ONU se preocupa com violência na Venezuela

Cinco pessoas morreram e pelo menos 200 ficaram feridas, incluindo crianças e adolescentes, durante os protestos contra o regime ilegítimo de Nicolás Maduro.
Andréa Barretto/Diálogo | 21 maio 2019

Ameaças Transnacionais

Venezuelanos atravessam o rio Tachira, em abril de 2019, em busca de comida e ajuda em Cúcuta, na Colômbia, país que abriga atualmente mais de 1 milhão de refugiados e migrantes provenientes da Venezuela. (Foto: Vincent Tremeau, Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados)

“O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos está extremamente preocupado com relatos de uso excessivo da força pelas forças de segurança contra os manifestantes na Venezuela”, disse Marta Hurtado, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR, em inglês), em 1º de maio de 2019.

A declaração foi motivada pelas notícias de violência de grupos armados chamados “colectivos”, que apoiam o regime ilegítimo de Nicolás Maduro. Cinco pessoas morreram e 239 ficaram feridas durante as manifestações convocadas pelo presidente interino Juan Guaidó, nos dias 30 de abril e 1º de maio. Guaidó havia feito um chamado à população e aos militares aliados a ele para que participassem da Operação Liberdade, para restabelecer a ordem constitucional. Os Estados Unidos e mais de 50 outros países reconhecem Guaidó como o líder legítimo da Venezuela,

Os ataques violentos incluíram tiros e bombas de gás lacrimogêneo e, em resposta aos protestos, um veículo militar também atropelou manifestantes que estavam na rua. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR, em inglês) três dos mortos durante os protestos tinham menos de 18 anos. Do total de feridos, pelo menos 15 são adolescentes entre 14 e 17 anos. “Eu exorto todos os envolvidos a tomar medidas imediatamente para proteger as crianças de qualquer tipo de violência”, suplicou Henrietta H. Fore, diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância, por meio do Twitter.

O número de feridos também se refere a jornalistas que sofreram ataques enquanto acompanhavam as manifestações. “Acreditamos que pelo menos 10 jornalistas foram feridos no dia 1º de maio, incluindo cinco que foram atingidos por tiros de espingarda de caça”, informou à imprensa Ravina Shamdasani, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos, desde Genebra, na Suíça.

O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos fez ainda um apelo público para que as autoridades estatais venezuelanas lembrem da obrigação de assegurar a proteção aos direitos humanos da sua população. A ONU pediu ainda que os líderes políticos participem de debates para providenciar uma solução para essa crise. “O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos continuará a monitorar a evolução da situação no país”, concluiu o OHCHR. 

Em busca de saída

Refugiados da Venezuela desembarcam em Cuiabá, no Brasil, em abril de 2018, e são acolhidos por organizações parceiras do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. (Foto: Antonio Cruz, Agência Brasil).

As condições dos cidadãos venezuelanos vêm se agravando desde 2013, quando Maduro assumiu a presidência do país, após a morte de Hugo Chávez. Desde então, os venezuelanos são submetidos a uma crescente violência e à escassez de suprimentos básicos, como comida e remédios.

A situação provocou um êxodo massivo de venezuelanos, o que já é reconhecido como a maior crise migratória na história recente da América Latina, de acordo com a organização internacional não-governamental Human Rights Watch [Observatório dos Direitos Humanos], em seu relatório de 2018 sobre a Venezuela.

Em fevereiro de 2019, o UNHCR divulgou que o número de refugiados e migrantes de origem venezuelana chega a 3,7 milhões de pessoas. Apenas em 2018, uma média de 5.000 pessoas deixaram, por dia, o país.

A Colômbia abriga o maior número de refugiados e migrantes da Venezuela, com mais de 1,2 milhão. Em segundo lugar vem o Peru, com 700.000; depois vem o Chile, com 288.000; o Equador, com 200.000; a Argentina, com 130.000; e o Brasil, com 96.000. O México e os países da América Central e do Caribe também recebem um número significativo de refugiados e migrantes da Venezuela.

No Brasil, o UNHCR acompanha o fluxo de venezuelanos nas fronteiras, principalmente por meio de três escritórios situados em Pacaraima e Boa Vista, no estado de Roraima, e Manaus, no estado do Amazonas. “Nosso principal objetivo aí é traçar o perfil dessas pessoas e identificar suas maiores necessidades”, contou Miguel Pachioni, da assessoria de comunicação da UNHCR em São Paulo.

A partir daí a instituição tem buscado parcerias com governos, bem como com instituições públicas e privadas brasileiras, para prestar um acolhimento inicial e proporcionar, de forma mais duradoura, a inserção social de venezuelanos no Brasil.

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