Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Não há solução militar para qualquer problema do mundo atual

A Diálogo falou com o Cel. Anthony e o Cel. Viera uns meses antes da mudança de comando do Cel Anthony do WHINSEC, em 19 de julho.
Claudia Sánchez-Bustamante/Diálogo | 7 agosto 2017

O Coronel do Exército dos EUA Keith Anthony, diretor do WHINSEC, e o Coronel do Exército de El Salvador Luis Viera, subdiretor do WHINSEC, conversaram com a Diálogo sobre seus desafios, metas e realizações no comando do instituto. (Foto: Claudia Sánchez-Bustamante, Diálogo)

O Coronel do Exército dos EUA Keith Anthony, diretor do Instituto de Cooperação para a Segurança do Hemisfério Ocidental, conversou com a Diálogo sobre o seu currículo, suas realizações e os desafios que enfrenta no seu terceiro ano nessa função*, entre outros assuntos. Ao seu lado, o Coronel do Exército de El Salvador Luis Viera, subdiretor no WHINSEC, discutiu a importância da sua função e do WHINSEC, do seu ponto de vista.

Diálogo: Qual é a missão do Instituto de Cooperação para a Segurança do Hemisfério Ocidental (WHINSEC, por sua sigla em inglês)? E como ele se enquadra nos esforços de cooperação em segurança do Comando Sul do EUA (SOUTHCOM) com as nações parceiras da América Central, do Sul e do Caribe?

Coronel Keith Anthony, diretor do WHINSEC: A missão do WHINSEC é treinar e preparar militares, agentes de aplicação da lei e civis no contexto da Carta da Organização dos Estados Americanos. A forma de fazermos isso e os cursos que selecionamos estão completamente alinhados com os objetivos dos comandos de combate (COCOM, por sua sigla em inglês). Quais são as ameaças e como preparamos os líderes para responder a elas? Um dos maiores desafios no aspecto acadêmico é garantir que o currículo seja relevante e que o que estamos fazendo no Ft. Benning seja realista para as condições da região. Então, é isso o que fazemos. Treinamos militares, de cadetes e cabos até coronéis. Inclusive temos oficiais participando do Curso de Operações Conjuntas e Interagências, bem como uma gama completa de suboficiais, que nos procuram para desenvolvimento profissional de liderança. Temos civis do Ministério da Defesa em nossos cursos de logística operacional e estratégica. Algumas vezes [civis] participam do Curso de Planejamento Interagências de Ação em Crises, que é derivado do treinamento em Assuntos Civis no Centro e Escola de Guerra Especial John F. Kennedy do Exército dos EUA (JFKSWC, por sus sigla em inglês). Para agentes de aplicação da lei e outros socorristas, ajustamos o currículo para envolver mais o governo, para ser mais interagencial e mais inclusivo para todos os envolvidos no gerenciamento de crises. Quando as pessoas leem as descrições dos cursos, percebem que não há uma restrição, que é possível enviar seu melhor pessoal para lá, independentemente da área de atuação, agência ou proficiência em língua estrangeira. Durante meu comando, também incrementamos nossas ofertas em inglês, para aumentarmos a inclusão de parceiros não falantes de espanhol e, nesse aspecto, oferecemos cursos em inglês simultaneamente aos de espanhol, de forma a reunir parceiros falantes e não falantes de espanhol para estabelecer relacionamentos profissionais que gerem colaboração.

Diálogo: Por que o lema “libertad, paz y fraternidad” [liberdade, paz e fraternidade] é tão representativo desta missão?

Cel Anthony: É um lema maravilhoso, baseado nos princípios da democracia e nos seus valores. Aqui no instituto, você reforça sua confiança e segurança, faz amigos e rompe barreiras que, se estivesse em seu país natal, é bem provável que continuariam perpetuando-se. Em resumo, aqui no WHINSEC, desenvolvemos amizades profissionais. Todos os cursos tratam do desenvolvimento de liderança; não há seguidores, assim, todos – incluindo os cadetes que vêm aqui – são líderes do futuro. É disso que trata a parte de “fraternidad”. Temos isso em nossa canção, em nossas formaturas; assim, quando você ouve essa palavra, sabe que é verdade.

