Exército Nacional do Uruguai prepara última missão de paz de 2017

As Forças Armadas do Uruguai contribuem para a paz na República Democrática do Congo, onde têm um contingente de 892 militares a serviço das Nações Unidas.
Carlos Maggi/Diálogo | 16 agosto 2017

Capacitação e Desenvolvimento

Uma importante porcentagem de militares uruguaios tem experiência na área operacional de missões de paz das Nações Unidas. (Foto: Carlos Maggi, Diálogo)

Mais de uma centena de militares do Exército Nacional do Uruguai prepara-se para viajar no último voo de 2017 com destino à República Democrática do Congo, onde está a base do Batalhão Uruguai a serviço das Nações Unidas, como parte da Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO, por sua sigla em francês). A viagem está prevista para a última semana de agosto, segundo informações do Coronel Luis Mangini, diretor do centro coordenador das operações de paz do Exército do Uruguai.

O contingente de militares do Uruguai caracteriza-se pelo constante apoio a orfanatos na República Democrática do Congo, onde são oferecidos alimentos, água potável e atendimento médico. (Foto: Carlos Maggi, Diálogo)

Oitocentos e noventa e dois homens e mulheres do Exército, da Aeronáutica e da Marinha integram o contingente do Uruguai. O aperfeiçoamento profissional é a motivação para se apresentar voluntariamente, pois a experiência adquirida nesse tipo de tarefa, muitas vezes em condições adversas e críticas, faz com que se adquiram outros conhecimentos importantes no desenvolvimento de suas carreiras.

É importante ressaltar que as Forças Armadas do Uruguai contribuíram com pessoal nesse tipo de tarefa em países como Camboja, Moçambique, Haiti e República Democrática do Congo. O Batalhão Uruguai é uma força de reserva do comandante da força e poderá ser mobilizada em qualquer momento e em qualquer parte da República Democrática do Congo, particularmente nas províncias Kivu sul e Kivu norte, na província de Tshopo e Katanga, para apoiar o mandato da MONUSCO. Eles ficarão sob as ordens do comandante para mobilizar até duas subunidades em Kinshasa e Kisangani.

“O Exército vai substituir 100 militares nessa ocasião. Dessa forma, ficará com o batalhão completo até a próxima mudança no mês de maio de 2018”, disse à Diálogo o Cel Mangini. “Todos já estão selecionados e prontos para o voo; os preparativos não são simples, sobretudo a carga, que se ajusta de acordo com a necessidade do momento na área da missão.”

Todas as etapas de preparação da missão são informadas para a sede das Nações Unidas em Nova York, de onde são dirigidas todas as operações. Neste caso, além do pessoal, será feito o transporte de munições, peças para armamentos, veículos e fogões, juntamente com o envio de doações de roupas que serão destinadas a orfanatos no país africano, através de várias organizações sociais. O avião partirá do Aeroporto Internacional de Carrasco, no Uruguai, fará uma escala em Togo e então partirá para Kigali, Ruanda, de onde os militares e a carga continuarão por terra para chegar à sua base na cidade de Goma, na República Democrática do Congo.

A Companhia de Fuzileiros Mecanizados Bravo, formada por 120 militares, está localizada em Kisangani, a 800 quilômetros da base do Batalhão Uruguai na cidade de Goma. (Foto: Carlos Maggi, Diálogo)

“Não é uma tarefa fácil; trata-se de um trabalho que demanda muito tempo. É preciso coordenar com as autoridades de migração de Ruanda e da República Democrática do Congo para que permitam a entrada desse material, principalmente a munição”, acrescentou o Cel Mangini, que foi comandante do batalhão nesse país durante um ano. “Se não houver a coordenação correspondente, o material pode ficar retido nesse lugar.”

Atualmente, o contingente do Uruguai na área de missão tem seis por cento de mulheres, um número que cresce, levando-se em conta que a meta das Nações Unidas para todas as forças mobilizadas é a de alcançar 15 por cento. No Exército do Uruguai, as mulheres cumprem as mesmas tarefas que os homens e ambos se adaptaram à situação, superando a diferença de gênero.

A experiência de 17 anos

O atual comandante do Batalhão Uruguai, o Coronel do Exército Walter Berger, destacou a experiência do Exército na área de missão ao fazer parte da MONUSCO há 17 anos. O Cel Berger garantiu que o produto do trabalho uruguaio é o reconhecimento das autoridades das Nações Unidas e dos habitantes locais.

“Temos a capacidade e a experiência, além de uma grande porcentagem do pessoal que integra o contingente já ter várias missões de paz na bagagem. Estamos preparados, e é possível verificar isso pelo resultado das operações. Somos o batalhão de reserva da força a ser mobilizado em qualquer local da República Democrática do Congo em casos de emergência. Desde que assumimos essa responsabilidade, sabemos que a ordem pode chegar por rádio para que nos preparemos para a mobilização em qualquer direção do país”, garantiu o Cel Berger.

As Forças Armadas do Uruguai têm efetivos mobilizados em várias bases do país africano. A mais importante, pelo número de integrantes, está em Goma, com 630 militares. Na base de Kisangani está instalada uma companhia com 120 militares e a Força Aérea conta com 142 efetivos e dois helicópteros Bell 212 em Bukavu.

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