Estados Unidos e Honduras fortalecem luta contra ameaças transnacionais

Militares e policiais de elite dos dois países aumentam capacidades operacionais contra o terrorismo e o narcotráfico.
Julieta Pelcastre/Diálogo | 1 setembro 2017

Capacitação e Desenvolvimento

Pessoal da Guarda Nacional do Exército de Arkansas, Estados Unidos, compartilha conhecimento e experiência com soldados e policiais de elite de Honduras.” (Foto: Exército de Honduras)

O Exército dos Estados Unidos, por meio de seu Segundo Batalhão da 153.ª Brigada de Infantaria da Guarda Nacional do Exército de Arkansas, capacitou os soldados do Exército de Honduras e da Tropa de Inteligência e Grupos de Resposta Especial de Segurança (TIGRES), nos cursos de “Treinamento para instrutores contra as Ameaças Transnacionais e o Crime Organizado.” Os cursos fazem parte do Programa de Treinamento 2017 contra as ameaças transnacionais, realizado pelo Exército dos EUA por solicitação da Secretaria de Defesa Nacional de Honduras, segundo os acordos de cooperação feitos entre os dois países.

“Os cursos tiveram a finalidade de fortalecer as capacidades operacionais para enfrentar as várias ameaças emergentes e o crime organizado que imperam no país, além de fortalecer mais os laços de amizade com o Exército dos Estados Unidos e garantir a segurança no hemisfério ocidental”, comentou com a Diálogo o Coronel José Humberto Pérez, chefe do Departamento de Organização, Operações, Treinamento e Controle de Crises do Exército de Honduras. O terceiro e último curso de treinamento para instrutores foi realizado de 26 de junho a 16 de julho nas instalações do Segundo Batalhão de Infantaria Aerotransportada do Exército de Honduras, na região de Francisco Morazán.

Sessenta e três militares e 10 policiais de elite participaram da capacitação. O primeiro curso foi realizado de 1.º a 20 de maio e o segundo de 29 de maio a 18 de junho. Nas duas ocasiões, mais de 120 membros participaram. Durante as aulas teóricas e práticas, os militares norte-americanos altamente capacitados compartilharam seus conhecimentos e experiências em temas estratégicos como direitos humanos, combate próximo, processo de tomada de decisões e primeiros socorros. A aplicação desses conhecimentos permitiu aos militares hondurenhos melhorar suas habilidades e procedimentos sobre como planejar e realizar diferentes operações, incluindo desocupação de edifícios, liberação de reféns e atividades para encaminhar as ações contra o terrorismo e as operações urbanas.

Os comandos norte-americanos também proporcionaram instrução no uso da força, respeitando os direitos humanos e seguindo as normas vigentes. Da mesma forma, colocaram ao alcance dos alunos as ferramentas e os conhecimentos indispensáveis para brindar a primeira assistência médica a companheiros feridos em combate.

“O treinamento é a pedra angular de todo militar para o cumprimento da missão”, ressaltou o Cel Pérez. “Para nossas forças armadas, é importante manter e praticar novas habilidades, técnicas e táticas militares para contribuir nas missões contra o terrorismo, o narcotráfico e o crime organizado.”

Instrutores certificados

Ao terminar o primeiro curso, os instrutores norte-americanos selecionaram os dez melhores alunos desse ciclo para que, depois de receberem seus certificados, participem como pré-instrutores nos dois cursos seguintes. Agora os militares hondurenhos qualificados e certificados estão preparados para realizar esse treinamento nas unidades de seu exército.

Militares norte-americanos ajudam seus colegas hondurenhos a melhorar suas habilidades e procedimentos para planejar e realizar as diferentes operações. (Foto: Exército de Honduras)

“Foi um curso magnífico e intenso. [Agora] contamos com as ferramentas, os conhecimentos e a experiência para que este treinamento continue sendo realizado”, comentou à Diálogo o Capitão Heryd Francisco Videa, instrutor certificado e chefe do Departamento de Táticas da Escola de Aplicação para Oficiais do Exército de Honduras.

O programa de treinamento de 2017 terminará em setembro. Entre outros temas, os militares hondurenhos receberam instruções sobre: procedimentos de luta contra as ameaças transnacionais; comunicações operacionais; intercâmbio de especialistas sobre informação de inteligência; segurança fronteiriça conjunta; intercâmbio de especialistas em segurança e capacitação para suboficiais superiores.

“Esses treinamentos também nos ajudam a fortalecer as capacidades para enfrentar as ameaças latentes naturais, como furacões, terremotos e desastres naturais”, afirmou o Cel Pérez. Ele também apontou que desde que o Departamento de Defesa norte-americano iniciou o Programa de Treinamento, em 2013, mais de 1.280 militares se formaram nos diferentes blocos de treinamento.

Abrir fronteiras

“É muito importante abrir fronteiras para o treinamento porque isso nos leva à profissionalização, modernização e atualização de nosso pessoal”, disse à Diálogo O Capitão Wilman Alexander Torres, instrutor certificado e chefe do Departamento de Pesquisa Psicológica, Estatística e Cálculo da Escola de Aplicação para Oficiais do Exército de Honduras. “É uma honra servir e apoiar o desenvolvimento das instituições militares através do conhecimento adquirido, graças ao apoio da Guarda Nacional do Exército dos Estados Unidos, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do país.”

A capacitação das forças de segurança é acompanhada por uma série de medidas implementadas pelo Estado para fortalecer a segurança do país. Os principais objetivos são os de desarticular cartéis de drogas, extraditando narcotraficantes com perfil alto, reduzir o volume de cocaína que transita para os EUA em 40 por cento e criar o Plano Aliança para a Prosperidade do Triângulo do Norte, uma iniciativa que Honduras lidera com El Salvador e com a Guatemala, com o apoio dos EUA, da Colômbia e do México, informou a Presidência da República em um comunicado de imprensa.

“Para continuar com estes avanços significativos, temos toda a disposição de treinar todos os dias”, finalizou o Cap Torres. “Queremos oferecer uma ação melhor nas diferentes operações que se desenvolvam, reduzindo os índices da criminalidade do país.”

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