Diálogo: Qual o senhor considera ser o maior desafio como diretor do instituto?

Cel Anthony: Tenho alguns, mas diria que o maior deles é manter alguma agilidade, o que significa que preciso conseguir trocar de função baseado no tipo de problema. Tenho muitos chefes que contam comigo. Eu trabalho para o Comando de Treinamento e Doutrina do Exército dos EUA [TRADOC, por sua sigla em inglês]. Porém, estou aqui, em Fort Benning. Tudo o que preciso para executar minha missão com sucesso vem do comandante geral de Fort Benning. Depois trabalhamos com dois comandantes do COCOM, com missões e prioridades distintas. Eu trabalho na região [América Latina e Caribe] há cerca de 16 anos, então já tenho uma ideia de como conduzir uma cooperação de segurança. Felizmente, também conto com pessoas como o Coronel [do Exército do El Salvador Luis] Viera [subdiretor ] e outros à minha volta, que me ajudam a tomar decisões bem informadas. Assim, o maior desafio é ter uma boa comunicação e um bom entendimento do ambiente operacional conjunto, interagências e multinacional.

Diálogo: Nos três anos em que atua aqui, qual o senhor considera ser sua maior e mais importante realização?

Cel Anthony: Estou me preparando para minha mudança de comando em 19 de julho; então, penso muito a respeito disso enquanto preparo minhas observações. O mais importante é que não são minhas realizações; essas são, na verdade, realizações do instituto. Vou me concentrar em três áreas.

Atingimos novos níveis na promoção de abordagem entre agências no gerenciamento de crise. Acho que aprendi que é preciso um enorme esforço governamental para resolver esses desafios complexos do século XXI. Não há solução militar para qualquer problema do mundo atual. É importante recrutar policiais e militares para serem enviados para o WHINSEC para desenvolverem relacionamentos profissionais, mas é igualmente importante ser capaz de integrar recursos melhores e mais interoperáveis na resposta às crises. Além disso, estabelecemos o Centro para Direitos Humanos e Democracia (CHRD, por sua sigla em inglês) que, depois de 15 anos, era mais do que esperado. No entanto, não deveria ser uma questão apenas aprendida; ela precisa ser vivenciada. O CHRD tem uma responsabilidade de garantir que tudo o que fazemos esteja direcionado aos direitos humanos, caso contrário, o centro fará ajustes e acertos necessários para que seja assim. Não é apenas teoria, mas ações e decisões reais.

Estamos sempre buscando novos parceiros. Na região, nossas portas estão abertas e somos inclusivos, não exclusivos, em relação a todas as nações das Américas. Dito isso, os militares do Exército dos EUA no WHINSEC são fundamentais para os requisitos da Universidade do Exército, por meio do envolvimento com Moçambique, usando nossa habilidade quanto ao português, bem como com a África do Sul e a Ucrânia.

Agora fazemos formaturas combinadas. Como parte da Universidade do Exército, estamos trabalhando com um sistema semestral. Combinando as formaturas, os alunos podem voltar e falar sobre o WHINSEC, não apenas sobre o curso e as pessoas que encontraram nesse curso. Agora eles sabem sobre os outros cursos e a mensagem sobre a variedade e relevância dos cursos no WHINSEC está se espalhando. Quando se trata do WHINSEC, não falamos de relação bilateral, mas, sim, de relações multilaterais, e isso é uma das coisas que tento promover. Acho que essas são algumas das realizações, não minhas, mas que alcançamos nos três anos em que fiz parte da equipe. Cel Vieira, temos alguma outra realização nesse período?

Coronel do Exército de El Salvador Luis Viera, subdiretor do WHINSEC: Tornamos os cursos mais relevantes; estamos concentrados em desastres naturais e assistência humanitária. Estabelecemos parcerias com outras instituições acadêmicas, como o Columbus Technical College.

