Destaque: Uma conversa com nossos líderes

Capacidades únicas do SOCSOUTH colaboram para a estratégia do SOUTHCOM

O Comando de Operações Especiais, Sul dos EUA, um componente do Comando Sul dos EUA, busca detectar e combater as ameaças ao hemisfério ocidental.
Claudia Sánchez-Bustamante/Diálogo | 1 abril 2019

O General de Brigada do Exército dos EUA Antonio Fletcher assumiu a liderança do Comando de Operações Especiais, Sul dos EUA em junho de 2018. (Foto: SOCSOUTH)

Diálogo conversou com o General de Brigada do Exército dos EUA Antonio Fletcher, comandante do Comando de Operações Especiais, Sul dos EUA (SOCSOUTH, em inglês), que conduz todas as forças de operações especiais na América Latina e no Caribe.

Diálogo: Qual é a missão do SOCSOUTH e como ela se encaixa nos esforços mais amplos de cooperação em segurança dos Estados Unidos na região?

General de Brigada do Exército dos EUA Antonio Fletcher, comandante do Comando de Operações Especiais, Sul: Primeiramente, quero dizer que estou muito entusiasmado por ter a oportunidade de dirigir o Comando de Operações Especiais, Sul. Como um soldado que atuou durante muito tempo no 7º Grupo de Forças Especiais com inúmeros destacamentos nas nossas nações parceiras, o fato de comandar essa organização é uma experiência verdadeiramente especial. Atuei anteriormente no Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) como diretor de Planos e Políticas (J5), então tive algum tempo para pensar e elaborar o que eu pretenderia como missão, quais as minhas prioridades e como eu inseriria o SOCSOUTH na estratégia do SOUTHCOM para enfrentar alguns desafios específicos do hemisfério ocidental.

Nossa missão no SOCSOUTH é identificar e solucionar as ameaças e permitir que nossos parceiros interagenciais e as nações parceiras possam combater as ameaças aos interesses dos Estados Unidos e manter a estabilidade regional. Nós contribuímos com capacidades únicas para auxiliar o SOUTHCOM em sua estratégia na região e estamos constantemente engajados com a equipe do SOUTHCOM para garantir que os nossos esforços estejam alinhados. Somos capazes de nos deslocar rapidamente, temos habilidades orgânicas culturais e idiomáticas e desenvolvemos relacionamentos positivos e duradouros com os líderes das forças de segurança em toda a região, especialmente com aqueles envolvidos nas operações de contraterrorismo. Esses relacionamentos são vitais para o nosso sucesso e não podem surgir simplesmente em tempos de crises – eles precisam ser criados previamente. 

Diálogo: Quais são as suas prioridades para o SOCSOUTH em 2019 e mais adiante?

Gen Bda Fletcher: Como eu mencionei anteriormente, exercer a função de diretor do J5 do SOUTHCOM antes de assumir o comando me trouxe uma vantagem única para elaborar as prioridades do comando. Minhas prioridades são: combater as redes de ameaças, especialmente as redes de terroristas e insurgentes; apoiar as iniciativas das agências policiais dos EUA e das nações parceiras para combater as organizações criminosas transnacionais; manter nossa prontidão para destacar e responder rapidamente; e, por fim, provar através das nossas ações que os Estados Unidos são o melhor parceiro para enfrentar os desafios atuais de segurança na região. 

Diálogo: Como o senhor espera reforçar a interoperabilidade e a capacidade de compartilhamento das forças militares das nações parceiras do SOCSOUTH/SOUTHCOM na América Latina e no Caribe?

Gen Bda Fletcher: Em primeiro lugar, prefiro dizer forças de segurança das nações parceiras ao invés de forças militares, porque algumas das nossas valiosas nações parceiras dispõem de forças não militares, especificamente o Panamá e a Costa Rica. Assim sendo, como podemos promover a capacidade de compartilhamento? Fazemos isso ao enfatizar a ideia de que os problemas de segurança nacional que nos desafiam são muitas vezes melhor solucionados através de uma abordagem integral do governo. A abordagem integral do governo é muito mais eficiente no combate às redes de ameaças e permite uma segurança de longo prazo para os cidadãos, além de estabelecer as estruturas para melhorar a prosperidade nas áreas em conflito, porque reúne especialistas de todos os setores governamentais para enfrentar esses problemas. Trata-se de uma abordagem muito mais efetiva e eficiente do que aquela baseada apenas em uma solução militar, que pode eliminar a ameaça imediata à segurança, mas deixa aos cidadãos pouca proteção e apoio a longo prazo. O objetivo é ter um estado duradouro de segurança que promoverá a prosperidade e proporcionará a estabilidade para seus cidadãos.

