Navio-hospital USNS Comfort dos EUA alivia a dor no Peru

Médicos militares dos Estados Unidos e de outras nações melhoram a qualidade de vida de milhares de peruanos com a missão humanitária Promessa Duradoura.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 26 novembro 2018

Relações Internacionais

A tripulação do navio USNS Comfort trabalhou em conjunto com as autoridades peruanas em nível nacional, regional, municipal e local, para cumprir a missão Promessa Duradoura 2018, em benefício da população mais necessitada. (Foto: Comando Sul dos EUA)

Como parte dos incessantes esforços do governo dos EUA para fortalecer a cooperação e os laços de amizade com o Peru através de diversos programas de assistência humanitária, o navio-hospital USNS Comfort (T-AH-20) da Marinha dos EUA encerrou a missão de assistência médica na costa norte peruana no dia 5 de novembro de 2018, como parte da missão Promessa Duradoura do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM).

Os tratamentos clínicos e cirúrgicos proporcionados pelos profissionais do USNS Comfort reconstruíram o sorriso de Pedro Daniel, um menino de sete anos que foi submetido a uma cirurgia para a correção de uma fenda palatina, a bordo do navio, em 2011 e novamente em 2018. (Foto: Comando Sul dos EUA)

Durante cinco dias, a tripulação do navio formada por mais de 900 profissionais da saúde, enfermeiros e técnicos militares dos Estados Unidos e de outras nações parceiras, como a Argentina, o Canadá e o Chile, atendeu 6.229 pacientes nos estados de Piura e Tumbes. Esse foi o terceiro destacamento do USNS Comfort em águas peruanas. Em 2011 o navio esteve no distrito de Paita e em 2007 visitou o distrito de Salaverry, onde atendeu também milhares de pacientes.

“A visita do navio é uma demonstração de como os laços de amizade entre o Peru e os Estados Unidos são fortes”, disse à Diálogo o Contra-Almirante (R) da Marinha de Guerra do Peru Santiago Llop Meseguer, chefe do Gabinete Ministerial do Ministério da Defesa. “A iniciativa também mostra a generosidade do governo dos Estados Unidos. A missão é uma extensão da ajuda humanitária em uma região do país açoitada pelo fenômeno El Niño.” 

Aliviar a dor

Os tratamentos médicos e cirúrgicos proporcionados pelos médicos do USNS Comfort reconstruíram o sorriso de Pedro Daniel (assistir ao vídeo), um menino de sete anos que foi submetido a uma cirurgia para a correção de uma fenda palatina a bordo do navio em 2011 e novamente em 2018. A recente cirurgia do menor foi uma das 106 intervenções realizadas a bordo do navio.

Pedro Daniel e sua mãe, Petronila Eche Panta, percorreram mais de 50 quilômetros de Sechura a Piura, quando souberam que o USNS Comfort visitaria a costa peruana. “Não podia acreditar. Deus está com meu filho. Com essa cirurgia, ele terminou o tratamento e agora consegue falar bem”, disse à Diálogo Eche Panta. “Estou feliz porque poderei levantar a mão na sala para participar, como fazem meus companheiros. Em duas semanas volto à escola e agora eles entenderão minhas palavras”, disse Pedro Daniel à Diálogo.

“O caso de Pedro Daniel é um exemplo de como se alivia a dor de uma pessoa que não dispõe dos recursos para ser atendida e se curar”, disse o C Alte Llop. “O menino pôde ser curado graças à ação humanitária do SOUTHCOM para completar o seu tratamento.”

Os cidadãos peruanos não foram os únicos a receber tratamentos em medicina preventiva, gastrenterologia, pediatria, oftalmologia e odontologia. Os imigrantes venezuelanos também se beneficiaram com os serviços médicos gratuitos. De acordo com um comunicado da Agência da ONU para os Refugiados, publicado no dia 8 de novembro de 2018, mais de 500.000 venezuelanos entraram no Peru em busca de uma vida melhor desde janeiro de 2017. Os tratamentos médicos foram realizados nas unidades de saúde em terra Juan Valer Sandoval e San Alfonso, em Piura.​​​​​​​ 

Profissionais da saúde do navio-hospital USNS Comfort da Marinha dos Estados Unidos prestaram assistência médica gratuita a milhares de peruanos durante a missão humanitária Promessa Duradoura 2018, do Comando Sul dos EUA, na província de Paita. (Foto: Comando Sul dos EUA)

Maior identificação com a missão

“Em termos estatísticos, talvez possamos dizer que foi igual, mas nessa oportunidade houve uma maior identificação dos peruanos com o trabalho do navio-hospital, porque entre a tripulação do USNS Comfort há três médicos das Forças Armadas do Peru: um gastroenterologista, uma pediatra e um oftalmologista, embarcados desde que o navio partiu da Virginia”, disse o C Alte Llop. “Isso permitiu que as coisas fossem diferentes.”

Jovens peruanos ajudaram os médicos americanos a preencher a lacuna quanto à comunicação, atuando como intérpretes durante as jornadas médicas. Além disso, os estudantes de medicina da região norte do país ajudaram a realizar diagnósticos dos pacientes para estabelecer o tratamento adequado.

Além da assistência médica, o governo dos EUA fez uma doação de aparelhos ortopédicos e equipamentos clínicos ao Ministério da Saúde no valor de US$ 400.000, para atender às necessidades de crianças e adultos com problemas físicos. A doação será uma grande ajuda para que as pessoas sem recursos econômicos possam receber cadeiras de rodas, andadores, muletas e bengalas, entre outros.​​​​​​​ 

Agradecer e cooperar

O Peru agradeceu a visita do navio, as cirurgias e os medicamentos distribuídos. “A alegria e a qualidade do atendimento dos membros da tripulação do USNS Comfort para os cidadãos e a colaboração dos peruanos que tornaram a missão médica possível merecem o nosso mais profundo respeito”, enfatizou o C Alte Llop. “Estamos dispostos a apoiar outras iniciativas como esta.”

“Trata-se de ajudar as pessoas. Interagir com elas e ajudá-las enquanto recebem atendimento é uma experiência gratificante. Agradeço a Deus e à Marinha [dos EUA] por nos permitirem ter essa oportunidade”, disse o Primeiro-Sargento da Marinha dos EUA Manuel Aponte Blanco, chefe do hospital e técnico de laboratório designado ao USNS Comfort. O 1º SG Aponte nasceu no Peru e está há 18 anos a serviço da Marinha dos EUA.

“Essas atividades nos ajudam porque nos permitem treinar com outros recursos e nos oferecem a oportunidade de nos prepararmos para apoiar a gestão de riscos e desastres. Queremos que os Estados Unidos saibam que somos um aliado estratégico”, finalizou o C Alte Llop.

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