Diálogo: Cel Viera, qual o senhor considera ser sua maior conquista nesta experiência?

Cel Viera: São várias. Mas minha maior conquista é ter contribuído para esse esforço que o WHINSEC realiza desde sua criação em 2001, que é proporcionar a todos os países do hemisfério um espaço no qual nós militares, policiais e civis possamos nos educar e treinar juntos para melhorar nossa capacidade de serviço para nossos países e para a região, sobre uma base sólida de respeito e fraternidade. Com isso, recuperamos algumas ideias do passado e encaminhamos um esforço de comunicação estratégica para divulgar o trabalho que realizamos como instituto nas Américas. Esperamos transformar a revista informativa que chamamos de “Gazeta da fraternidade” em uma revista acadêmica e uma importante rede de comunicação com policiais líderes, militares e civis de alto nível, com os quais convivemos durante a época de estudante e instrutor, mas também na minha posição atual de subdiretor. Acredito que deixamos uma semente para que isso ocorra em um futuro próximo.

Diálogo: Que lições aprendidas durante essa experiência o senhor levará consigo para o próximo posto?

Cel Anthony: Vou ser Conselheiro do Departamento de Defesa no Departamento de Estado, então, a resposta é: muita coisa. Primeiramente, [levarei] a importância da abordagem de problemas de maneira conjunta, de maneira interagencial e multinacional. Como tenho outros nove coronéis trabalhando para mim, desenvolvi um conselho de coronéis. Todas as quintas-feiras, discutimos tópicos de interesse e nos conhecemos melhor. Eles também me informam sobre o que está acontecendo em todo o instituto, do ponto de vista deles, e tem sido muito esclarecedor aprender um pouco da perspectiva internacional e interagencial deles sobre determinadas áreas. Consegui fazer ajustes e acertos por conta de nossas discussões. Nessa reunião de duas horas, conseguimos alcançar muita coisa juntos. Esses são futuros líderes que assumirão posições de destaque quando voltarem aos seus respectivos países.

Diálogo: E os caminhos deles se cruzarão em algum ponto…

Cel Anthony: Isso mesmo. Há uma lição: aproveitar o conhecimento, a experiência e a sabedoria das pessoas que tenho no instituto, e tentar realizar algo de valor que será visto no futuro.

Além disso, gostaria de falar de algo que considero importante. Nos últimos dois anos, o WHINSEC foi vencedor do prêmio Instrutor do Ano do TRADOC. Não há uma categoria internacional, mas o Coronel do Exército do Chile Luis Felipe Cuellar foi selecionado pelo TRADOC como Educador do Ano para o exercício de 2015. Temos muito orgulho desse fato. E acabei de descobrir que ganhamos o prêmio Instrutor do Ano na categoria oficial para o exercício de 2016 com o Capitão do Exército de El Salvador Rafael Monterrosa, em que os outros finalistas vieram do JFKSWC e do Centro de Excelência de Artilharia de Campo, sendo pessoas extremamente capazes. Foram dois em dois anos; isso diz muito sobre o nível e a qualidade dos instrutores que os países enviam para o WHINSEC.

Diálogo: Cel Viera, o que o senhor vai aproveitar dessa experiência e qual é a importância de estar aqui como subdiretor?

Cel Viera: Em primeiro lugar, agradeço imensamente pela oportunidade que meu país e minha instituição me deram para servir nessa posição, nesse centro de estudos que admiro muito e onde fui estudante e instrutor. É claro, agradeço ao WHINSEC por nos considerar para um cargo tão alto dentro do instituto. A relação de trabalho com nosso diretor me levou à liderança humana; admiro muito a forma como ele dirige esta organização especial, colocando o lado humano em todas as decisões que toma, porque é fácil dar ordens e ser frio nesse esforço sem deixar de ser um bom líder, mas humanizar todas as decisões é diferente, especialmente quando se trabalha em um ambiente multinacional, onde, além do ser humano, a relação entre os Estados e as instituições dentro desses Estados está envolvida.

