SOUTHCOM ajudará comunidades rurais de El Salvador

O Comando Sul dos EUA e a Força Armada de El Salvador prestarão atendimento médico às populações costeiras e fronteiriças com altos índices de criminalidade e pobreza.
Lorena Baires/Diálogo | 17 maio 2019

Resposta Rápida

Um médico do Exército Sul dos EUA fala com uma menina salvadorenha, enquanto dá instruções à sua mãe sobre medicina preventiva e hábitos de higiene para evitar doenças infecciosas e contagiosas. (Foto: Gloria Cañas, Diálogo)

Militares do Exército Sul dos EUA (ARSOUTH, em inglês), com o patrocínio do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) e da Força Armada de El Salvador (FAES), trabalharão em conjunto para levar atendimento médico especializado e gratuito aos habitantes das comunidades rurais açoitadas pela criminalidade em El Salvador. O primeiro Exercício de Treinamento de Preparação Médica (MEDRETE, em inglês), “Juntos Podemos”, foi realizado de 25 de março a 8 de abril de 2019, na região costeira do município de Conchagua, estado de La Unión. A missão é atender as diversas populações do país duas vezes por ano, durante cinco anos.

“Agradecemos ao SOUTHCOM por unir esforços para atender pessoas de baixa renda, muitas com doenças crônicas, e fornecer os medicamentos de que necessitam”, disse o Coronel do Exército DEM Juan Guardado, chefe de Assuntos Civis do Estado-Maior da FAES. “Esse exercício capacitará o pessoal de ambos os países para oferecer atendimento médico e educação de saúde nas localidades remotas e com recursos limitados.”

Em Conchagua, localizada na frente do Golfo de Fonseca, os serviços de saúde são limitados e as equipes médicas não são especializadas.

“A maioria dos beneficiados não tem a capacidade econômica para se dirigir a um hospital, ou pagar uma clínica particular, nem para manter um controle adequado das suas enfermidades”, afirmou o prefeito de Conchagua Jesús Medina. “Por isso agradecemos ao SOUTHCOM e à FAES. Nossa gente recebeu atendimento médico de primeiro nível e inclusive foram atendidas algumas pessoas com doenças crônicas graves.”

Os desafios

Os organizadores instalaram um acampamento na Unidade Comunitária de Saúde da Família do Ministério da Saúde para atender as populações dos cantões Loma Larga, El Volcancillo e el Condadillo, além dos povoados de Valle Nuevo, Monares, San Ramón e La Brea. Cerca de 7.200 habitantes receberam tratamento médico.

“Desde o início, traçamos o mesmo objetivo: ajudar as pessoas mais pobres do país. Isso facilitou nosso trabalho conjunto”, enfatizou o Primeiro-Sargento do Exército dos EUA Héctor Nieves, coordenador da equipe médica do ARSOUTH. “Cada um de nós tinha um companheiro de outro país e assim nos completamos nos conhecimentos que ambos tínhamos.”

Um dentista do Exército Sul dos EUA atende um paciente em Conchagua, El Salvador, no dia 29 de março de 2019, graças ao exercício “Juntos Podemos”, patrocinado pelo SOUTHCOM. (Foto: Gloria Cañas, Diálogo)

Durante os primeiros dias, a equipe combinada realizou um diagnóstico geral das necessidades, tanto médicas quanto logísticas. Um dos desafios a vencer foi romper as barreiras educacionais e ensinar aos habitantes hábitos higiênicos para prevenir doenças.

“Com o passar dos dias, mais pessoas se inscreviam para uma consulta médica, apesar de não acreditarem que tudo seria gratuito”, explicou Loyda Reyes, chefe da Unidade de Desenvolvimento Municipal da Prefeitura de Conchagua. “Isso serve como uma prova piloto para identificar as enfermidades que existem na região e continuar o atendimento a cada seis meses, durante cinco anos.”

Diagnósticos

Os especialistas militares detectaram que as principais doenças na região são as infecções das vias respiratórias, fungos, dermatites e bronquites. “Quarenta por cento da população sofre também infecções nas vias urinárias, devido à hidratação insuficiente e às altas temperaturas registradas no município”, explicou o Major do Exército Humberto Hernández, médico e chefe do Batalhão de Saúde Militar da FAES. Eles identificaram também enfermidades crônicas degenerativas, como hipertensão arterial, gastrite crônica e diabetes.

“O maior problema é a educação, porque as pessoas não sabem como fazer uma alimentação balanceada ou manter rotinas de higiene que evitem doenças ou infecções”, acrescentou o 1º Sgt Nieves. “Foi uma satisfação atender pessoas que não viam um médico há mais de um ano e aliviar suas enfermidades.”

Carlos Morales chegou ao cantão El Jagüey com seu filho caçula. Uma febre intensa afligia o menino, que parou de comer e bebia pouca água. A família tentou tratar a doença com remédios caseiros, mas as tentativas foram em vão.

“Os médicos me explicaram que o menino tem uma severa infecção no ouvido. Esse é o motivo da febre e das dores de cabeça”, disse Morales, enquanto aguardava seus remédios. “Estou tranquilo porque um médico viu o meu filho, porque nós já não sabíamos o que fazer para amenizar suas dores.”

A primeira missão “Juntos Podemos” contou com a participação de 15 médicos militares do ARSOUTH e 25 da FAES. A segunda missão será realizada em agosto de 2019, no município de Zacatecoluca, no sul. Os militares continuarão o intercâmbio de experiências, para juntos prestarem ajuda humanitária às populações das comunidades de difícil acesso e com condições precárias.

Compartilhar:
Comente:
Gosta dessa história? Sim 148
Carregando conversa