Diálogo: Qual é a importância dos engajamentos combinados entre forças de operações especiais (SOF, em inglês) de nações parceiras da região?

Gen Bda Fletcher: Os engajamentos das SOF beneficiam os Estados Unidos e as nossas nações parceiras de diversas maneiras, mas destacarei três exemplos específicos. Primeiramente, como mencionei anteriormente, nós criamos relacionamentos valiosos com os profissionais de segurança da região. Em segundo lugar, compartilhamos as habilidades táticas e aprendemos uns com os outros. Por último, continuamos criando habilidades linguísticas e culturais e desenvolvendo conhecimentos mais profundos com as estruturas governamentais das nações parceiras.

Diálogo: Na sua opinião, quais são as lições mais importantes que os membros das SOF do SOCSOUTH podem compartilhar com seus homólogos da América Latina e do Caribe em relação às ameaças do crime organizado transnacional?

Gen Bda Fletcher: É necessário que haja uma abordagem integral do governo para desmanchar uma rede criminosa transnacional. Líderes nacionais, bem como locais, devem criar estratégias de cooperação para enfrentar estas ameaças. Uma das lições mais importantes que nosso pessoal das SOF pode compartilhar é que as redes criminosas ameaçam a segurança do cidadão, abalam os direitos humanos, enfraquecem os esforços para manter o estado de direito do governo e atrasam o desenvolvimento econômico – elas atingem os governos das nossas nações parceiras em muitos níveis diferentes. Por esse motivo, é necessário haver uma abordagem integral do governo para combater essas ameaças.

Diálogo: De que maneira eventos combinados tais como o Fuerzas Comando são importantes para compartilhar essa experiência e reforçar a capacidade conjunta e a interoperabilidade com as nações parceiras?

Gen Bda Fletcher: O Forças Comando é o nosso principal evento do ano, que promove os relacionamentos entre as forças armadas das nações parceiras, fortalece os laços, incrementa os conhecimentos entre as SOF da região, ao mesmo tempo em que reforça a segurança regional. Este exercício não apenas fomenta a confiança entre uns e outros, mas também desafia a todos em uma competição multinacional de habilidades em operações especiais. O resultado final do exercício é uma comunidade fraterna de forças de elite capazes de colaborar para apoiar a segurança e a estabilidade da região. Todas as iniciativas são voltadas para o trabalho de equipe em um ambiente competitivo que enfatiza a ação conjunta e a interoperabilidade. O exercício deste ano foi realizado no Panamá e o Chile já aceitou ser o anfitrião do exercício em 2019.

Diálogo: Como o SOCSOUTH pode dar apoio às nações parceiras para desenvolver e aumentar suas capacidades de combater as ameaças?

Gen Bda Fletcher: O SOCSOUTH tem uma longa tradição de trabalhar com nossos parceiros na região. Nossas interações com as forças parceiras têm sido muito positivas e trazem benefícios mútuos. A cooperação para a segurança é nosso foco principal; nós promovemos o treinamento das forças das nossas nações parceiras e trabalhamos lado a lado para nos tornarmos mais interoperáveis. Quando nossas SOF interagem com as unidades das nações parceiras, nós desenvolvemos uma compreensão comum das capacidades e das oportunidades de treinamento. Todos nós respeitamos os princípios de direitos humanos e o estado de direito é o que mais nos importa. O que o SOCSOUTH mais valoriza nos nossos parceiros internacionais das SOF é o alto nível de profissionalismo e companheirismo. 

Diálogo: De que maneira os casos bem-sucedidos, tais como o da Colômbia, influenciam sua visão para ajudar a desenvolver as capacidades de outras nações parceiras?

Gen Bda Fletcher: Tal como outros países da região, a Colômbia é um parceiro estratégico do SOCSOUTH. As conquistas da Colômbia se devem em grande parte ao trabalho que os Estados Unidos fizeram com o país durante os tempos de conflitos. O SOCCOUTH é consciente de que muitos outros países foram bem-sucedidos na América Latina. Por exemplo, o Brasil comandou a MINUSTAH no Haiti e outras nações parceiras comandaram várias operações de assistência humanitária/resposta a desastres e de manutenção da paz em toda a região. O SOCSOUTH reconhece os enormes sacrifícios que todas as nossas nações parceiras fizeram para contribuir para a segurança e a estabilidade da região.

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