Por outra parte, como subdiretor, sou responsável perante nosso diretor, entre outras coisas, pela administração de todos os assuntos que afetam o pessoal internacional e suas famílias. Nesse esforço, presido uma junta assessora formada por oficiais e suboficiais da polícia e militares com hierarquia mais alta dos países representados no WHINSEC, com quem abordamos vários temas para assessorar de forma oportuna o comando do instituto no processo de tomada de decisões. Estamos falando de profissionais de diferentes países, com grandes capacidades e experiências, com ideias diferentes para o tratamento do mesmo problema. Neste momento, tenho seis membros da junta com o mesmo grau que eu. Portanto, mediar para que essas posturas se transformem em uma assessoria útil para o WHINSEC é uma experiência que jamais esquecerei. Em um ambiente conjunto, interagencial, multinacional e multicultural, como o que se ensina e se vive no WHINSEC, a função de líder é mais complicada porque há elementos que intervêm no tratamento de qualquer problema que não interviriam em outros ambientes, como, por exemplo, a sensibilidade nacional, as diferenças culturais, as particularidades do idioma etc. Isso me leva a concluir que a tolerância, o respeito às diferenças individuais e coletivas e o aproveitamento de nossas capacidades são a chave para o êxito no combate às ameaças que afetam nossa região, que exigem não apenas o esforço de todas as instituições que formam um Estado, mas também de dois ou mais Estados.

Diálogo: Qual é o reflexo que o currículo tem sobre os valores promovidos pelo WHINSEC no hemisfério ocidental?

Cel Anthony: O currículo em si é baseado na carreira das armas, no que ensinamos ao Exército dos EUA e suboficiais, nos aspectos ético, moral, jurídico...; tudo o que ensinamos está relacionado com isso. Porém, também ensinamos direitos humanos. Acredito que somos a única escola do Exército dos EUA em que o ensino de direitos humanos é obrigatório. Isso é muito importante e é a base de tudo o que fazemos. Se não tivéssemos que ensinar qualquer outra coisa, nossa obrigação de ensinar direitos humanos e a carreira das armas aqui na região permaneceria. O que torna os cursos relevantes são os proponentes (o Exército e outras escolas que desenvolvem doutrinas). Esses proponentes nos fornecem as informações, garantem que a doutrina seja atual e, então, os COCOMs garantem que nossos programas de instrução e o currículo sejam relevantes para a região. Ensinamos táticas de pequenas unidades, patrulhamento, mas também apresentamos agentes de aplicação da lei federal dos EUA para auxiliar no ensino de uma parte do currículo. Assim, membros da DEA [pela sigla em inglês de Agência Antidrogas dos EUA], do FBI [pela sigla em inglês de Escritório Federal de Investigação], de HSI [pela sigla em inglês de Investigações de Segurança Interna] e do CBP [pela sigla em inglês de Serviço de Alfândega e de Proteção das Fronteiras] passam um tempo em Ft. Benning ministrando alguns de nossos cursos; isso garante a cooperação e a relevância entre agências, pois alguns países não contam com forças armadas.

Diálogo: A segunda parte desta pergunta é: como o currículo muda conforme o desenvolvimento de necessidades e interesses na região?

Cel Anthony: Por meio do envolvimento de líderes, por meio de interações com nossos instrutores, por meio de interações com nossos alunos e, mais uma vez, com os COCOMs. As mudanças acontecem, mas não de uma hora para outra. Obtemos essas informações, enviamos de volta para o TRADOC, pedimos que as analisem e, depois, recebemos um retorno. É cíclico. Porém, fazemos isso muito bem, porque temos uma experiência de 16 anos. Ainda falamos de desastres naturais, ainda falamos de tráfico ilegal. Ainda há problemas de estabilidade e segurança que precisam ser tratados. Nossos cursos precisam ser úteis para os nossos parceiros regionais.

Diálogo: Como os alunos são selecionados para frequentar o WHINSEC?

