Fuzileiros navais dos EUA e da Argentina fazem intercâmbio de conhecimentos

Militares americanos e seus homólogos argentinos consolidaram suas técnicas de combate e aprenderam uns com os outros.
Juan Delgado/Diálogo | 23 janeiro 2019

Capacitação e Desenvolvimento

O intercâmbio de conhecimentos realizado entre instrutores da MARFORSOUTH e seus homólogos argentinos incluiu treinamento físico como exercícios de flexão na praia e outros. (Foto: Marinha Argentina)

Nas praias de Punta Alta, na província de Buenos Aires, Argentina, unidades do Comando de Fuzileiros Navais da Marinha Argentina treinam técnicas de combate corpo a corpo. Os militares praticam golpes, chutes, estrangulamentos e outras destrezas para deter um possível agressor e amortizar as quedas ou reduzir as lesões.

Usando capacetes e luvas de boxe, eles aperfeiçoam seus golpes de punho. Praticam também o uso de armas brancas para utilizá-las com a intensidade de força adequada. Segue-se um treinamento físico rigoroso, que inclui exercícios de flexão até o limite da exaustão na beira do mar e na areia.

O treinamento de uma semana fez parte de um intercâmbio de conhecimentos entre instrutores da Força do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Sul (MARFORSOUTH, em inglês) e seus homólogos argentinos. Três instrutores da MARFORSOUTH lideraram o treinamento no Comando de Instrução e Avaliação (COIE, em espanhol) da Base Naval de Fuzileiros Navais Baterías, entre os dias 26 de novembro e 1º de dezembro de 2018.

“O treinamento consistiu no intercâmbio de técnicas e procedimentos de combate corpo a corpo através da implementação de diversas atividades teóricas e fundamentalmente práticas”, disse à Diálogo o Capitão de Mar e Guerra da Marinha Argentina Javier Pedro López, comandante do COIE. “Foi feito com o importante componente de potencialização das habilidades de liderança, considerando que os participantes eram membros já capacitados como instrutores da matéria.”

Solucionar situações de conflito

O treinamento teve como objetivo melhorar a eficiência do combate corpo a corpo com base em procedimentos táticos e manobras utilizadas em diversas modalidades como artes marciais, boxe e luta, entre outras. O programa se concentrou na análise, no planejamento e na resolução de situações de conflito e buscou reforçar os conhecimentos dos participantes sobre fisiologia e psicologia de combate, que são pilares fundamentais para a segurança.

Além disso, os participantes se capacitaram em técnicas e procedimentos para combate com faca, diferentes tipos de cortes, bem como armas de oportunidade. Eles também se beneficiaram com instruções teóricas sobre a disciplina mental e os valores fundamentais compartilhados pelos fuzileiros navais.

Usando luvas e capacetes de boxe, os fuzileiros navais argentinos treinam técnicas de combate corpo a corpo sob o comando de instrutores da MARFORSOUTH. (Foto: Marinha Argentina)

Para o CMG López, o adestramento oferecido pela MARFORSOUTH é importante porque permite maximizar os conhecimentos nas situações de combate dos fuzileiros navais argentinos, nos moldes do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA. “No ambiente operacional moderno, caracterizado pelo combate e contato com distâncias muito curtas, a necessidade de intervir tanto contra combatentes como contra não combatentes, além do respeito às regras específicas de comprometimento [para o uso da força], exige que equipemos nossos fuzileiros navais com as ferramentas necessárias para cumprir sua missão de maneira eficaz”, disse o CMG López.

Os Fuzileiros Navais dos EUA contam com um sistema de combate único desenvolvido no início da década de 2000. O Programa de Artes Marciais do Corpo de Fuzileiros Navais combina técnicas já existentes e novas de combate corpo a corpo e em espaços fechados com os valores de honra, coragem e compromisso. O programa enfatiza o desenvolvimento do caráter, incluindo o uso responsável da força, a liderança e o trabalho em equipe.

Vantagem mútua

O treinamento também trouxe resultados positivos para os instrutores da MARFORSOUTH, que puderam aprender com seus homólogos argentinos enquanto compartilhavam a semana com eles na base de Baterías. Além disso, o intercâmbio permitiu que os participantes reforçassem a fraternidade e o companheirismo, bem como a interoperabilidade, um elemento indispensável durante a realização de exercícios e operações combinadas.

“Estou convencido de que essas atividades nos permitem trabalhar lado a lado”, destacou o CMG López. “Acredito que exista um benefício mútuo no desenvolvimento desse tipo de atividades, já que elas nos permitem construir laços de confiança profissional entre os corpos de fuzileiros navais.”

A Marinha Argentina e, particularmente, o Comando de Fuzileiros Navais, contam com uma amizade de longa data com os Estados Unidos, que inclui vários programas de intercâmbios entre os fuzileiros navais. Esses intercâmbios e outros programas de apoio possibilitam o compartilhamento de conhecimentos e destrezas dos particpantes, além de história e cultura, o que estreita a cooperação entre os dois países.

“Ao longo dos anos, os exercícios combinados que realizamos têm sido inúmeros”, garantiu o Almirante de Esquadra José Luis Villán, chefe do Estado-Maior Geral da Marinha Argentina, que se capacitou na Escola de Guerra Expedicionária da Base do Corpo de Fuzileiros Navais Quantico, em Virgínia. “Atualmente mantemos excelentes relações de intercâmbios cooperativos de toda espécie, o que contribui para um melhor entendimento e uma interoperabilidade institucional.”

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