Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Unidos contra desastres naturais

A Força Aérea do Paraguai busca profissionalizar seu pessoal de forma permanente e coordenar ações regionais para a assistência e ajuda humanitária.
Geraldine Cook/Diálogo | 12 dezembro 2017

O Brigadeiro Eladio Casimiro González Aguilar, comandante da Força Aérea do Paraguai, busca incrementar as capacidades de sua força e pessoal por meio de exercícios e equipamentos. (Foto: Força Aérea do Paraguai)

O compromisso que o Brigadeiro Eladio Casimiro González Aguilar assumiu ao ser nomeado comandante da Força Aérea do Paraguai (FAP) em novembro de 2016 foi muito preciso: liderar a FAP segundo padrões éticos e morais. Um ano após esse compromisso, o Brig González ratificou sua responsabilidade institucional e profissional.

Otimista com os avanços que estão ocorrendo dentro da FAP, o Brig González ressaltou o papel de sua instituição na integração regional como ferramenta de apoio na assistência a desastres naturais. Durante sua participação na Conferência de Chefes das Forças Aéreas Sul-Americanas, realizada na Base Aérea Davis-Monthan em Tucson, Arizona, de 31 de outubro a 3 de novembro de 2017, o Brig González conversou com Diálogo sobre os desafios da FAP, a cooperação internacional e as ameaças à segurança nacional.

Diálogo: Por que é importante para a FAP participar desta conferência?

Brigadeiro Eladio Casimiro González Aguilar, comandante da FAP: Porque permite relacionarmo-nos com os países da região e obter uma melhor articulação entre as forças aéreas do continente. Analogamente, isso nos possibilita conhecer um pouco mais sobre os meios que cada força aérea tem para enfrentar as operações de ajuda humanitária.

Diálogo: Qual é sua avaliação sobre a participação das forças aéreas da América do Sul na conferência?

Brig González: A conferência nos permite acumular conhecimentos sobre as forças aéreas. Há temas com os quais lidamos em geral, mas por meio deste evento, com a apresentação das diferentes forças aéreas, incluindo a dos Estados Unidos, alcançamos uma dimensão muito mais ampla. É bastante interessante tudo o que pudemos aprender e apreciar com as apresentações que cada um dos comandantes expôs sobre a situação muito particular de cada país, os desastres naturais que ocorreram em seus territórios e a ajuda que prestaram. O problema dos desastres naturais não afeta apenas o nosso continente, mas é um problema global.

Diálogo: Qual é a experiência da FAP na ajuda a desastres humanitários?

Brig González: Em comparação com outros países que passaram por catástrofes naturais como terremotos, tsunamis e tufões, posso dizer que somos um país abençoado porque não temos muitos desastres naturais e somos um pouco menos golpeados por essas tragédias, mas também não escapamos do atual cenário mundial e das mudanças climáticas. Como somos menos afetados pela inclemência dos desastres naturais, nossas Forças Armadas, e principalmente a Força Aérea, têm muito pouca participação dentro desse contexto. Contudo, sempre estamos nos preparando nesse sentido.

Diálogo: O Paraguai é membro do Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas (SICOFAA). Qual é a participação de seu país nessa organização?

Brig González: O SICOFAA é um sistema muito importante que facilita muitíssimo a aproximação e a realização das operações aéreas, quer seja uma operação de treinamento ou uma operação real. É um sistema de ajuda mútua entre todos os países e todas as forças aéreas da América Latina. Um dos temas abordados durante a conferência é o de que necessitamos otimizar mais o SICOFAA no sentido de fazê-lo conhecer mais os diferentes órgãos estatais e internacionais, conclamar ministérios de relações exteriores, chancelarias etc. O SICOFAA é uma ferramenta muito útil.

Diálogo: Como a FAP interage com o resto das forças aéreas da região?

Brig González: Estamos sempre trabalhando em estreita colaboração com os países limítrofes. Estamos situados geograficamente no centro da América do Sul, motivo pelo qual nos chamam de “o coração da América”. Nosso país tem uma relação muito boa em termos gerais com os países vizinhos e mais ainda quando se trata das forças aéreas, ao que se soma o fato de pertencer ao SICOFAA. Sempre estamos realizando exercícios e, se surgir uma situação real de emergência humanitária, podemos dispor de todos os meios que tivermos para dar suporte ao país que assim solicitar. Tratamos também de coordenar certos eventos e atividades com outros países, especialmente a nível regional entre a Argentina, o Chile, Uruguai e Brasil.

Diálogo: Qual é seu principal desafio?

Brig González: Em primeiro lugar, dotar nossos recursos humanos dos meios necessários e, para isso, estamos trabalhando em vários projetos como a aquisição de aeronaves, de radares e tudo o que se referir a equipamentos. O segundo desafio é a preparação, capacitação e especialização de todo o pessoal, atualizando nossos recursos humanos em tudo o que estiver relacionado com a tecnologia. Nesse sentido, trabalhamos com os países da região e em especial com os Estados Unidos, enviando pessoal para que recebam treinamento e capacitação em áreas que sejam úteis à FAP.

Diálogo: Qual é a importância do relacionamento da FAP com a Força Aérea dos Estados Unidos?

Brig González: Atualmente estamos passando por um excelente momento em nossas relações bilaterais, diretamente com o Escritório de Cooperação de Defesa da Embaixada dos EUA no Paraguai, que tem sua sede em Assunção. Estamos trabalhando muito bem, realizando intercâmbios de pessoal, principalmente no que se refere a ensino com os homônimos militares que se encontram em nosso país, os agregados. A FAP conta com um oficial de ligação que presta serviços no Escritório de Cooperação de Defesa, situação que facilita muito as coordenações que forem necessárias, como, por exemplo, esse tipo de conferências, onde, mesmo antes da reunião com o pessoal da Embaixada, já se fazem os convites e se analisa nossa participação em um evento ou seminário. Isso está sendo feito não só com os oficiais mas também estamos apostando muito na educação de nossos suboficiais técnicos.

Diálogo: O narcotráfico é uma das ameaças à segurança no Paraguai. Como a FAP ajuda a combater essa ameaça?

Brig González: Há um cenário bem complicado porque o crime organizado transnacional não só está transportando drogas, mas também faz contrabando e transporte de armas, lavagem de dinheiro, tráfico humano e tráfico de órgãos. Temos fronteiras secas, principalmente com o Brasil, o que facilita que grupos de bandidos ou narcotraficantes possam passar ou se posicionar em certos setores do país. Estamos no dia-a-dia apoiando outras instituições estatais, pois por disposições legais não podemos combater o narcotráfico de forma direta. Apoiamos, por exemplo, a Secretaria Nacional Antidrogas e a Polícia Nacional, que são as instituições responsáveis por combater os narcotraficantes.

Diálogo: Qual é sua mensagem para as forças aéreas da América Latina?

Brig González: Como comandante da FAP e em nome de todos os que estão sob o meu comando, homens e mulheres, quero lhes dizer que como nação parceira, como força aérea parceira, estamos à disposição em tudo o que pudermos ser de utilidade dentro de nossas limitações. Sei que a FAP está igualmente correspondida. Nossa mensagem é de amizade, profissionalismo e de união para que façamos um trabalho melhor em equipe por nossa região, por nosso continente e ter assim um futuro a curto, médio e longo prazo que seja proveitoso para todos.

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