Cel Anthony: Primeiro, os países os selecionam; cada serviço militar ou instituição de aplicação da lei seleciona os alunos em conjunto com o Escritório de Cooperação de Segurança na Embaixada dos EUA de cada país. Eles analisam os candidatos e, em seguida, o Departamento de Estado aprova essa lista e emite os vistos. Quando o processo estiver concluído, eles chegam ao WHINSEC para sua instrução.

Diálogo: Com quais aspectos de segurança o senhor sente que os alunos estão mais preocupados? E esses aspectos variam entre os cursos?

Cel Anthony: Variam de acordo com o número de alunos de países representados e com as ameaças mais importantes para eles. As mais importantes seriam as atividades de tráfico ilegal, desastres naturais, segurança, estabilidade e participação em operações de manutenção da paz da ONU. Acho que as prioridades continuam a existir nessa região e toda essa tendência transregional e transnacional é muito maior do que apenas nessa região. É interessante que ainda vemos o mundo como norte-sul: NORTHCOM [pela sigla em inglês de Comando Norte dos EUA], SOUTHCOM, PACOM [pela sigla em inglês de Comando Pacífico dos EUA]. Os brasileiros estão atuando na África, os peruanos estão trabalhando com o PACOM e participando de exercícios com chilenos e países asiáticos. Assim, a natureza dos tipos de ameaça que estão ocorrendo também é transregional, não apenas transnacional.

Diálogo: Como o senhor acha que os títulos e os cursos disponíveis no WHINSEC fazem com que os alunos sejam profissionais de defesa mais capacitados em seus respectivos países?

Cel Anthony: Eles já eram profissionais de defesa e segurança muito bons, mesmo antes de entrarem no WHINSEC. Quando chegam aqui, nós oferecemos processos de planejamento e metodologias, que chamamos de MDMP [pela sigla em inglês de Processo de Tomada de Decisão Militar] e JOPP [pela sigla em inglês de Processo de Planejamento de Operações Conjuntas], que eles podem levar para os seus países de origem, sem contar os exercícios práticos em liderança. A importância disso é que podemos aumentar a capacidade deles na interoperabilidade com os Estados Unidos ou com seus vizinhos. O WHINSEC tem sido um sucesso. Pedimos que adaptem o que aprendem aqui e levem de volta e apliquem às condições dos seus países. Eles não têm Strykers, não têm tanques M1 nem Bradleys; então, eles levam para casa o que aprenderam aqui e usam o que for aplicável. É essa a ideia; assim, em uma crise, não estamos aprendendo no mesmo momento em que respondemos a uma crise. E todos os países que vêm aqui levam isso com eles. O Cel Viera, por exemplo, fez todo o curso da Escola de Comando Geral e Estado-Maior (CGSC, por sua sigla em inglês) e o levou para El Salvador. Você sabia que é muito fácil trabalhar com El Salvador? Está comprovado, pois era nosso parceiro de coalizão no Iraque. Eles não entenderiam nosso processo de logística no Iraque se não tivessem estado aqui. Todos eles dizem que gostariam de expandir seu conhecimento da doutrina do Exército dos EUA.

Diálogo: Na sua opinião, qual é a importância de implementar essa iniciativa de ter um subdiretor da região trabalhando com o senhor? Como isso aumenta a abrangência do programa do WHINSEC e as interações com as nações parceiras?

Cel Anthony: Bem, eu promovo esse ponto e sei que o WHINSEC também o promove, pois começou dessa maneira em 2001. Porém, só será tão bom e útil como as pessoas aqui no WHINSEC. Para mim, é fundamental. Há muito trabalho a ser feito. Como disse antes, tenho várias funções e, felizmente, o Cel Viera me ajuda muito. Nem discuti os problemas internacionais que o diretor teria que resolver se não tivéssemos um subdiretor internacional. Tenho plena confiança no Cel Viera e no conceito de subdiretor internacional. Eu tinha a certeza absoluta de que, quando eu me ofereci como voluntário para uma missão de consultoria de cinco meses na Ucrânia, o Cel Viera poderia atuar como diretor. Ele fez um trabalho espetacular, assim como o instituto como um todo, o que diz muito sobre o Comando da Missão no WHINSEC.

