Destaque: Uma conversa com nossos líderes

O Almirante de Esquadra Faller, comandante do Comando Sul dos Estados Unidos, está otimista quanto à crise na Venezuela

O país sul-americano foi o tópico dominante na Conferência de Segurança Hemisférica da FIU.
Marcos Ommati/Diálogo | 30 maio 2019

Ameaças Transnacionais

O Almirante de Esquadra da Marinha dos EUA Craig S. Faller, comandante do Comando Sul dos EUA, defendeu uma transição democrática como o desfecho correto para a Venezuela, durante uma conversa que manteve com o Professor da FIU Dr. Frank Mora, no dia 22 de maio. (Foto: Marcos Ommati/Diálogo)

Quando os especialistas se reúnem para discutir as questões de segurança na América Latina, é inevitável que eles falem sobre a Venezuela. Isso ocorreu também no dia 22 de maio, na Quarta Conferência Anual de Segurança Hemisférica da Universidade Internacional da Flórida (FIU, em inglês), onde o Almirante de Esquadra da Marinha dos EUA Craig S. Faller, comandante do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), liderou os debates.

Como era de se esperar, jornalistas locais, acadêmicos, analistas seniores e estudantes bombardearam o Alte Esq Faller com perguntas sobre a atual situação da Venezuela e, mais especificamente, queriam saber se os EUA planejavam uma intervenção militar no país sul-americano. “Meu dever nas forças militares é estar preparado, ter os pés no chão”, disse o Alte Esq Faller. “E intencionalmente não entrei em detalhes sobre essa questão, porque não seria apropriado. Os militares nunca revelam o que estão fazendo. Caso contrário, o inimigo poderia saber”, e prosseguiu: “Nosso foco principal é fazer planos para quando houver um regime legítimo [na Venezuela], quando esse governo legítimo precisar de apoio para seus serviços de segurança.” 

USNS Comfort

No entanto, o Alte Esq Faller explicou que uma intervenção militar não necessariamente significa que as tropas estejam em campo. Ele mencionou como exemplo o navio-hospital da Marinha dos EUA USNS Comfort, que estará em missão na América do Sul, na América Central e no Caribe, em meados de junho. “Esse destacamento responde diretamente à crise provocada pelo regime de Maduro”, disse o oficial. “As equipes médicas do Comfort trabalharão ao lado dos profissionais da área de saúde das nações anfitriãs, que estão absorvendo milhares de migrantes e refugiados venezuelanos. O povo da Venezuela está fugindo desesperadamente de sua pátria em busca de uma vida melhor. Temos o compromisso de encontrar meios para apoiar a população venezuelana e nossos parceiros regionais, que compartilham o objetivo de ver um governo legítimo e democrático reinstalado na Venezuela.”

Transição democrática

O Alte Esq Faller defendeu uma transição democrática como o desfecho correto para a Venezuela e está confiante de que isso eventualmente acontecerá. Ele também enfatizou que o regime de Nicolás Maduro está cada vez mais lançando mão do narcotráfico para se sustentar financeiramente e que as autoridades dos EUA detectaram um grande aumento no volume de drogas provenientes da Colômbia que passam pela Venezuela.

O comandante do SOUTHCOM insistiu em dizer que três dos principais adversários dos EUA – China, Cuba e Rússia – estão apoiando o ditador autoritário venezuelano Nicolás Maduro. “A invasão da Venezuela ocorreu por causa dos cubanos”, disse o Alte Esq Faller, fundamentando sua afirmação na informação de inteligência que ele preferiu não revelar. “Toda a guarda presidencial de Maduro é cubana... com os russos ao lado deles – e os chineses infelizmente não colaboram, mas estão lá também.”

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