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Subcomandante da Força Aérea do Suriname quer mais colaboração regional

A Força Aérea do Suriname quer interagir com os países da região para combater desafios conjuntos de segurança.
Geraldine Cook/Diálogo | 7 maio 2018

O Major Marven Van Huisduinen, subcomandante da Força Aérea do Suriname, quer formar parcerias com as forças irmãs da América Latina e do Caribe para contra-atacar as ameaças comuns de segurança. (Foto: Força Aérea do Suriname)

O Major Marven Van Huisduinen, subcomandante da Força Aérea do Suriname (SAF, em inglês), tem como foco o crescimento da sua força aérea e a parceria com as forças aéreas irmãs na América Latina e no Caribe para reforçar suas capacidades. O chefe das operações aéreas do Suriname participou do terceiro Simpósio de Intercâmbio do Hemisfério Ocidental, organizado pela Academia Interamericana das Forças Aéreas (IAAFA, em inglês), de 12 a 16 de março de 2018, em San Antonio, Texas.

No simpósio, o Maj Van Huisduinen se reuniu com seus colegas e outros oficiais de alto escalão das forças armadas da região para compartilhar lições aprendidas sobre ajuda humanitária e resposta a desastres, manutenção de aeronaves, comando e controle de espaço aéreo e operações contra o narcotráfico. Durante uma entrevista com Diálogo, ele falou a respeito de suas preocupações com relação ao tráfico de drogas e às atividades ilegais dentro das fronteiras do Suriname, além da colaboração regional para confrontar as ameaças comuns.

Diálogo: Qual é a importância da participação da Força Aérea do Suriname no Simpósio de Intercâmbio do Hemisfério Ocidental?

Major Marven Van Huisduinen, subcomandante da Força Aérea do Suriname: É importante porque estou buscando possibilidades de treinamento e operações com as nações parceiras. Não temos os recursos no momento, mas temos o pessoal. Se eu não puder lhes fornecer os recursos com os quais trabalhar ou treinar, pelo menos posso buscar possibilidades em termos de desenvolvimento de capacitação, aquisição de conhecimento e experiência.

Diálogo: Qual é a sua avaliação da participação das forças aéreas regionais no evento?

Maj Van Huisduinen: Todos estão fazendo a sua parte. Quero estar nessa posição no futuro, fazendo minha parte como parceiro regional. Se alguém precisar de ajuda, pode pedir e nós forneceremos. É a segunda vez que participo de um simpósio onde aprendi que a maioria dos países da América do Sul trabalham juntos se houver uma necessidade, seja ela humanitária ou de outro tipo. Todos trabalham juntos e eu quero fazer parte disso. Quero que o Suriname faça parte disso.

Diálogo: A SAF já teve estudantes na IAAFA?

Maj Van Huisduinen: Não tivemos participantes ainda, mas estamos trabalhando nisso. Um dos nossos principais obstáculos é que somos uma população de língua holandesa. Existem muitas pessoas lá que são proficientes no idioma inglês, mas não muitas em espanhol.

Diálogo: Um dos principais temas discutidos foi a assistência humanitária e a ajuda em desastres. Como a SAF se prepara para responder a esses desafios?

Maj Van Huisduinen: Não temos desastres naturais como o restante dos países da região. O único desastre natural que temos é durante a temporada de chuvas.

Diálogo: Qual é a sua conclusão a respeito dos temas discutidos no simpósio?

Maj Van Huisduinen: Definitivamente, o simpósio ofereceu uma riqueza de conhecimentos com as reuniões informativas e os locais que visitamos. Há possibilidades suficientes para o que eu planejo fazer com o meu pessoal. Preciso trabalhar nas possibilidades e benefícios de ter laços mais estreitos ou parceria com a IAAFA.

Diálogo: O tráfico de drogas é uma preocupação de segurança no Suriname?

Maj Van Huisduinen: O tráfico de drogas é um problema central, mas também temos outras atividades ilegais, como o contrabando de ouro e a exploração ilegal de madeira e pesca. Meu foco principal está em como comandar, controlar e defender nosso espaço aéreo para contra-atacar o tráfico de drogas. Existe muita droga cruzando o Suriname até a Europa, o Caribe e o resto do mundo. Infelizmente, nós não temos os recursos para cobrir todo o espaço aéreo e as fronteiras; tudo está aberto e todos podem fazer o que quiser.

Diálogo: O terrorismo é uma ameaça para o seu país?

Maj Van Huisduinen: Na verdade, não. Houve um incidente onde duas pessoas foram presas por atividades terroristas, mas não há prova suficiente de que estavam planejando algo.

Diálogo: Como a SAF ajuda a contra-atacar os problemas de segurança?

Maj Van Huisduinen: A única contribuição que podemos oferecer agora é o apoio ao Exército com helicópteros, porque temos só três. Nós apoiamos a polícia com pessoal para a segurança na periferia.

Diálogo: O Exército Nacional do Suriname coopera com outras forças na região para contra-atacar as ameaças comuns?

Maj Van Huisduinen: Tivemos conversas com os brasileiros para participar do Sistema de Vigilância da Amazônia, que é um sistema que controla a região amazônica. Também fizemos intercâmbios e treinamento com a guarda costeira dos Estados Unidos. Treinamos pessoal no Brasil, e há uma cooperação militar contínua com eles em pequena escala.

Diálogo: Como a SAF integra as mulheres?

Maj Van Huisduinen: Temos uma suboficial. Não temos muitas mulheres nas nossas forças armadas. Há algumas em outros ramos, mas ainda não há muitas com interesse na Força Aérea. Nossa Força Aérea foi criada em 1982 e é composta de aproximadamente 120 pessoas. É uma força aérea pequena.

Diálogo: Qual é a sua mensagem para a região?

Maj Van Huisduinen: Olhando para o mundo agora, podemos ver que a União Europeia, o pacto asiático e todos os outros países estão se unindo por razões diferentes e estão formando pactos. A integração das Américas é importante porque, juntos, somos mais fortes.

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