Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Contingente uruguaio supervisiona a manutenção de paz no Sinai

No deserto do Sinai, as tropas uruguaias fiscalizam o cumprimento dos acordos de paz, uma contribuição importante para a paz internacional.
Kaiser David Konrad/Diálogo | 28 agosto 2017

Tenente-Coronel do Exército do Uruguai Guillermo Rodriguez, comandante da Unidade de Transporte e Engenheiros. (Foto: Exército do Uruguai)

O Uruguai é um país que vem se destacando na construção da paz internacional, com presença em diversas missões das Nações Unidas e de outras organizações internacionais. A Força Multinacional de Paz e Observadores (MFO, por sua sigla em inglês), com sede em Roma, é uma organização internacional independente criada em decorrência de acordo entre a República Árabe do Egito e o Estado de Israel, com a responsabilidade de manter a paz no Sinai.

Revista de efetivos na cerimônia Medal Parade e troca de comando do contingente TREU, no dia 19 de fevereiro de 2017, na cidade de Sharm El Sheikh, no Egito. (Foto: Exército do Uruguai)

As origens da MFO remontam ao Anexo I do Tratado de Paz de 1979 entre Egito e Israel, no qual as partes se comprometeram a solicitar às Nações Unidas uma força e observadores para supervisionar a aplicação do tratado. Atualmente o país conta com um contingente militar numa área de fundamental importância para a segurança no Oriente Médio. Para conhecer mais sobre essa missão, a Diálogo entrevistou o Tenente-Coronel do Exército do Uruguai Guillermo Rodriguez, comandante da Unidade de Transporte e Engenheiros (TREU, por sua sigla em inglês).

Diálogo: O que é a MFO, quando foi instituída e qual é sua missão? Que contingentes internacionais compõem a missão?

Tenente-Coronel Guillermo Rodríguez, comandante da Unidade de Transporte e Engenheiros: As origens da Força Multinacional de Paz e Observadores remontam a princípios do mês de agosto de 1981, devido à necessidade de controlar o cumprimento do tratado de paz entre Egito e Israel datado de 26 de março de 1979, criando-se uma força multinacional capaz de observar e verificar o cumprimento das limitações impostas no referido tratado e prevenir qualquer violação de seus termos. A Força conta com a presença de 12 países: Austrália, Canadá, Colômbia, República Checa, Fiji, França, Itália, Nova Zelândia, Noruega, Inglaterra, Estados Unidos e o nosso país. O relacionamento entre os países é de extremo respeito e fraternidade mútua, tendo como idioma oficial o inglês.

Diálogo: Quando chegaram os primeiros contingentes uruguaios no Sinai?

Ten Cel Rodríguez: Em fins de janeiro de 1982, foi implantado o primeiro contingente uruguaio composto por 100 efetivos, sendo seu primeiro chefe o então Tenente-Coronel Juan Grosso.

Diálogo: Qual é atualmente o contingente do Uruguai e sua responsabilidade nessa missão? Como desempenham suas tarefas e quais equipamentos utilizam? Onde se localiza a base da força uruguaia?

Ten Cel Rodríguez: O continente uruguaio, denominado “TREU”, cuja sigla em inglês significa Transportation and Engineering Unit [Unidade de Transporte e Engenheiros], está composto de 41 efetivos que desempenham duas funções fundamentais para a força: a primeira é o transporte terrestre e a segunda é o apoio com pessoal especializado de engenheiros.

Tropas uruguaias realizam a Prova de Adestramento Anual, uma prova extenuante pelas exigências físicas necessárias e pelo calor intenso no norte do Sinai. (Foto: Exército do Uruguai)

A tarefa da unidade de transporte é basicamente proporcionar condutores com experiência para a movimentação de suprimentos e pessoal aos diferentes locais da MFO situados ao longo da península do Sinai. Por sua vez, a unidade de engenheiros é a encarregada da manutenção e melhoria de estradas, já que estas são constantemente obstruídas pelo movimento das dunas de areia, e também da construção de fortificações que a força possa exigir.

Atualmente o pessoal uruguaio encontra-se destacado em sua grande maioria na cidade de Sharm el Sheikh, ao sul da península, e o resto em diversos locais ao longo das imediações da fronteira com Israel, na chamada “Zona C”.

Diálogo: Quais são as dificuldades e os desafios de operar na região do Sinai?

Ten Cel Rodríguez: As dificuldades e os desafios se concentram principalmente na situação atual de segurança que a península vive hoje em dia, devido aos constantes enfrentamentos de grupos insurgentes. Nos últimos anos a situação regional evoluiu desfavoravelmente, tornando-se uma área muito instável e imprevisível em relação à evolução dos acontecimentos futuros. Portanto, a MFO vem levando muito a sério a proteção de seu pessoal e investindo muito nisso, aumentando as medidas de proteção e de resposta frente uma situação de perigo e tentando minimizar qualquer dano direto ou colateral para ela.

Diálogo: Como vocês conseguem se comunicar com os militares do Egito e de Israel?

Ten Cel Rodríguez: Embora o idioma oficial dos dois países não seja o inglês, existe uma grande parte da população que entende esse idioma. De todas as formas, a MFO conta com um escritório de ligação que é encarregado de interagir com ambos os exércitos. Dentro da força contamos também com diversos tradutores que facilitam a comunicação com o Exército e a população sempre que necessário.

Diálogo: O que representa para o Uruguai o envio de tropas para o Sinai?

Ten Cel Rodríguez: Representa uma grande responsabilidade e orgulho poder continuar contribuindo com tropas armadas para a paz mundial e ser um dos pioneiros a fazê-lo. Desde pouco tempo após a criação da Organização das Nações Unidas em 1945, nosso país fornece observadores militares, inicialmente do Exército, para serem posicionados no território da Caxemira, na fronteira entre a Índia e o Paquistão (1952).

A participação internacional continuou aumentando e, em janeiro de 1982, foi posicionado um contingente de condutores de veículos utilizados na península do Sinai. Esse fato estabelece o primeiro emprego de um contingente numeroso de tropas uruguaias em outro continente, desempenhando missões de paz.

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