Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Uma forte parceria com seus vizinhos

A Força de Defesa de Barbados tem uma forte parceria com as Forças Armadas, a polícia e outros órgãos de segurança na região do Caribe.
Geraldine Cook/ Diálogo | 4 maio 2017

O Coronel Glyne Grannum, comandante da BDF, acredita que os esforços colaborativos dos países da região são a única maneira de combater as ameaças de segurança transregional. (Foto: Geraldine Cook/Diálogo)

Barbados está localizada no coração do Caribe oriental e possui praias de areia branca, águas azuis calmas e penhascos íngremes que atraem turistas de todo o mundo. Contudo, como seus vizinhos, também enfrenta desafios de segurança que estão fazendo com que suas forças de segurança se tornem cada vez mais vigilantes. O tráfico de drogas, tráfico ilegal de armas e outras atividades criminosas estão mantendo a Força de Defesa de Barbados (BDF, por sua sigla em inglês) muito ocupada no mar e em terra para neutralizar as ações criminosas.

Criada em 1979, a BDF é responsável pela defesa de Barbados e por outros deveres que o Conselho de Defesa determine. A organização militar tem três componentes: o Regimento de Barbados (força terrestre), a Guarda-Costeira de Barbados (elemento marítimo) e o Corpo de Cadetes de Barbados.

O Coronel Glyne Grannum, chefe do Estado-Maior e comandante da BDF, falou com a Diálogo no “Seminário Regional do Caribe sobre o Combate a Redes de Ameaça Transregionais e Transnacionais (T3N, por sua sigla em inglês)” realizado em Bridgetown, em Barbados, de 21 a 23 de março. Entre os tópicos discutidos, o Cel Grannum declarou que estão fazendo avanços na cooperação de segurança regional a fim de enfrentar conjuntamente as redes de ameaças. Ele também falou sobre a missão, as metas e prioridades da BDF para 2017.

Diálogo: Qual é a importância do seminário que está sendo realizado em Barbados e de a BDF servir como co-anfitriã?

Coronel Glyne Grannum, comandante da BDF: A BDF muito se orgulha e se beneficia de ser co-anfitriã do seminário em Barbados juntamente com o Sistema de Segurança Regional (RSS, por sua sigla em inglês). Reconhecemos a importância da segurança da região do Caribe, da segurança da área de operação do RSS, bem como da segurança de todo o hemisfério, porque as questões que enfrentamos são ameaças transnacionais que migram livremente através de todas as nossas porosas fronteiras. O seminário é uma excelente oportunidade para podermos nos reunir, intercambiar ideias e discutir políticas e estratégias para combater as T3N. Temos a honra de que esse excelente grupo de pessoas do Perry Center tenha vindo aqui e tenha compartilhado suas visões sobre ameaças transnacionais, bem como os Estados caribenhos, suas forças militares, forças policiais, outros serviços de segurança, como alfândega e imigração, e oficiais dos ministérios da Defesa. O seminário realmente ajuda a ilustrar e reunir os diferentes pontos de vista e experiências de todas as pessoas envolvidas em defesa, porque a comunidade de segurança composta pelas forças e agências de todos os países participantes compreende essencialmente uma aliança necessária para combater problemas de segurança transnacional.

Diálogo: O que a BDF espera obter desse seminário?

Cel Grannum: Primeiramente, reforçar as posições de nossos Estados membros e parceiros internacionais na defesa no hemisfério para fortalecer suas estratégias e programas no combate às T3N. Desta forma, beneficiamos Barbados ao também reduplicarmos nossas estratégias nacionais. Em segundo lugar, alcançar o desenvolvimento de nossos oficiais de médio e alto escalão que precisam de exposição nesse nível, bem como entender melhor as questões transnacionais, para que, no final, possam participar melhor de futuros eventos, como operações de segurança, programas e estratégias para proteger nosso país.

Diálogo: Qual é o foco principal da BDF?

Cel Grannum: Nosso foco principal é a defesa e segurança de Barbados. Na verdade, nossa função envolve trabalhar como parte da moderna família conjunta de interagências de forças e serviços de segurança. Um dos nossos principais objetivos é o de melhorar a cooperação e eficácia operacional com a Real Força Policial de Barbados através do fornecimento de assistência militar ao poder civil. Nossa missão também inclui – como membro do RSS e membro da comunidade caribenha mais ampla – podermos conduzir operações conjuntas e combinadas similares com parceiros regionais, para tratar de problemas de segurança domésticos e transregionais. Ao mesmo tempo, não queremos perder de vista a necessidade de executar tarefas operacionais de defesa civil, uma vez que estamos no meio de uma zona de furacões muito ativa. Nosso papel é muito amplo em termos de lidar com muitas ameaças e riscos ambientais multidimensionais e entrelaçados. Continuaremos a lidar com desafios de segurança, crime organizado transnacional e também estaremos prontos para lidar com os efeitos do terrorismo na região e as tarefas de assistência humanitária.

Diálogo: Qual é o foco dos seus esforços militares como chefe do Estado-Maior da BDF?

Cel Grannum: Além do foco da BDF como um todo, nosso esforço militar inclui manter uma presença em nosso domínio marítimo com a capacidade de monitorar e interceptar atividades ilegais. Em terra, nosso foco é estarmos prontos para dar suporte ao poder civil e à força policial, em todos os aspectos de operações, e fornecer assistência humanitária e ajuda em casos de desastres nos domínios tanto terrestres como marítimos.

Diálogo: A BDF foi estabelecida em 1979; como seus componentes principais – o Regimento de Barbados, a Guarda-Costeira de Barbados e o Corpo de Cadetes de Barbados – operam em conjunto?

