Secretário de Defesa dos EUA promove parcerias no Brasil

Em um discurso para uma audiência internacional na Escola Superior de Guerra do Exército Brasileiro, o secretário de Defesa dos EUA James Mattis disse que a democracia como um direito inerente do povo das Américas.
Marcos Ommati/Diálogo | 16 agosto 2018

Relações Internacionais

O secretário de Defesa dos EUA James Mattis visitou o Brasil em agosto de 2018 e fez um discurso na Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro. (Foto: Mauro Pimentel/AFP)

O secretário de Defesa dos EUA James Mattis visita a América do Sul pela primeira vez. Sua primeira parada no dia 13 de agosto de 2018 foi o Brasil, onde manteve reuniões com o ministro da Defesa Joaquim Silva e Luna e com o ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Ferreira, em Brasília. Os temas da discussão incluíram alternativas para alavancar a cooperação em ciência e tecnologia, político-militar e a indústria de defesa para aumentar o comércio entre ambos os países. A viagem de Mattis à América Latina se segue a uma visita do Almirante-de-Esquadra da Marinha dos EUA John Richardson, chefe de Operações Navais, à Colômbia, ao Chile, à Argentina e ao Brasil. Cerca de um mês antes da visita do Almirante Richardson, o vice-presidente dos EUA Mike Pence também passou uma semana na América do Sul. 

Discurso na Escola Superior de Guerra

“Estou aqui para fazer ratificar que temos destinos compartilhados como as duas maiores democracias do hemisfério, e como defensores de nossos valores interamericanos: o respeito aos direitos humanos fundamentais, o estado de direito e a paz”, disse Mattis durante uma visita à Escola Superior de Guerra no Rio de Janeiro, no dia 14 de agosto. “Os povos das Américas têm o direito à democracia e seus governos têm a obrigação de promovê-la e de defendê-la.”

Citando as relações dos EUA com a América Latina como um exemplo de parceria de longa duração, Mattis disse que o sucesso e a segurança das gerações futuras dependem de “como nós criamos confiança em todos os níveis entre os nossos aliados e parceiros do hemisfério ocidental hoje; queremos ser seu parceiro de escolha nesse esforço compartilhado.”

Mattis se remeteu à II Guerra Mundial para enfatizar a parceria EUA-Brasil. Soldados americanos lutaram lado a lado com a Força Expedicionária Brasileira em Monte Castelo, na Itália, e a Marinha do Brasil escoltou mais de 3.000 navios mercantes durante sua participação no conflito, perdendo apenas três. “Nossos idiomas nativos podem ser diferentes, mas quatro décadas de serviço militar me convenceram de que a profissão militar tem uma linguagem própria e uma maneira de transformar estranhos em família”, disse o Almirante-de-Esquadra (FN) reformado. 

Transformação no relacionamento para defesa

Em abril de 2018, Mattis orientou seus subordinados a aumentar o relacionamento no setor de defesa dos EUA com o Brasil, e a fortalecer a sólida base já existente. “Isso aconteceu depois que eu atendi a uma ligação e ouvi a voz do ministro Silva e Luna do outro lado. Ele falou; eu ouvi. Quando nosso telefonema terminou, eu tomei aquela decisão”, explicou.

Mattis também falou sobre a ampla relação militar entre o Brasil e os Estados Unidos, além das pesquisas conjuntas, “principalmente as espaciais”, segundo ele. Os dois países estão negociando um acordo para permitir que os Estados Unidos lancem satélites do Centro de Lançamento de Alcântara, uma unidade operada pela Força Aérea Brasileira na Agência Espacial em Alcântara, no estado do Maranhão, na costa atlântica norte do Brasil. “Nós escolhemos o Brasil não apenas por sua localização ao longo do Equador – um feliz acidente geográfico –, mas porque queremos trabalhar com os brasileiros, um povo cujos valores compartilhamos. Outros atores não podem dizer o mesmo, com credibilidade”. Afinal, ele enfatizou, o Brasil é um líder mundial, como se viu em sua atuação nas missões de retirada de minas nas Américas Central e Sul, e nas missões de manutenção da paz no Haiti, no Líbano e na África.

Comércio de material militar

Mattis declarou que os Estados Unidos veem um futuro no comércio de material militar com a América Latina. “O programa de Vendas Militares ao Estrangeiro dos Estados Unidos é incomparável. As nações podem escolher livremente de quem querem comprar, e nós respeitamos isso. Afinal, amigos não exigem que se escolha entre eles. Os EUA não estão querendo ganhar um dinheiro fácil; nós estamos procurando conquistar e manter os amigos.”

Ao encerrar seu discurso, Mattis respondeu a perguntas do público presente. Uma pessoa perguntou se a criação de uma sexta arma nos EUA, a Força Espacial, não seria o equivalente a militarizar o espaço. Mattis argumentou que a China já desenvolveu tecnologia capaz de destruir satélites. Ele também foi questionado sobre as operações dos EUA no Mar do Sul da China, e sobre as disputas territoriais entre Pequim e seus países vizinhos. Essas são algumas das prioridades suas e do Departamento de Estado dos EUA, ele disse, para manter a região em paz e esperar mais transparência por parte dos chineses nas relações internacionais.

Após sua visita à Escola Superior de Guerra, o secretário Mattis visitou o Memorial da II Guerra Mundial, no Aterro do Flamengo. Mattis assumiu o cargo em janeiro de 2017.

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