Unidos no combate ao crime cibernético

Expertos militares y otros profesionales se reunieron en un foro internacional para debatir estrategias para aplicar las mejores prácticas en materia de tecnología de la información, intercambio de información y seguridad cibernética.
Tenente-Coronel do Exército dos EUA, Jay H. Anson, chefe da Divisão de Segurança Cibernética do SOUTHCOM* | 19 maio 2017

Relações Internacionais

Especialistas cibernéticos militares e dos governos da América Latina, do Caribe e dos Estados Unidos se reuniram para o Simpósio de Comando, Controle, Comunicações, Computação e Ciberespaço de Nações Parceiras. (Foto: SOUTHCOM)

As forças militares na América Latina e no Caribe estão dando passos importantes para enfrentar os ataques cibernéticos. Repelir ataques maliciosos, proteger suas redes e parar adversários cibernéticos são todos parte de seus esforços de segurança cibernética. Essas estratégias criam o palco para a discussão de um grupo de especialistas cibernéticos militares e governamentais da América Latina, Caribe e dos Estados Unidos em seu “Simpósio de Comando, Controle, Comunicações, Computação e Ciberespaço de Nações Parceiras” (PNC5S, por sua sigla em inglês), realizado anualmente.

Argentina, Barbados, Belize, Brasil, Canadá, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Granada, Guatemala, México, Nicarágua, Paraguai, Peru, São Vicente e Granadinas, São Cristóvão e Névis, Suriname, Trinidad e Tobago, Reino Unido, Uruguai e Estados Unidos se reuniram em Miami, de 18 a 20 de abril, para falar sobre uma variedade de tópicos envolvendo tecnologia da informação, compartilhamento de informações e melhores práticas de segurança cibernética.

O Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM, por sua sigla em inglês) hospedou o evento com a participação do Departamento de Defesa dos EUA e parceiros do setor. A meta da conferência foi reunir uma variedade de perspectivas, exibir as capacitações atuais e futuras, promover interoperabilidade e abrir portas para futura colaboração ao enfrentar desafios de segurança regional comuns.

“A primeiríssima lição aprendida de várias décadas de defesa de nossas redes é que basta um único usuário negligente de computador clicar em um e-mail malicioso, o “phishing”, para colocar por terra bilhões de dólares em tecnologia de segurança cibernética”, disse o Coronel do Exército dos EUA, Jonathon R. Moelter, Oficial-Chefe de Informação do SOUTHCOM. “As campanhas para educar os usuários contra ataques por phishing e sites maliciosos são a melhor e mais eficaz defesa contra ameaças de segurança cibernética”, acrescentou.

A segurança cibernética é um desafio compartilhado por todos os países da região. “O ciberespaço está sendo explorado por criminosos, terroristas ou diferentes grupos ou indivíduos que ameaçam a segurança ou defesa dos países. Eles exploram sua anonimidade para poderem executar ataques sem ser identificados”, disse o Coronel do Exército do Uruguai, Pablo E. Camps, responsável pela equipe de resposta a incidentes cibernéticos no Ministério da Defesa Nacional. O Uruguai está trabalhando numa rede nacional de segurança cibernética para proteção contra o crime cibernético.

“O crime cibernético gera mais recursos econômicos para o crime do que o tráfico de drogas ou o crime organizado”, disse o Capitão-de-Fragata Jorge Daniel Berdón Lara, chefe do grupo de Gestão de Continuidade da Infraestrutura no Alto Comando da Marinha do México. “É importante compartilhar quais são os riscos, as ameaças e as vulnerabilidades na nossa região... Precisamos estimular o compartilhamento de informações sobre as ameaças e riscos no ciberespaço e saber quem são as pessoas que estão trabalhando com essas questões.”

De sua parte, o Terceiro Sargento Emel Jacobs, oficial de Informação e Tecnologia da Real Força Policial de São Vicente e Granadinas, explicou a importância do tópico para seu país ao enfrentarem também os ataques do crime cibernético. “A maior parte dos crimes cibernéticos não está ocorrendo apenas na nossa região, mas no mundo inteiro”, disse. “Está na Internet, e precisamos conhecer os problemas que os países estão enfrentando e ver como podemos nos ajudar mutuamente.” São Vicente e Granadinas recentemente implantou uma legislação sobre crime cibernético.

