Secretário de Defesa dos EUA visita a Escola Superior de Guerra do Brasil

James N. Mattis realizou uma palestra para os militares e civis da tradicional escola militar brasileira.
Taciana Moury/Diálogo | 21 agosto 2018

Relações Internacionais

O secretário de Defesa dos EUA James Mattis fez um discurso na Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro, em 14 de agosto de 2018. (Foto: Escola Superior de Guerra)

O secretário de Defesa dos Estados Unidos James Mattis conheceu a Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio de Janeiro, durante sua primeira viagem ao Brasil. A visita, realizada no dia 14 de agosto de 2018, teve o objetivo de verificar a metodologia adotada na instituição de ensino brasileira, com o intuito de promover a adaptação no programa das escolas norte-americanas.

O General-de-Exército do EB Décio Luís Schons entregou ao secretário de Defesa dos EUA James Mattis uma lembrança institucional como agradecimento pela sua visita à Escola Superior de Guerra. (Foto: Escola Superior de Guerra)

De acordo com Mattis, outras três escolas congêneres serão visitadas ainda este ano: a da Organização do Tratado do Atlântico Norte, em Roma, e os colégios de guerra em Canberra, na Austrália e em Cingapura. “É uma chance de aprender uns com os outros”, disse.

Para o General-de-Exército do Exército Brasileiro (EB) Décio Luís Schons, comandante da ESG, foi uma honra a escola ter sido escolhida pelo secretário Mattis. Além disso, segundo o oficial, a visita resgata um relacionamento antigo entre as duas instituições.

“A ESG foi criada tendo como inspiração a Universidade de Defesa Nacional dos EUA”, explicou o Gen Ex Schons. “Mas, elas se diferenciaram ao longo do tempo e existe muito o que compartilhar, trocar impressões e verificar como estão sendo tratados os assuntos de defesa.”

O comandante da ESG antecipou à Diálogo que ficou definido com o secretário de defesa norte-americano a vinda de uma delegação de diretores de escolas militares dos EUA para realizar algumas atividades conjuntas com a instituição brasileira. “O objetivo é aprofundar o conhecimento e intensificar o intercâmbio na área de ensino entre os dois países”, explicou.

Para o Gen Ex Schons, a presença do secretário – e general reformado do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA – foi um dos pontos altos do ano escolar de 2018, não só pela importância da função desempenhada, mas também pela vivência como fuzileiro naval, militar e soldado. “A trajetória de James Mattis é um grande exemplo para os militares e civis”, destacou.

Ao iniciar o discurso aos professores e alunos da ESG, Mattis parabenizou a instituição brasileira por ter sido reconhecida como uma universidade de ponta no campo militar profissional. A escola vai receber o Perry Award de 2018, do Centro de Estudos de Defesa Hemisférica William J. Perry, no dia 20 de setembro, em Washington. O prêmio reconhece indivíduos e instituições que contribuíram para a base de conhecimento dos profissionais de defesa e segurança, promoveram um ambiente cooperativo de segurança internacional e estimularam a capacidade institucional sustentável nas Américas.

Parceria com o Brasil

O secretário de Defesa dos EUA James Mattis participou de uma reunião com o ministro da Defesa do Brasil Joaquim Silva e Luna e com os comandantes militares, no dia 13 de agosto, em Brasília. (Foto: Segundo-Sargento da Força Aérea Brasileira Alexandre Manfrin)

Mattis ressaltou, durante o seu discurso, a parceria histórica com o Brasil desde a segunda guerra mundial e a importância da cooperação com os países da América Latina. “Continuamos hoje focados no fortalecimento do nosso relacionamento militar, porque buscamos um hemisfério colaborativo, próspero e seguro”, afirmou. “Precisamos manter individual e coletivamente a consciência situacional em todos os domínios: ar, terra, mar, certamente no espaço hoje, e no ciberespaço. É uma época em que compartilhamos informações sobre nosso ambiente com nossos vizinhos.”

O secretário norte-americano reforçou a importância de reenergizar a relação de defesa com o Brasil e construir sobre a base sólida já existente uma cooperação estratégica transparente confiável e estável. “Vemos um futuro brilhante à frente, para o Brasil e para o nosso hemisfério”, destacou Mattis.

Ao ser questionado sobre como devem ser as relações estratégicas entre os dois países para a próxima década, Mattis reforçou que os EUA querem continuar contribuindo para que o Brasil avance. “O país ocupa um papel de liderança na América, tanto pela sua extensão territorial, quanto pela sua economia e, apesar dos recentes problemas enfrentados, o país certamente será o líder da América do Sul”, destacou. “Temos um profundo respeito por essa nação parceira.”

O Gen Ex Schons salientou que Mattis deu muita ênfase na importância do relacionamento bilateral de defesa durante seu discurso. De acordo com o oficial, foi possível conhecer o pensamento estratégico dele em relação à estrutura de defesa norte-americana. Para o Capitão-de-Mar-e-Guerra da Marinha do Brasil Levi Alves da Silva, um dos alunos do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia, a palestra de Mattis permitiu ter um melhor dimensionamento da atual política externa dos EUA nos assuntos de defesa para o continente sul-americano, bem como vislumbrar o surgimento de novas parcerias. 

Acordos bilaterais

O primeiro compromisso de Mattis no Brasil foi um encontro com o ministro da Defesa do Brasil Joaquim Silva e Luna, no dia 13 de agosto, em Brasília. Dentre os temas discutidos estavam a cooperação em defesa cibernética e a troca de informações voltadas ao combate de crimes transfronteiriços.

A importância do uso do espaço e a recente assinatura por parte da Força Aérea Brasileira do Acordo de Consciência Situacional do Espaço do governo dos EUA também foram pautas do encontro. Segundo Silva e Luna, a reunião foi muito proveitosa. “Possibilitou alinhar algumas percepções sobre o pensamento de defesa nesta parte do continente americano”, disse.

O Acordo de Salvaguardas Tecnológicas para uso pelos EUA do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, foi tratado pelos líderes da Defesa. “Estão sendo feitos os últimos ajustes nos termos do acordo de salvaguarda. O objetivo é que seja formalizado ainda este ano”, revelou Silva e Luna. Depois de finalizado, o texto ainda tem que ser aprovado pelo Congresso brasileiro. Estiveram presentes na reunião o Almirante-de-Esquadra Eduardo Leal Ferreira, comandante da Marinha do Brasil (MB), o Tenente-Brigadeiro-do-ar Nivaldo Rossato, comandante da Força Aérea Brasileira, o Almirante-de-Esquadra da MB Ademir Sobrinho, chefe do Estado Maior-Conjunto das Forças Armadas e o General-de-Exército Walter Braga Netto, representando o comandante do EB.

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