Tática anti-FARC colombiana pode ser útil ao México

A mais antiga insurgência colombiana, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), não tem a mínima intenção de se render — apesar de uma série de reveses que culminaram na morte de seu comandante maior e a dificuldade em recrutar novos membros.
Jamie Dettmer | 17 janeiro 2012

A mais antiga insurgência colombiana, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), não tem a mínima intenção de se render — apesar de uma série de reveses que culminaram na morte de seu comandante maior e a dificuldade em recrutar novos membros.

Na verdade, os líderes da organização terrorista estão ansiosos por provar que as previsões da derrocada do grupo podem ser prematuras. Nas últimas semanas, eles lançaram uma série de ataques, incluindo a duas cidades no departamento de Cauca, no sudoeste do país. Em confrontos separados na província de Tolima com a 6ª Brigada do Exército Colombiano, ele mataram um oficial não comissionado e três conscritos.

As províncias de Norte de Santander e Putumayo também assistiram a uma escalada das ações das FARC na virada do ano, que deixaram uma mulher e seu bebê mortos e mais de 20 feridos.

Mas os militares colombianos e autoridades civis veem os recentes ataques das FARC como o último recurso de um movimento que perdeu sua razão de ser e que sofre com a dissidência.

E permanecem confiantes de que o movimento guerrilheiro está vulnerável e se enfraquece rapidamente, com divisões sobre a estratégia se ampliando e a ocorrência de debates quanto ao prolongamento da insurgência.

FARC estão perdendo terreno, segundo general

“Eles perdem mais terreno a cada dia”, declarou o general Alejandro Navas, comandante das Forças Armadas da Colômbia, ao jornal El Nuevo, de Bogotá. O recrutamento se tornou mais difícil e o isolamento do movimento dos colombianos comuns é praticamente total agora, disse, sustentando que os guerrilheiros estão “a caminho da derrota, sem dúvida.”

Porta-vozes do exército calculam que as FARC perderam metade de seu efetivo nos últimos anos, caindo de 16.000 para 8.000 membros. Analistas independentes concordam, acrescentando que a organização terrorista, apesar dos milhões de dólares que arrecada com o comércio de drogas, busca pôr um fim na sua longa batalha.

Para o analista militar Alfredo Rangel, o assassinato em novembro último pelos militares colombianos do comandante supremo das FARC, Alfonso Cano, será visto como o ponto de virada.

“O governo desferiu um duro golpe com a morte de Cano”, afirmou Rangel, ressaltando que isso levará a inúmeras deserções, reduzindo ainda mais o poder da guerrilha. Outro famoso estudioso colombiano, Ancízar Marroquín, disse que “o desaparecimento de líderes históricos das FARC pode anunciar a desmobilização do grupo guerrilheiro.”

Como isso acontecerá, ninguém sabe ao certo. Rangel acha que o novo líder do movimento, Rodrigo Londoño Echeverry — vulgo “Timochenko” — de 52 anos, lutará até o fim para manter sua reputação de militar durão. Outros analistas, como Marroquín, suspeitam que o fim pode estar mais próximo, mas apoiam a ideia de que o governo deveria se concentrar em destruir as unidades mais eficientes do grupo.

México pode utilizar táticas colombianas

Não há sinal de calmaria no ar. O presidente Juan Manuel Santos parece mais determinado do que nunca a promover o fim de uma insurgência que assola a Colômbia há décadas.

Países próximos, mais notadamente o México, monitoram de perto os acontecimentos na Colômbia de forma a avaliar que consequências a queda das FARC pode lhes trazer — e, mais urgentemente, examinar se as táticas colombianas podem ser úteis no combate aos seus próprios desafios na área de segurança.

Governos centro-americanos estão impressionados com o sucesso da Colômbia no enfrentamento das FARC. Desde 2002, o número de municípios que a guerrilha comanda caiu de 377 para 142.

Recentemente, Santos deu a entender que a Colômbia tem muito a oferecer aos vizinhos em termos de conhecimento e tática, acrescentando que compartilhar informações sobre as ligações das “frentes” das FARC com cartéis mexicanos, como o Los Zetas, pode auxiliar agências legais em toda a América Central.

A Colômbia conhece bem as operações antidrogas. Além de lutar contra as FARC, as autoridades do país desmantelaram duas das mais poderosas organizações criminosas do mundo na década de 1990: o cartel de Medellín, de Pablo Escobar, e o cartel de Cali.

Embora haja grandes diferenças entre as duas situações – as FARC continuam sendo uma insurgência que visa derrubar o governo, enquanto o crime organizado no México não possui ideologia política — autoridades mexicanas esperam claramente adquirir experiência com a Colômbia na guerra contra o tráfico de drogas.

O general Luís Alberto Pérez, diretor da Polícia Antidrogas da Colômbia, afirmou que no ano passado, mais de 100 policiais e soldados mexicanos foram treinados pelas forças especiais colombianas. Os cursos de comando, com duração de quatro meses, incluem treinamento na selva, ataque a quartéis-generais fortemente armados e o uso de armas de assalto e explosivos.

Segundo Pérez, outros países podem aprender muito com a estratégia anti-insurgência do país, conhecida como Plano Colômbia, que, em si, sustenta três objetivos principais: limpar o território de insurgentes, recuperar os territórios tomados pela guerrilha ao mesmo tempo que em que enfraquece o financiamento proveniente das drogas das FARC e, por fim, cortar os laços entre os moradores locais e as guerrilhas, promovendo o desenvolvimento econômico e social.

Os cartéis mexicanos têm a mesma determinação das FARC de controlar e dominar territórios. Embora a polícia e os militares não estejam frente a um grupo armado uniformizado como as FARC, eles enfrentam narcotraficantes que empregam cada vez mais táticas terroristas, como emboscadas, ataques a bomba e combate às autoridades com armas durante as operações.

Autoridades mexicanas não estão apenas interessadas em observar as táticas militares colombianas. A província de La Macarena — um antigo reduto das FARC que o governo tomou da guerrilha — tem sido foco de programas de desenvolvimento implantados pela administração Santos, de modo a impedir o retorno da violência e do tráfico de drogas à região.

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