar outras funções em prol do desenvolvimento do país”, acrescentou o Cel Karán. “[Temos] uma grande quantidade de capacidades para oferecer ao povo colombiano. Nossa nova doutrina do Exército se concentra na forma como podemos ajudar mais, como podemos enfrentar os novos desafios que surgem a partir do pós-conflito.” 

Pioneira regional

A ESMAI se transformou em uma escola pioneira em capacitação no âmbito regional. A prova disso é a participação de alunos de outros países nos cursos. Nos últimos anos mais de 300 oficiais e suboficiais estrangeiros vieram se capacitar em diversas disciplinas.

Dois oficiais dos EUA terminaram o Curso Básico em Missões de Sensibilização em julho, enquanto dois alunos mexicanos e um equatoriano cursaram a seguinte edição do curso, em julho. A escola oferece outros cursos com participação internacional. Por exemplo, o curso de Cinegrafista Operacional, que terminou em agosto, teve a participação de 14 alunos estrangeiros.

“[Em 2018] tivemos o prazer de contar com dois alunos do Exército dos EUA, um oficial e um suboficial. Foram dois meses e meio em que ficamos sintonizados”, afirmou o Cel Karán. “Havia coisas que fazíamos pensando estar fazendo bem, mas quando vimos como eles as faziam, percebemos que poderíamos melhorar nosso processo enormemente, e o mesmo ocorreu com eles.”

“Nossa presença aqui tem dois propósitos. Um deles é frequentar o curso para aprender sobre ação integral, porque isso é novo para nós”, disse à Diálogo o Capitão do Exército dos EUA Jake Bruder, participante do curso. “Queremos aprender como apoiar e como ajudar a Colômbia no processo de paz e no desenvolvimento do Exército.”

O Capitão do Exército dos EUA Jacob Bruder (direita) participou de uma campanha para evitar o consumo de substâncias psicoativas por crianças e adolescentes. (Foto: Segundo-Tenente do Exército Nacional da Colômbia Laurie Gutiérrez Arias)

As missões de sensibilização eram antes conhecidas como Operações Psicológicas. “Essa ferramenta de operações psicológicas pode ser forte”, disse à Diálogo o Terceiro-Sargento do Exército dos EUA Russell Robson, outro aluno do curso. “Nós a utilizamos para vencer guerras sem balas, sem disparos; isso nos ajuda a criar comportamentos que beneficiam nossos objetivos.”

Intercâmbio de conhecimentos

A experiência no curso permitiu que os alunos compreendessem melhor o contexto no qual o trabalho se desenvolve e que conhecessem seus pares. “Foi muito bom para nós, sobretudo para mim, porque fiz muitos amigos aqui. Pude ver a sua situação na sua unidade, fora da escola, como por exemplo o que eles têm que fazer quando chegam aqui”, disse o 3º Sgt Robson. “Isso nos ajuda a formar uma opinião sobre como melhorar as coisas; e [nos serve] também como exemplo, [para] sermos soldados melhores, líderes melhores.”

O Exército da Colômbia insere missões de sensibilização nos exercícios realizados no território colombiano, o que não acontece com o Exército dos EUA. “[Realizamos] nossas operações [sensibilização] fora [dos  EUA], na Colômbia e em outros países”, explicou o Cap Bruder.

Os participantes americanos contribuíram com o curso com propostas, como a de garantir que as operações psicológicas sejam ligadas ao Plano Victoria Plus, o plano estratégico do Exército da Colômbia. Eles também recomendaram esclarecer o porquê de cada intervenção, medir seu impacto e aprofundar-se quanto ao público-alvo.

“Uma mudança que deve ser feita antes de se atingir um nível internacional é o desenvolvimento profundo do público-alvo”, segundo o 3º Sgt Robson. “Não estamos falando de classes de pessoas, nem de grupos grandes; pode ser somente uma pessoa, e essa é a análise, uma análise de [condições] psicológicas, demográficas e das vulnerabilidades.”

“É preciso olhar para a frente. Tenho que saber como vou agir, como vou vincular todo o plano estratégico e como vou realizá-lo, já que não sou desse país, já que não falo seu idioma”, afirmou o 3º Sgt Robson.

O Cap Bruder compartilhará os conhecimentos adquiridos no curso nos EUA. “Vou aplicar os conhecimentos para realizar as operações da minha equipe com as brigadas e os batalhões de ação integral”, concluiu.

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