Guardas-marinhas dos EUA visitam a Escola Naval do Chile

As atividades incluíram intercâmbios de experiências, visitas às instalações e reencontros de amigos.
Felipe Lagos/Diálogo | 6 maio 2019

Relações Internacionais

Como parte da sua visita à Escola Naval Arturo Prat, no Chile, os guardas-marinhas dos EUA conheceram o museu naval. (Foto: Escola Naval Arturo Prat do Chile)

Uma delegação da Academia Naval dos EUA (USNA, em inglês) visitou a Escola Naval Arturo Prat da Marinha do Chile em meados de março, como parte do Programa de Intercâmbio de Guardas-Marinhas e Cadetes entre ambas as instituições. Oito guardas-marinhas e três oficiais da USNA formaram a delegação americana que percorreu as instalações da Escola Naval, localizada em uma colina da cidade portuária de Valparaíso.

O objetivo da visita foi conhecer o processo de formação da Marinha do Chile, aprender sobre a história da instituição naval e intercambiar experiências. Além disso, a visita permitiu estreitar os laços de cooperação entre as duas academias, bem como renovar as amizades.

“Os oito guardas-marinhas que estavam comigo aproveitaram muito a visita, e alguns puderam rever seus amigos chilenos que participaram de um intercâmbio [acadêmico] em Annapolis [cidade sede da USNA]”, disse à Diálogo o Capitão de Fragata da Marinha dos EUA Josh E. Dittmar, professor da Faculdade de Engenharia Aeroespacial da USNA, que comandou a viagem ao Chile. “Acredito que tenha sido muito produtivo para minha equipe poder conhecer a cultura de outra academia naval.”

Intercâmbio de experiências

Entre as atividades realizadas, a delegação americana visitou o Museu Naval da Escola, que expõe relíquias do herói naval chileno, o Capitão de Fragata Arturo Prat Chacón, bem como maquetes e modelos de aeronaves que fizeram parte da frota da Marinha do Chile, instituição que completou 200 anos em 2018. A delegação dos EUA também operou os simuladores de navios utilizados pelos homólogos chilenos.

“Realizamos uma atividade no simulador de navegação que, sem dúvida, foi a favorita dos cadetes estrangeiros, pois houve uma competição entre as diferentes equipes com o objetivo de navegar na Baía de Valparaíso com constantes alterações nas condições climáticas e um grande número de perigos”, disse à Diálogo o Primeiro-Tenente da Marinha do Chile Rodrigo García-Huidobro Núñez, oficial da 6ª Divisão da Escola Naval. “Todas essas atividades foram realizadas com um objetivo comum, que os cadetes de Annapolis pudessem experimentar amplamente a vida a bordo da Escola Naval.”

Os guardas-marinhas da Academia Naval dos EUA operaram os simuladores de navegação da Escola Naval e participaram de uma competição que pôs à prova as suas capacidades. (Foto: Escola Naval Arturo Prat do Chile)

Durante a sua estada, os cadetes americanos também aprenderam sobre o uso no Chile dos veículos aéreos não tripulados em cenários humanitários e em suas capacidades de defesa através de um intercâmbio com uma escola de tecnologia local. Além disso, os cadetes da USNA descobriram a culinária chilena e as diversas paisagens da costa do Pacífico.

“Gostei do enfoque nos heróis navais de outros países, como um reconhecimento de honra e apreciação pela habilidade naval, sem considerar a sua procedência”, disse o CF Dittmar. “A necessidade de tomar uma ducha fria [todos os dias] durante três anos é muito singular.”

Benefício mútuo

O programa de intercâmbio entre as instituições navais amigas teve origem em 2007. Trata-se de uma associação estratégica educacional e profissional com enfoque nas áreas acadêmicas de engenharia, ciências e humanidades.

O objetivo do programa é fortalecer os conhecimentos dos alunos, desenvolver uma relação internacional positiva e fortalecer as suas capacidades linguísticas, segundo o Capitão de Fragata da Marinha do Chile Hans Fritz Kelly, chefe do Departamento de Educação da Escola Naval. Desde o início, mais de 35 cadetes chilenos já estudaram na USNA e 27 guardas-marinhas americanos frequentaram as aulas da Escola Naval.

“Esses tipos de programas de intercâmbio são muito importantes, pois permitem que os alunos se beneficiem mutuamente em relação aos conhecimentos do ethos [ética] naval, dos processos de formação e da cultura nacional das respectivas instituições”, disse à Diálogo o CF Fritz. “Eles abrem uma possibilidade de melhoria contínua, ao entenderem as diversas formas de operar entre as demais marinhas”, acrescentou ele.

“O contato contínuo ajudará a aumentar o nível de camaradagem. Ele nos ajudará na preparação para as visitas futuras dos cadetes chilenos à USNA no outono de 2020 e para os guardas-marinhas da USNA em visita ao Chile”, concluiu o CF Dittmar. “Muitos futuros oficiais que hoje se encontram nos nossos cursos terão uma participação ativa futuramente”, acrescentou o CF Fritz.

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