Fuzileiros navais da Marinha do Chile e dos EUA fazem intercâmbio de experiências

O programa de intercâmbio realizado nos EUA permite que os fuzileiros navais aprendam uns com os outros.
Felipe Lagos/Diálogo | 4 dezembro 2018

Capacitação e Desenvolvimento

O Segundo-Sargento do Corpo de Fuzileiros Navais do Chile Jorge Castro demonstra uma técnica de descida com corda, como parte de um intercâmbio de conhecimentos entre fuzileiros navais do Chile e dos EUA. (Foto: Terceiro-Sargento do Corpo de Fuzileiros Navais do Chile Pablo Andrade)

Dois fuzileiros navais chilenos estão nos Estados Unidos ministrando cursos especializados aos seus homólogos americanos. Os cursos, realizados no âmbito de um intercâmbio de conhecimentos a longo prazo entre os corpos de fuzileiros navais de ambos os países, começaram no início de novembro de 2018 na Base Pendleton, localizada em San Diego, Califórnia.

O intercâmbio tem dois anos de duração, período durante o qual os suboficiais chilenos se integram ao cotidiano dos fuzileiros navais dos EUA e participam de cursos como alunos e como instrutores. A oportunidade busca reforçar as capacidades dos participantes e garantir um alto nível de treinamento. Além disso, o intercâmbio ajuda a estreitar os laços de confiança e a cooperação mútua entre o Chile e os EUA.

Os fuzileiros navais da Marinha do Chile, o Segundo-Sargento Jorge Castro e o Terceiro-Sargento Pablo Andrade, assumiram as funções de instrutores do curso de Mestre em Técnicas de Içamento por Corda de Helicóptero do Grupo de Treinamento de Operações Expedicionárias do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA. O 3º SG Andrade também ministra o curso de Escalador de Assalto.

“É um orgulho que nós, fuzileiros navais chilenos, tenhamos a oportunidade de intercambiar experiências com uma força expedicionária como o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA”, disse à Diálogo o 2º SG Castro. “Pessoalmente, eu me sinto muito motivado por representar o meu país, a Marinha do Chile e o Corpo de Fuzileiros Navais.”

Experiência única

Os dois sargentos foram selecionados para o intercâmbio devido ao seu excelente currículo, desempenho de suas funções e domínio do inglês. Os candidatos devem ter ótima capacidade física e no mínimo a patente de terceiro-sargento, além de passarem por uma série de exames e provas rigorosas para serem selecionados.

Fuzileiros navais americanos testam o que aprenderam em um curso ministrado por seus homólogos chilenos. (Foto: Terceiro-Sargento do Corpo de Fuzileiros Navais do Chile Pablo Andrade)

Ainda que o intercâmbio seja cobiçado devido à experiência única que fornece aos participantes, a Direção Geral de Pessoal da Marinha do Chile só nomeia um representante por ano. Segundo a Marinha do Chile, um total de 28 fuzileiros navais, incluindo os participantes atuais, fizeram a viagem aos EUA para o intercâmbio bienal desde 1992.

Entre as atividades realizadas, os fuzileiros navais chilenos participam de vários treinamentos especializados, incluindo técnicas de inserção e extração por corda, combate urbano, pontaria de combate, além de técnicas de resgate em áreas de difícil acesso, técnicas de primeiros socorros e de reanimação cardiovascular. Os sargentos também realizam exercícios intensos de dia e de noite, no mar, em zonas urbanas e em montanhas, simulando o resgate de tropas e pondo à prova o que aprenderam.

“Pessoalmente, tem sido uma experiência incrível e cheia de desafios, tanto familiares quanto individuais. Viver em um país onde tudo é diferente e ver que meus filhos e minha esposa se adaptaram rapidamente foi maravilhoso”, disse à Diálogo o 3º SG Andrade. “A parte profissional foi rigorosa e extenuante, com longas jornadas onde treinamos em atividades de alto risco, com muita precisão e destreza.”

Além de participarem como alunos, os sargentos chilenos também desempenham o papel de instrutores de um curso onde são empregadas técnicas de descida em corda rápida, começando em torres para orientar os alunos a utilizar o que aprenderam de helicópteros a mais de 12 metros de altura. O 3º SG Andrade também comanda alunos americanos em uma classe que testa a aptidão física e ensina sistemas de nós e métodos para a construção de uma ponte suspensa com cordas, com o objetivo de realizar assaltos de escarpas, transportar mantimentos ou cruzar com segurança.

“Muitas vezes em diversos cursos ou treinamentos [o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA] nos considerou uma referência por nossa forma de atuar e pela experiência adquirida ao longo dos anos na nossa Marinha do Chile”, disse o 3º SG Andrade. “Em cada curso se solicita aos alunos que façam uma crítica profissional e construtiva das classes. Em muitas ocasiões fui eleito o melhor instrutor. Isso mostra a liderança, o profissionalismo e o alto nível de treinamento que nós, os fuzileiros navais chilenos, temos.”

Ao terminar os cursos, em dezembro, o 3º SG Andrade passará as festas de fim de ano com seus companheiros americanos antes de regressar ao Chile, no início de janeiro de 2019, onde ele trabalha como membro da Brigada Anfíbia Expedicionária em Concón. Já o 2º SG Castro permanecerá nos Estados Unidos por mais um ano, aprendendo e ensinando, e voltará ao seu país em 2020 para retomar as suas funções de instrutor na Escola de Fuzileiros Navais Comandante Jaime Charles, em Viña del Mar.

“Foi maravilhoso”, concluiu o 3º SG Andrade. “O companheirismo foi sincero e mútuo, já que com o passar dos dias percebíamos que tínhamos mais semelhanças do que diferenças: nosso compromisso e nossa devoção pelo dever cumprido, o amor sem igual por nossas bandeiras e por nossos compatriotas, além da inquebrantável fidelidade que está gravada a fogo nos nossos corações de guerreiros.”

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