Ameaças de segurança cibernética

As redes de ameaça de segurança cibernética se envolvem em uma série de atividades ilícitas de desestabilização para danificar a infraestrutura ou gerar lucros. As Forças Armadas do Brasil estão trabalhando para abordar essa dimensão da segurança. “Estamos trabalhando arduamente na proteção dos sistemas críticos relacionados às forças militares do nosso país”, disse o Coronel do Exército Brasileiro Alan Denilson Lima Costa, cheje do Estado-Maior Conjunto do Comando de Defesa Cibernética.

Segundo o Cel Denilson, o crime cibernético visa a todos os cidadãos, empresas e governos num ritmo que cresce rapidamente. Entre as ferramentas do crime cibernético utilizadas no Brasil, segundo ele, está o roubo de dados pessoais e financeiros tais como de contas e golpes de cartão de crédito, além de os hackers capturarem informações exigindo pagamento para sua liberação. O Cel Denilson acrescentou que, embora muito trabalho esteja sendo feito internamente para combater a economia subterrânea, o Brasil também está cooperando com países do Hemisfério Ocidental e da Europa para vencer essa ameaça.

O Capitão-de-Corveta da Guarda-Costeira de Trinidad e Tobago Tonino K. Tracey (à esq.), e o Coronel do Exército Brasileiro Alan Denilson Lima Costa prestam atenção a uma apresentação durante o simpósio (Photo: Geraldine Cook/Diálogo)

Dentre os diferentes tipos de crime cibernético, o ataque por resgate “ramsonware” está aumentando significativamente. “O crime cibernético é a ameaça número um no México, mas ultimamente as estatísticas mostram que as agências governamentais estão sofrendo ataques relacionados principalmente ao roubo de dados”, disse o CF Berdón. O México está trabalhando em uma estratégia nacional de segurança cibernética para combater os ataques.

Melhoria das estratégias

Para ficar atuante nesse cenário, o SOUTHCOM criou OneNet, um sistema de informação multilateral sob a égide do programa Sistema de Informação do Ambiente de Parceiros de Missão do Departamento de Defesa dos EUA. A OneNet fornece o meio para coordenar dados classificados entre o SOUTHCOM e nações parceiras.

O Plano é ter “redes transregionais e transnacionais onde todos estejam no mesmo nível de colaboração entre os Estados Unidos, as nações parceiras e entre si”, disse o Capitão-de-Corveta da Marinha dos Estados Unidos Matthew Johnson, gerente de programa do Sistema de Informação Multinacional, o programa de informação de defesa responsável pelas redes das nações parceiras.

O CC Johnson afirmou que o objetivo final do SOUTHCOM é “ter uma rede na qual as nações parceiras se sintam à vontade operando, sem ter que se preocupar com ameaças de hackers, usuários ilegais ou usuários não autorizados. Trata-se principalmente de colaboração como um fator de conforto; elas precisam se sentir confiantes de que, quando usarem essa rede, suas informações estarão seguras e não em risco. É nossa responsabilidade como provedores técnicos reduzir esse risco ao máximo que pudermos.”

Outros tópicos cobertos na conferência incluíram ameaças internas, a Internet obscura (sites que escondem sua identidade) e contramedidas emergentes a tais desafios, como a Tecnologia Blockchain (bancos de dados seguros especiais). Contudo, após três dias, o pessoal militar, de segurança pública e o setor privado chegaram à mesma conclusão: trabalhar juntos para derrotar o crime cibernético é uma necessidade.

“A segurança cibernética é uma ameaça crescente, e há coisas que podem ser aplicáveis hoje que não o serão amanhã”, disse o Capitão-de-Corveta da Guarda-Costeira de Trinidad e Tobago Tonino K. Tracey, comandante da unidade de Segurança Portuária. “Precisamos aprender das experiências uns dos outros para implementar as medidas de segurança de que todos necessitamos”, acrescentou.

“É importantíssimo colaborar. Esses tipos de ameaças à segurança não têm limites”, disse o Cel Camps. “É muito importante participar desse tipo de intercâmbio em um ambiente multi ou bilateral, pois podemos aprender muito das lições aprendidas anteriormente [dos outros países].

O Cel Denilson concordou. “O segredo para combater o crime cibernético é a integração entre as forças armadas. Será muito difícil combatê-lo se estivermos isolados.”

*Geraldine Cook/Diálogo contribuiu para este artigo.

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