SPMAGTF-SC encerra com sucesso o seu destacamento multinacional

Em seu quarto ano de destacamento, a força formada por fuzileiros navais e marinheiros dos EUA incorporou oficiais latino-americanos.
Kay Valle/Diálogo | 30 outubro 2018

Relações Internacionais

O Capitão de Fragata (FN) do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha da Colômbia Erick Del Rio (em primeiro plano), subcomandante da SPMAGTF-SC, e o Capitão de Mar e Guerra (FN) do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA Michael Oppenheim, comandante da SPMAGTF-SC, inauguram uma clínica médica reformada durante a missão de propósito especial na comunidade de La Paz, em Quetzaltenango, Guatemala. (Foto: Cabo do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha dos EUA Jona R. Meme)

Pela primeira vez desde que foi criada, a Força-Tarefa Marítima Aeroterrestre para Fins Especiais, do Comando Sul dos EUA (SPMAGTF-SC, em inglês) realizou uma missão multinacional na América Central. A participação dos países amigos no mais recente destacamento da SPMAGTF-SC é o primeiro passo para a criação de uma força-tarefa marítima multinacional com o objetivo de responder de maneira conjunta a qualquer crise que necessite de assistência humanitária e resposta a desastres, além de construir capacidades.

Um militar da SPMAGTF-SC trabalha com um membro do Corpo de Engenheiros do Exército da Guatemala em uma obra de construção em Escuintla, Guatemala, onde ergueram casas para as vítimas do vulcão de Fogo. (Foto: Primeiro-Sargento do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha dos EUA Zachary Dyer)

Três oficiais latino-americanos se juntaram à missão de seis meses da SPMAGTF-SC, destacada até novembro de 2018. O Capitão de Fragata (FN) do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha da Colômbia Erick Del Rio é o subcomandante da SPMAGTF-SC, e o Capitão-Tenente da Força Naval de Honduras Milton Roldán Meza Sánchez é o oficial de ligação entre a SPMAGTF-SC e a Força Naval de Honduras. O Capitão de Mar e Guerra da Marinha do Chile Jorge Keitel participou como assessor executivo inicial da Força-Tarefa.

“Estamos muito entusiasmados com isso”, disse à Diálogo o Capitão de Mar e Guerra (FN) do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA Michael Oppenheim, comandante da SPMAGTF-SC em 2018. “Esse ano participamos pela primeira vez como força multinacional de propósito especial. Nossos países amigos se uniram à nossa estrutura porque buscamos criar uma força-tarefa marítima multinacional. Todos entendemos que temos problemas e sabemos que queremos disponibilizar nossos recursos para enfrentar esses desafios e obter os benefícios.”

A participação de países latino-americanos beneficiou a força-tarefa de propósito especial graças aos intercâmbios de experiências. Unidos sob a mesma estrutura e com um objetivo comum – desenvolver as capacidades das forças de segurança da região e responder aos desastres naturais e situações de crises – os participantes estreitaram seus laços de amizade, aprendendo muito uns com os outros.

“A oportunidade que eu tenho é sumamente importante porque é uma experiência regional. Tenho a oportunidade de interagir e compartilhar com outros militares da América Central e de vários países, além de compartilhar minhas experiências e encontrar semelhanças”, disse o CF Del Rio. “Elas [as unidades da SPMAGTF-SC] estão recebendo ordens de um oficial estrangeiro; eu estou liderando tropas de outra nação, mas a relação tem sido muito profissional. [...]. Essa comissão me permite ainda a oportunidade de ter um melhor entendimento de algo tão complexo como essa região, e me faz pensar como podemos criar juntos a resposta para enfrentarmos o futuro.”

Missão humanitária e treinamentos

A SPMAGTF-SC 2018 é formada por mais de 300 fuzileiros navais e marinheiros de 43 unidades do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha dos EUA. Eles foram destacados no início de junho para a Base Aérea Soto Cano, sede da Força-Tarefa Conjunta-Bravo do Comando Sul em Comayagua, Honduras. Em seu acampamento – rebatizado há pouco tempo em homenagem ao herói do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha dos EUA o 1º Tenente (FN) Travis Manion – o comando da força elaborou projetos de ajuda humanitária, trabalhos de engenharia e treinamentos na região.

