Donativo do SOUTHCOM fortalece força policial de elite hondurenha

Futuros TIGRES treinarão na nova base de treinamento construída graças ao apoio dos EUA.
Kay Valle/Diálogo | 10 julho 2018

Capacitação e Desenvolvimento

A nova base de treinamento em Lepaterique, Honduras, construída graças a um donativo do SOUTHCOM, capacitará os futuros membros da força policial de elite TIGRES. (Foto: Polícia Nacional de Honduras)

No início de maio de 2018, o governo de Honduras inaugurou a base de treinamento da Tropa Integral Governamental de Resposta Especial de Segurança (TIGRES), uma unidade de elite da Polícia Nacional de Honduras. Localizada em Lepaterique, no estado de Francisco Morazán, a 42 quilômetros a oeste de Tegucigalpa, a nova base foi financiada graças a um donativo de US$ 3 milhões do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM).

O complexo, aberto oficialmente no dia 2 de maio, abriga cerca de 200 membros da força TIGRES e serve como base de deslocamento de operações táticas, além de centro de treinamento para futuros membros da força policial de elite. A construção do projeto foi executada em 18 meses.

“O SOUTHCOM fez um investimento muito significativo, não apenas para a Polícia Nacional como para o país, ao criar essas novas e modernas instalações”, disse à Diálogo o Subcomissário Javier Díaz Herrera, diretor de Forças Especiais da Polícia Nacional de Honduras. “[Elas são] equipadas com um alto padrão [e] servirão para abrigar nossos policiais e compartilhar capacitações.”

O moderno complexo foi construído em um terreno de 4 hectares e tem, entre outros, cinco escritórios administrativos, duas salas de aulas, 10 dormitórios, um ginásio, uma enfermaria e um restaurante. Além disto, as instalações contam com áreas de treinamento ao ar livre e três polígonos de tiro.

Treinamento rigoroso

Desde maio, a base capacita os futuros TIGRES com um treinamento rigoroso que inclui instrução teórica e condicionamento físico. Os alunos começam a rotina diária às 4h30, com atividades físicas.

“O curso TIGRES, que tem duração de 12 semanas e é apenas para membros ativos da Polícia Nacional, começa com um treinamento leve de corrida e, paulatinamente, à medida que o curso avança, a intensidade vai aumentando”, disse o Subcomissário Díaz. “Em seguida [começam] as aulas de defesa tática para continuar o programa do plano de estudos do comando TIGRES.”

Durante os três meses de treinamento, os alunos policiais se especializam em direitos humanos e no uso legal da força para atingir o objetivo principal da força TIGRES: o combate ao crime organizado. Os futuros TIGRES treinam operações de invasão de domicílio, de patrulhamento urbano e rural, de interdição, sobrevivência e resgate em montanhas e combate próximo.

Os cursos incluem ainda capacitação para operações em rios ou mar, operações de transporte aéreo e aulas de tiro. Os futuros TIGRES também recebem capacitação em primeiros socorros, o que é inédito na formação policial hondurenha.

“É uma grande novidade que a polícia [hondurenha] aprenda primeiros socorros”, disse à Diálogo o Comissário da Polícia Nacional de Honduras José Alejandro Ramos Escobar. “Se uma pessoa ferida não recebe os primeiros socorros em um determinado período de tempo, é possível que não sobreviva. Tivemos confrontos com criminosos onde os policiais ou cidadãos saíram feridos e nossos próprios [TIGRES] prestaram os primeiros socorros, salvando suas vidas.”

Entre outros cursos, os TIGRES se capacitam em primeiros socorros, uma formação inédita para os policiais hondurenhos. (Foto: Polícia Nacional de Honduras)

Além da nova base de treinamento em Lepaterique, a força TIGRES conta com uma base de deslocamento operacional em El Progreso, estado de Yoro – dedicada a planejar e desenvolver operações no norte e na região atlântica do país –  financiada com o mesmo donativo do SOUTHCOM e inaugurada em abril de 2018. A polícia também tem instalações para TIGRES em San Pedro Sula, estado de Cortés.

Força de elite

A força de elite TIGRES, formada por 500 membros em âmbito nacional, foi criada em junho de 2013 com o apoio dos governos dos EUA e da Colômbia para combater o crime organizado e o narcotráfico. O primeiro conjunto da força TIGRES foi capacitado no início de 2014 por membros do Exército dos EUA e do Comando Jungla, unidade de operações especiais da Polícia Nacional da Colômbia.

“Todas as unidades de elite recebem um nome”, destacou o Subcomissário Díaz. “No jargão policial, se utiliza [tigre] para denominar uma pessoa destacada e que faz as coisas bem; é um nome que cai como uma luva nas mãos desta unidade.”

Desde sua criação, o comando TIGRES tem sido um dos principais órgãos responsáveis pela captura de líderes do narcotráfico e pela desarticulação de estruturas criminosas. Os TIGRES também participam de operações conjuntas como a Força de Segurança Interinstitucional Nacional (FUSINA, em espanhol) hondurenha.

“Nas operações que realizamos em nível nacional e que são voltadas ao combate ao narcotráfico, ao crime organizado ou a invasões de domicílios, à desarticulação de gangues criminosas ou operações de alto impacto devido à formação militar-policial, os TIGRES sempre têm uma participação fundamental e se adaptam por sua formação”, disse à Diálogo o Tenente do Exército de Honduras José Antonio Coello, porta-voz da FUSINA. O Ten Coello destacou que no decorrer de 2018 a FUSINA desarticulou 23 gangues criminosas em operações conjuntas com os TIGRES.

Em seu Relatório da Estratégia Internacional de Controle de Narcóticos 2018, o Departamento de Estado dos EUA destaca Honduras como um importante país de trânsito para o tráfico ilegal de drogas e substâncias químicas utilizadas para a produção de drogas. No entanto, o relatório cita os avanços do governo hondurenho na luta contra o narcotráfico, graças às unidades especiais antinarcóticas, tais como a força TIGRES da Polícia Nacional, e ressalta o apoio contínuo dos EUA.

“O apoio fundamental do Comando Sul, o treinamento e a preparação desse pessoal [TIGRES], a sede de Lepaterique, a implantação de filtros de entrada e mecanismos de depuração das forças de ordem e o apoio nos escudos terrestres, aéreos e marítimos, permitem um combate frontal ao crime organizado e ao narcotráfico”, concluiu o Ten Coello. “Isto repercute em âmbito internacional, porque Honduras saiu da lista dos países mais violentos do mundo.”


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