Cel Grannum: Eles operam muito bem em conjunto. O Quartel-General da Força é a autoridade suprema das três unidades. Há uma medida muito alta de interoperabilidade entre o Regimento de Barbados, como força terrestre, e a Guarda-Costeira de Barbados, como o componente marítimo da força, em termos de prestar serviços de segurança por toda a ilha de Barbados. Uma interoperabilidade muito eficiente e muito eficaz tem sido um de nossos principais pontos fortes nesses anos.

Diálogo: Qual é a função da BDF no RSS?

Cel Grannum: O RSS abrange sete Estados membros: Antígua e Barbuda, a Comunidade de Dominica, Granada, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, e, logicamente, Barbados. As forças dos Estados membros do RSS aplicam um esforço de colaboração para a segurança da região. O papel da BDF como parte do RSS é contribuir militarmente, em terra e no mar em conjunto, e estar pronta para participar de operações deliberadas ou de resposta rápida para lidar com desafios de segurança em qualquer dos Estados membros. Desde sua criação em 1982, a BDF tem participado de inúmeras operações de assistência humanitária e ajuda em casos de desastres, bem como em diversas operações de segurança que aportaram recursos conjuntos dos sete Estados membros. A BDF também tem a honra de atuar de uma forma mais deliberada como parte de uma cooperação e um tratado mais amplos com a CARICOM [Comunidade Caribenha, por sua sigla em inglês], por exemplo, participando de operações no Haiti (1994-1996) e da Copa Mundial de Críquete (2007). Mais recentemente, a BDF participou das missões de assistência humanitária e ajuda do RSS em casos de desastres para a Dominica, após a passagem da tempestade tropical Erica (2015), e para a Real Força Policial de São Cristóvão e Névis em São Cristóvão e Névis, para operações de segurança (2016).

Diálogo: Qual é sua maior preocupação em termos de segurança regional em Barbados?

Cel Grannum: A segurança regional é dominada há muitos anos por ameaças do narcotráfico e dos carregamentos de maconha e cocaína da América do Sul para a América do Norte e Europa e pelos efeitos do aumento da criminalidade, principalmente com crimes de gangues violentas. Não podemos perder de vista também os efeitos na saúde pública do tráfico de drogas e armas, com impacto muito negativo dentro das comunidades e estados. No futuro imediato, e como foi documentado nas fontes da mídia aberta, parece haver um aumento na produção de cocaína em algumas das regiões produtoras da América do Sul. O tráfico de drogas, bem como o contrabando ilegal de armas e potencialmente de pessoas através de nossas fronteiras, provavelmente continuarão sendo as ameaças mais significativas que devemos abordar e enfrentar de forma mais ativa.

Em relação ao terrorismo, sabemos que o ambiente global ainda é instável, conforme vimos eventos terríveis ocorridos na Europa, em partes da África e nos Estados Unidos. Infelizmente, continuam ocorrendo ataques de lobos solitários por parte de indivíduos que são inspirados ou, em alguns casos, orientados remotamente por organizações e ideologias terroristas, para cometerem ataques horríveis. Nosso foco está na prevenção de qualquer ataque terrorista em Barbados e na região mais ampla do RSS e Caribe. Nossos esforços devem incluir o compartilhamento continuado de informações e recursos para prevenir e responder, se necessário, transmitindo assim às comunidades que atendemos a confiança de que suas forças de segurança estão cientes da ameaça global e estão preparadas para ela. Os ataques cibernéticos são uma terceira área de preocupação que exige atenção especial e prontidão operacional urgente.

Diálogo: Como vocês cooperam com as nações vizinhas para derrotar as T3N?

Cel Grannum: A BDF tem uma parceria muito forte com todos os países vizinhos do RSS e fora dele. Cooperamos plenamente com a Força de Defesa de Trinidad e Tobago e sua Guarda-Costeira para ameaças de segurança marítima e temos um relacionamento de trabalho muito bom com as ilhas francesas de Martinica e Guadalupe. Estou bastante otimista no sentido de que os relacionamentos de trabalho com todos os países da região ficarão mais fortes frente às ameaças de segurança que possam surgir no futuro.

Diálogo: Quais são as prioridades suas e da BDF para 2017?

Cel Grannum: Estamos programados para sermos co-anfitriões do Exercício Tradewinds 2017 em junho deste ano. A primeira fase vai ser realizada em Barbados, com foco na Assistência Humanitária/Resposta a Desastres (HADR, por sua sigla em inglês) e nas operações de combate ao terrorismo e ao crime organizado transnacional nos níveis táticos e operacionais. Trinidad e Tobago será a nação anfitriã da segunda fase do exercício. Nossa prioridade neste momento, portanto, é a de estarmos preparados para participarmos do Tradewinds como veículo para uma prontidão maior da missão da força. Além do Tradewinds, nosso foco estará nos esforços nacionais da HADR para lidar com a temporada anual de furacões que vai de junho a novembro.

Diálogo: Gostaria de acrescentar algo para os nossos leitores regionais?

Cel Grannum: Há muito tempo que a BDF desfruta de parcerias ricas e robustas em termos da comunidade das agências militares, policiais e outras de segurança, não apenas dentro do RSS e mais amplamente dentro da CARICOM, mas que se estende em profundidade por todo o hemisfério. Temos a satisfação de podermos trazer o Perry Center para este seminário em Barbados. Nossa finalidade e determinação está bem alicerçada em termos de realizarmos nossas missões de aliança nacional e coletiva para enfrentar as ameaças transnacionais modernas da forma que existem, sejam tais ameaças provenientes de organizações terroristas, grupos extremistas violentos ou organizações de narcotraficantes. Acho que temos enormes capacidades de rede nas quais nos apoiarmos ao alavancar recursos nacionais em harmonia com nossos vizinhos. Nossos esforços de colaboração regional serão bem-sucedidos ao combatermos as ameaças.









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