No início de julho, cerca de 40 unidades da SPMAGTF-SC se juntaram aos esforços do Corpo de Engenheiros do Exército da Guatemala em um projeto para a construção de residências provisórias para as pessoas afetadas pelo vulcão de Fogo. Juntos, os militares construíram mais de 200 albergues que alojaram centenas de pessoas das áreas mais afetadas pela erupção do vulcão.

“Esse é exatamente o tipo de missão que fomos designados para realizar”, destacou o CMG Oppenheim. “Nesse caso, ajudamos os engenheiros guatemaltecos a construir albergues, banheiros e outras instalações para as vítimas. As lições que aprendemos trabalhando com a Guatemala são de que precisamos cooperar. A nossa confiança se desenvolveu e agora somos muito eficazes juntos.”

O presidente guatemalteco Jimmy Morales fala com militares americanos enquanto visita um abrigo em Escuintla, Guatemala, construído pelos Fuzileiros Navais dos EUA e os membros do Corpo de Engenheiros do Exército da Guatemala para as famílias que ficaram desabrigadas após a erupção do vulcão Fuego, em 30 de julho de 2018. O presidente Morales apertou a mão de todos os fuzileiros e marinheiros do Destacamento Naval da Estação Parceria Sul, parte da Força-Tarefa Naval Ar-Terra de Função Especial do Comando Sul dos EUA, depois de agradecer-lhes por seu apoio e destacando que o fuzileiros navais trabalharam lado a lado com os guatemaltecos. (Foto: Segundo Sargento do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA Frans Labranche)

Outros projetos de engenharia na Guatemala consistiram na reforma de escolas e consultórios médicos nos estados de Escuintla e Sacatepéquez, com a colocação de portas, janelas, tetos, pisos e instalações elétricas, enquanto membros das comunidades beneficiadas ajudaram a pintar as paredes. Em Honduras, os fuzileiros navais americanos realizaram um projeto de abastecimento de água na Base Naval de Puerto Castilla, no Caribe hondurenho, e consertaram uma jazida cuja falha estava afetando a cidade vizinha. Em Belize, os fuzileiros navais trabalharam em duas escolas, onde solucionaram problemas com os sistemas de saneamento.

Além de projetos humanitários, a SPMAGTF-SC realizou vários treinamentos com as forças dos países amigos, bem como intercâmbios entre especialistas, com o objetivo de reforçar as capacidades das instituições latino-americanas e garantir a segurança da região. As unidades da SPMAGTF-SC capacitaram as forças policiais da Guatemala, realizaram treinamentos móveis com os fuzileiros navais de Honduras e El Salvador e criaram intercâmbios com especialistas no Chile, no Brasil, no Panamá e na República Dominicana. Além disso, em Belize, a força pôs à prova a sua capacidade de resposta e os procedimentos de evacuação frente a desastres naturais com um exercício que simulou a chegada de um furacão.

Conceito em desenvolvimento

Com a incorporação dos oficiais da Colômbia, do Chile e de Honduras, a SPMAGTF-SC demonstrou que o conceito de uma força multipropósito multinacional pode ser uma realidade.

O conceito em desenvolvimento da Força do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha dos EUA, Sul busca criar uma força marítima multinacional que permitirá criar capacidades comuns – efetivos militares, navios, aeronaves e equipamentos – durante a temporada de furacões para levar apoio humanitário e responder às possíveis crises que a região possa enfrentar.

Segundo o CMG Keitel, uma força formada por militares latino-americanos facilitará as ações na região, visto que os países apresentam os mesmos aspectos culturais e sociais. Além disso, destacou o oficial, a característica multinacional permitirá legitimar as operações em todas as partes do mundo.

“Nenhum de nós dispõe de recursos militares ilimitados. Uma força multinacional com a contribuição de cada país associado nos permite enfrentar os problemas juntos”, disse o CMG Keitel. “Quando diversas nações contribuem com suas experiências, seus conhecimentos e suas capacidades, a força se torna mais forte e mais efetiva.”

Por outro lado, o CMG Oppenheim espera que o destacamento da SPMAGTF-SC em 2019 possa contar com mais oficiais convidados dos países amigos. O objetivo: mostrar que o conceito é bom e que funciona.

“Esse é exatamente o plano que temos, e evidentemente devem ser feitos preparativos e acordos no âmbito governamental”, concluiu o CMG Oppenheim. “Estamos tentando demonstrar, no nível tático, por que a ideia é tão boa e como ela poderá beneficiar todos os cidadãos das Américas.”

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