Eu falo russo e gostaria de contribuir. Também gostaria de ser relevante com o Exército dos EUA aqui no TRADOC. O TRADOC tinha uma missão, uma necessidade de ir para a Ucrânia. Fiquei lá cinco meses e meio como parte da primeira equipe para orientar os ucranianos sobre a interoperabilidade da OTAN e a mudança da doutrina pós-soviética deles para algo mais moderno, para que pudessem operar lado a lado com a OTAN e com os parceiros europeus. É o que fazemos aqui, então a decisão de ir com essas atribuições foi muito fácil. Sabendo disso e do meu desejo pessoal e da capacidade do Cel Viera, contei com ele por esses cinco meses. E ele fez um trabalho excelente, que promoveu e acentuou a importância da posição. O Cel Viera representou o WHINSEC servindo como diretor interino. Acredito que esse seja o motivo agora pelo qual todos os nossos instrutores enviam relatórios de volta para os seus países e falam a respeito de vir para o WHINSEC, quer seja como instrutores ou o [próximo] subdiretor ou subtenente internacional. O Brasil se ofereceu como voluntário para enviar um coronel ao WHINSEC em meados de 2018, para atuar como o próximo subdiretor internacional. É, com certeza, o país certo no momento adequado para preencher essa posição de liderança crítica no WHINSEC.

Cel Viera: Como mencionava o Cel Anthony, os estudantes que vêm ao WHINSEC são os mais destacados, os melhores de seus países. Na junta assessora que presido, tenho que lidar com essa situação, porque todos têm contribuições excelentes, as quais desejam que sejam levadas em conta para o fortalecimento do WHINSEC. Uma das minhas funções é a de ser um mediador entre essas contribuições e o comando do instituto.

Diálogo: Qual é a importância, na sua opinião, de também incluir um curso para desenvolver corpos de suboficiais na região?

Cel Viera: Sim, atrevo-me a garantir que todos os países no hemisfério desejam ter um corpo de suboficiais como o dos Estados Unidos. Mas entendemos que esse foi um processo de mais de 70 anos, muito caro, porque eles devem ser preparados. Já vi suboficiais ainda mais preparados que os oficiais. Então a boa notícia no caso de El Salvador é que, apesar dos recursos escassos, estamos percorrendo esse caminho com firmeza. Temos suboficiais com preparação universitária, por exemplo, na área jurídica. Afinal, não se trata apenas de ter um corpo de suboficiais preparados, mas que eles demonstrem estar preparados. Portanto, o WHINSEC foi uma escola para nós nesse sentido.

Com a profissionalização da força armada pós-conflito, vir ao WHINSEC e a outras escolas dos Estados Unidos nos ajudou a entender a verdadeira dimensão do papel do suboficial. Trata-se de um complemento ideal para a preparação e condução das unidades e está claro que somos dois profissionais complementares e que juntos formamos uma dupla necessária para o êxito da missão de toda a unidade militar. Graças ao WHINSEC, os países da região aprenderam que quando os cadetes vêm e têm sargentos como instrutores, esse é um aprendizado do qual eles nunca se esquecerão, porque eles aprendem a valorizar a experiência e o profissionalismo do corpo de suboficiais desde o início.

Cel Anthony: Como o senhor diz, já conhecem o conceito e a importância, que é o mais importante.

Cel Viera: Não temos os recursos que os Estados Unidos têm, mas a doutrina, o conceito, esses sim são úteis com os meios que temos. O WHINSEC é um tesouro que nos possibilita não apenas uma relação bilateral. Não há outro lugar além deste em que um salvadorenho possa se reunir com um brasileiro ou com um chileno, sejam eles policiais, militares ou civis, para aprender todos de uma forma multilateral impressionante. Isto só acontece aqui.

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