Cruz do Sul 2018 aumenta a interoperacionalidade

O exercício da Força de Paz Conjunta e Combinada Cruz do Sul Argentina-Chile consolidou o processo de projeto e planejamento dos participantes.
Juan Delgado/Diálogo | 20 novembro 2018

Relações Internacionais

O exercício Cruz do Sul 2018 pôs à prova as capacidades dos membros da Força de Paz Conjunta e Combinada Cruz do Sul em um cenário simulado na carta. (Foto: Estado-Maior Conjunto do Chile)

No início de outubro, militares da Argentina e do Chile realizaram o exercício simulado anual Cruz do Sul 2018 da Força de Paz Conjunta e Combinada Cruz do Sul, formada por membros das três armas dos dois países. O exercício foi realizado entre os dias 1º e 5 de outubro no Centro de Treinamento Operacional Tático (CEOTAC) da Academia de Guerra do Exército do Chile, em Santiago.

O objetivo do exercício foi incrementar a interoperacionalidade combinada, além de aperfeiçoar as habilidades de planejamento e realização dos oficiais. Os exercícios na carta também ajudaram a reforçar os laços de amizade entre os países vizinhos.

“Esse tipo de exercício é de suma importância”, disse o Contra-Almirante da Marinha Alejandro Miguel García Sobral, chefe de Operações do Comando Operacional das Forças Armadas da Argentina. “É ali que se desenvolvem as doutrinas e, o que é mais importante, o conhecimento mútuo, onde além disso se exercitam as tarefas, os procedimentos que serão realizados quando a Força de Paz Cruz do Sul estiver em ação.”

Cenário fictício

Um total de 100 militares, 72 unidades das Forças Armadas do Chile e 28 da Argentina se reuniram no CEOTAC para enfrentar um cenário de operações de manutenção da paz em um entorno realista. Segundo o cenário fictício, os participantes deviam organizar o destacamento da Força de Paz Cruz do Sul em um país imaginário abalado por atos de violência, que colocavam em perigo a paz e a segurança da população.

Diante dessa situação, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu uma resolução para estabilizar o território através de uma operação de paz com os Boinas Azuis, que restabeleceriam a ordem. Os estímulos gerados permitiram que os participantes planejassem, conduzissem as tropas e adotassem resoluções baseadas nas diretrizes estabelecidas pela ONU.

“Trata-se de uma iniciativa binacional que vem do mais alto nível”, disse o C Alte García. “As forças armadas se viram envolvidas em uma iniciativa muito boa, onde os três componentes se juntam e uma força é posta à disposição da ONU para reforçar, colaborar ou manter a paz mundial.”

Para a realização do exercício, o CEOTAC colocou à disposição o seu Sistema de Simulação para a Gestão e o Treinamento de Situações de Emergência (SIGEN, em espanhol). A ferramenta de alta tecnologia facilitou a administração da informação, a tomada de decisões colaborativas e a otimização das respostas através de um jogo de interpretação de personagens.

Um total de 100 militares da Força de Paz Conjunta e Combinada Cruz do Sul entre o Chile e a Argentina se reuniram nas instalações da Academia de Guerra do Exército do Chile para um exercício na carta. (Foto: Estado-Maior Conjunto do Chile)

Além disso, o SIGEN permitiu avaliar o nível de preparo dos participantes e fez com que eles aprendessem através das realizações e dos erros para melhorar o desempenho da força no futuro. “Dessa maneira é possível colaborar para que ambos os países estejam melhor preparados para se mobilizarem sob a solicitação da ONU”, disse o Coronel do Exército do Chile Arturo Gallardo, chefe do CEOTAC.

A serviço da ONU

A Força de Paz Conjunta e Combinada Cruz do Sul foi criada em 2006, quando os governos da Argentina e do Chile assinaram um acordo para criar o Estado-Maior Conjunto Combinado e formar uma força binacional que estaria à disposição da ONU. Em 2011, a Argentina e o Chile colocaram formalmente à disposição da ONU a força conjunta combinada diante do então-secretário geral da ONU Ban Ki-moon.

A força está composta por dois batalhões de infantaria integrados por membros do exército e do corpo de fuzileiros navais de ambos os países, bem como uma unidade de apoio logístico. Além disso, conta com um componente naval de dois navios e outro aéreo, com oito aeronaves.

Todos os anos, militares das forças armadas de ambos os países realizam exercícios práticos no terreno e exercícios teóricos na carta para manterem-se capacitados. Argentina e Chile se alternam como anfitriões dos treinamentos.

“Devo dizer que foram muito notórios a melhora e o aumento do treinamento no conjunto-combinado [da força]”, disse o Vice-Almirante da Marinha Rodrigo Álvarez Aguirre, subchefe do Estado-Maior Conjunto do Chile. “Sem dúvida, ainda há muitas coisas a serem feitas, mas sempre tivemos um saldo positivo, o que fala muito bem de todos nós.”

Um trabalho sério

O exercício foi um sucesso para os participantes. De acordo com o General de Brigada do Exército Carlos Pérez Aquino, comandante operacional do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Argentina, a exigência do SIGEN e das várias tarefas comprovaram o profissionalismo dos militares argentinos e chilenos.

“O resultado foi muito bom e o trabalho feito foi muito sério”, concluiu o Gen Bda Pérez. “Esses trabalhos ajudam as operações de paz para que tenhamos um conhecimento melhor. Eu tive a oportunidade de acompanhar de perto a evolução da Cruz do Sul e ali se vê a interoperacionalidade e como essa interação militar vai sendo trabalhada, à medida em que vamos avançando.”

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